Joaquín Piquerez.
Estávamos em mais uma manhã de treino, como todos os dias, o sol queimando nossas costas e o suor escorrendo pela testa. Era a mesma rotina de sempre, até que notamos a chegada da galera da publicidade e mídias sociais. Todo mundo sabia o que aquilo significava: vídeos para fãs, TikTok, Instagram e qualquer coisa que envolvesse as redes sociais. A energia mudava quando elas apareciam, trazendo celulares, equipamentos e aquele entusiasmo que parecia deslocado sob o calor sufocante.
Minha vontade era me esconder. Não era novidade para ninguém que eu morria de vergonha diante das câmeras. Só de pensar em ter que fazer poses ou participar de alguma dancinha, meu estômago se revirava. O pior era o jeito como as garotas que costumavam rir e diziam que minha timidez era "fofa". Fofa? Eu não sabia se ficava mais envergonhado ou irritado. Tudo o que eu queria era estar em qualquer lugar, menos ali.
Fiquei quieto, encostado em um canto, observando enquanto elas se organizavam. Pareciam estar sempre cochichando, gesticulando e checando seus celulares, como se estivessem planejando um ataque. Dessa vez, eram quatro: uma garota de cabelos castanho-claros tomou a dianteira e se apresentou com um sorriso radiante.
— Oi, meninos! Sou a Lara, e essas são a Gabi, a Fernanda e a Alice. Como vocês devem estar imaginando, somos da parte de mídias sociais e viemos gravar algumas coisas para o TikTok. — ela apontava para as outras enquanto falava, e cada uma acenava com um sorriso.
Elas não eram as mesmas da última vez. Se fossem, talvez não precisassem se apresentar. Ou talvez eu só não tivesse prestado atenção suficiente para lembrar de seus rostos. Por educação, todos concordamos em ajudar, embora eu preferisse estar em qualquer lugar que não fosse aquele sol infernal. Podia sentir minha pele queimando, quase como se estivesse derretendo.
Foi então que, por acaso, meu olhar cruzou com o da Alice. Algo nela me fez congelar por um momento. Não era só o cabelo castanho escuro preso em um coque bagunçado ou o sorriso discreto. Não, havia algo mais. Um jeito no olhar, uma expressão que trouxe uma lembrança incômoda, quase esquecida. Alice me lembrava alguém. Alguém que eu não queria, ou não deveria, lembrar.
A lembrança parecia pairar no ar como uma sombra, mas antes que eu pudesse me aprofundar nela, Lara já estava dando instruções para os meninos, e o momento se quebrou. Mantive meu foco no chão, tentando afastar os pensamentos, enquanto me preparava para mais uma manhã que prometia ser longa.
Suspirei profundamente, sentindo o peso do calor e da tensão se acumularem. Era como se meu cérebro quisesse me preparar para a tortura iminente. Por mais que o sol estivesse escaldante, naquele momento, eu preferia encará-lo de frente, deixando que sua luz me cegasse, do que olhar para aquele rosto que parecia feito de traços tão delicados quanto os de alguém que eu ainda não conseguira superar, mesmo que tentasse esquecer.
Lara, com seu tom confiante, continuou explicando o que aconteceria, como se quisesse nos tranquilizar:
— Vocês podem se sentar ou ficar em pé. As meninas vão fazer algumas perguntinhas sobre vocês.
Ela parecia a líder do grupo, e talvez realmente fosse. Seu jeito prático e direto dava a entender que não estava ali a toa, mesmo que seu sorriso amistoso tentasse suavizar as coisas.
Aproveitei a deixa para escapar. Precisava de sombra, de água e, acima de tudo, de uma desculpa para sair daquele campo sufocante. Fui até o banco de reservas e me sentei, deixando o peso do meu corpo cair como se estivesse carregando mais do que deveria. Peguei a garrafa de água e tomei um longo gole, sentindo o líquido frio aliviar, ainda que minimamente, o incômodo do momento.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
