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Estava arrumando a mesa do café da manhã, uma tarefa que, ultimamente, fazia parte da minha rotina diária. Escolhia com cuidado os pratos e talheres, ajustava os copos em seus lugares e verificava se havia leite suficiente ou se precisava fazer mais café. Depois, eu iria até o quarto para acordar o Joaquin com calma, algo que se tornou um hábito. Mas, antes que pudesse terminar de ajeitar tudo, o interfone tocou, quebrando o silêncio da manhã.

Peguei o aparelho e ouvi a voz familiar do porteiro, informando haver três pessoas na portaria pedindo para subir até o apartamento. Franzi o cenho, pronta para negar a entrada, afinal não esperávamos ninguém, mas, quando ele disse os nomes, o chão pareceu desaparecer sob os meus pés. Eram os pais e a irmã de Joaquín.

Meu corpo inteiro gelou.

Havia esquecido completamente que eles viriam nos visitar. Totalmente. A memória veio como uma avalanche, misturada com uma pontada de culpa e o desespero de quem é pega de surpresa. O que eles iriam pensar? Como eu poderia recebê-los assim, tão despreparada?

Respirei fundo e, em meio ao turbilhão interno, autorizei a entrada deles. O próximo passo foi correr até o meu quarto com a mesma urgência de quem tenta apagar um incêndio. Precisava trocar de roupa imediatamente, o pijama desarrumado e o cabelo bagunçado entregavam que eu ainda estava meio sonolenta, mesmo já tendo começado o dia. Penteei os fios no ritmo mais rápido que conseguia, apenas o suficiente para dar alguma dignidade à minha aparência. Joaquin ainda dormia profundamente, alheio ao caos que se instalava em mim. Não tive coragem de acordá-lo, o médico havia recomendado que o deixássemos dormir até que o próprio corpo decidisse despertar.

Com o cabelo ajeitado e uma roupa que passava uma impressão mais apresentável, voltei para a sala. Ajeitei os detalhes que ainda faltavam na mesa do café da manhã, adicionando um toque final com algumas frutas que encontrei na geladeira. O conjunto ficou surpreendentemente bonito, copos alinhados, pratos dispostos com cuidado, a jarra de suco estrategicamente posicionada. Por um instante, senti uma pontada de orgulho. A mesa parecia convidativa.

Mas não tive muito tempo para admirar meu trabalho. Minha ansiedade logo tomou conta. Dei uma última olhada no apartamento, inspecionando cada canto como se fosse receber um comitê de inspeção. Tudo parecia em ordem, mas, ainda assim, meu estômago estava embrulhado.

Então, ouvi as batidas na porta.

Era como se o som ecoasse dentro de mim. Meu coração acelerou, minhas mãos ficaram suadas e a sensação de nervosismo se intensificou. Eles sempre foram muito gentis comigo, mas e se dessa vez fosse diferente? Será que eles iriam pensar que eu não sabia cuidar de Joaquin? Será que achariam que o apartamento não estava à altura das expectativas deles? Ou pior, será que deixariam de gostar de mim?

Esses pensamentos se empilhavam na minha mente como uma torre prestes a desabar. Respirei fundo, tentando afastar a insegurança, mas era difícil. Sentia que, de alguma forma, tudo poderia dar errado a partir daquele momento.

Coloquei a mão na maçaneta e hesitei por um segundo, sentindo um pequeno tremor no peito. O som do meu coração parecia ter ficado mais alto, e, por um instante, a ansiedade quase me impediu de abrir a porta. Eu sabia que esse momento era importante, e tudo o que eu queria era dar a melhor impressão possível. Minha mente começou a girar com perguntas, dúvidas e receios, mas, finalmente, com um suspiro profundo, eu girei a maçaneta e abri a porta.

— Oi, bom dia! — disse com um sorriso que tentei fazer o mais genuíno possível, mas que ainda carregava um leve toque de nervosismo. Me vi tensa, mas a saudação saiu tranquilamente. — Podem entrar, fiquem à vontade. — acrescentei, tentando dar espaço, mas, ao mesmo tempo desejando que meu tom transmitisse a acolhida que eu queria oferecer.

Amor em Jogo - PiquerezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora