Alguns dias haviam se passado desde aquele susto inicial, mas o ritmo no hospital fazia o tempo parecer se arrastar. Foram dias de exames, conversas com médicos, gráficos confusos e diagnósticos que misturavam alívio e preocupação. A boa notícia era que a lesão não era tão grave quanto temíamos, mas o veredicto trouxe um peso novo: Joaquín ficaria afastado do campo por pelo menos seis meses.
O rosto dele, normalmente tão pleno, revelou fissuras no momento em que os médicos confirmaram o tempo de recuperação. Não era só a lesão que o preocupava; era o que ela representava. A pausa forçada, a perda temporária da autonomia e, acima de tudo, o medo do que poderia acontecer durante essa ausência. Mas ele não disse nada, apenas assentiu. Joaquín usava o silêncio para mascarar o turbilhão dentro de si.
Quando o dia da alta finalmente chegou, eu o vi respirar fundo como se estivesse se preparando para uma maratona. Era curioso: ele havia enfrentado adversários poderosos em campo, lidado com desafios intensos, mas ali, diante de um simples corredor que nos levaria para fora do hospital, ele parecia pequeno, quase vulnerável.
As recomendações médicas foram claras e firmes: repouso absoluto, nada de esforço, nenhuma atividade que colocasse em risco sua recuperação. Fiz questão de reforçar as instruções enquanto ele, impaciente, me olhava com aquele sorriso que eu conhecia bem, um sorriso que dizia "vou prometer só para você parar de falar".
— Você vai seguir todas as recomendações, não vai? — perguntei, segurando a mão dele com firmeza.
Ele suspirou, rolando os olhos dramaticamente, mas respondeu:
— Sim, vou. Prometo.
A promessa saiu tão rápida e automática que eu quase não acreditei. Joaquín era teimoso, e eu sabia que ele odiava a ideia de se sentir limitado. Para ele, o hospital não era apenas um lugar de cura, mas um lembrete constante de sua fragilidade, algo que ele detestava admitir.
Deixamos o hospital com ele sentado em uma cadeira de rodas. A contrariedade dele era evidente, transparecendo em cada expressão.
— Eu consigo andar. Não preciso dessa cadeira. — ele reclamava, a voz emburrada, como se fosse uma criança contrariada.
— Você consegue, mas não deve. — respondi, ajustando a touca do moletom que ele usava, mesmo com o olhar impaciente que ele lançou para mim. — São ordens médicas, Joaquín. Eles sabem o que fazem.
Ele bufou, cruzando os braços, mas não insistiu. Sabia que, naquele momento, não havia espaço para discussão. Ainda assim, ele não conseguiu evitar resmungar enquanto o empurravam pelo corredor, murmurando algo sobre como "isso tudo é um exagero" e "não sou inválido".
Ele me olhou com uma expressão que misturava irritação e resignação, mas não disse mais nada. Eu sabia que ele odiava sentir-se vulnerável, dependente. Para alguém tão acostumado a superar obstáculos com o próprio corpo, aquilo era uma humilhação silenciosa.
No caminho para casa, o silêncio no carro foi pontuado apenas pelo barulho das ruas e os leves suspiros de Joaquín. Ele olhava pela janela, os dedos tamborilando no apoio do assento, a inquietação estampada em cada movimento. Era como se ele estivesse lutando contra algo dentro de si, um misto de frustração e aceitação.
Quando finalmente chegamos, ajudei-o a sair do carro e o guiei até a sala. Ele evitava a cadeira de rodas sempre que possível, arrastando a perna com cuidado, mas com evidente desconforto.
— Joaquín, eu estou falando sério. — parei em frente a ele, segurando seus ombros. — Você precisa parar de forçar a perna. Quanto mais se esforçar agora, mais vai demorar para melhorar. Por favor.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
