A fila de entrada do evento estava praticamente vazia quando cheguei, apenas algumas pessoas dispersas, a maioria já posicionada lá dentro, exatamente como eu tinha planejado quando disse para minha mãe que preferia ir depois. Menos olhares, menos flashes, menos daquela comoção toda que sempre acompanhava qualquer aparição oficial da minha mãe e os outros integrantes da equipe do time.
O problema é que menos gente também significava mais atenção individual.
E naquele momento, a atenção individual estava focada em mim.
— Credencial, por favor?
A voz do segurança era grossa, profissional, completamente desprovida de qualquer calor humano. Ele estava parado na entrada principal, um homem grande, ombros largos que pareciam não caber no terno escuro que vestia, postura rígida de quem passou a vida inteira em funções que exigiam intimidação apenas pela presença.
Eu olhei para a cara dele.
Ele arqueou a sobrancelha. Esperando.
— Credencial.
A palavra ecoou na minha cabeça enquanto eu processava o fato óbvio, dolorosamente óbvio, de que eu não tinha uma. Não tinha trazido nada. Nenhum convite físico, nenhum documento que dissesse "esta pessoa tem permissão para estar aqui". Porque na minha cabeça, na minha cabeça ingênua e presunçosa eu não precisaria de nada disso.
Era a festa do time, onde a presidente era a minha mãe. E um dos jogadores desse time era o meu namorado.
Por que eu precisaria provar alguma coisa?
A resposta, aparentemente, era: porque talvez nem todos aqui sabe quem você é.
— Hã... eu sou a Clara? — As palavras saíram mais como pergunta do que como afirmação, a voz subindo no final de um jeito que não transmitia nenhuma autoridade. — Clara Maria. Filha da Leila Pereira.
Tentei injetar alguma confiança no tom. Endireitei os ombros. Levantei o queixo um centímetro, tentando parecer alguém que pertencia àquele lugar, alguém que tinha todo o direito de passar por aquela porta sem questionamentos.
Não funcionou.
O segurança cruzou os braços, o movimento fazendo os músculos se contraírem de um jeito que parecia deliberadamente intimidador e me olhou de cima a baixo. Avaliando. Julgando. Claramente não impressionado com o que via.
— Sério? — O tom dele carregava uma ironia pesada, quase debochada. — E eu sou filho do Maradona.
Ele deu um riso curto pelo nariz, aquele tipo de riso que não é realmente uma risada, é mais um sopro de ar carregado de desprezo e levou o rádio que segurava até a boca.
— Posto 2 e 3, tenho uma penetra aqui.
As palavras atingiram como um tapa.
Penetra.
— Quê? — Minha voz subiu uma oitava, o pânico começando a rastejar pelas bordas. — Não, não, não. Espera. Eu juro que não sou nenhuma penetra. Eu realmente sou filha da Leila. A presidente. Do Palmeiras. O time que está dando essa festa. Eu posso provar, eu só preciso...
Mas ele já não estava mais me ouvindo.
O rádio chiou com respostas dos outros postos, códigos que eu não entendia, e de repente havia mais dois seguranças se aproximando, formando uma espécie de barreira humana entre mim e a entrada do evento. Três homens enormes, todos vestidos de preto, todos me olhando como se eu fosse algum tipo de ameaça que precisava ser neutralizada.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
