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Quarta-feira.


Mauricio tinha me mandado mensagem no Instagram confirmando o chá de bebê seria na sexta-feira, depois do treino. Ele tinha usado três emojis de bebê, dois de balão e um de coração. Achando ele que estava falando em códigos como um agente do FBI.

Minha única tarefa era garantir que Joaquín não descobrisse.

O que era mais difícil do que parecia, porque Joaquín é exatamente o tipo de pessoa que percebe quando você está tentando não ser percebida.

— Por que você está sorrindo? — ele perguntou durante o jantar, sem nem levantar os olhos do prato.

— Não estou sorrindo.

Estava. Visivelmente.

— Está sim. — Ele apontou o garfo vagamente na minha direção. — Esse sorriso específico que você faz quando sabe de algo que eu não sei. O sorriso de segredo.

— Eu tenho um sorriso de segredo?

— Desde sempre.

— Você está imaginando coisas. — eu disse, com a convicção de alguém que estava imaginando muitas coisas.

Ele largou o garfo. Me olhou de verdade, com aquela atenção toda que ele reserva pras situações em que decide que vai chegar no fundo de alguma coisa.

— Clara. O que você está escondendo?

— Nada. — Eu mantive o rosto o mais neutro que consegui, que provavelmente não foi muito neutro. — Estou só feliz. Não posso estar feliz?

— Pode. Mas essa felicidade específica tem cara de conspiração.

— Você é dramático.

— Você está desviando.

— Estou jantando.

Ele me olhou com desconfiança por mais alguns segundos, como se estivesse esperando que eu rachadasse. Eu não rachei. Ou pelo menos não completamente.

Então ele deu de ombros, com aquele jeito dele de fingir que desistiu quando na verdade não desistiu nada.

— Tá bom. — ele disse, voltando pro prato. — Mas eu vou descobrir.

— Não tem nada pra descobrir.

— Uhum.

Ele claramente não acreditou nem um pouco. Mas também não insistiu, o que era ainda mais suspeito, porque Joaquín insistindo eu sei lidar. Joaquín quieto e sorrindo pra si mesmo é assustador.

Sexta-feira, pensei, enquanto fingia que o macarrão era muito interessante. Dois dias.

Dois dias até ele descobrir e provavelmente jurar que não tinha percebido nada.


Quinta-feira.


O despertador tocou às sete, mas eu já estava acordada há pelo menos uma hora, o que tecnicamente não era culpa minha, porque Theo tinha decidido que aquela madrugada específica era o momento ideal para treinar chutes. Não chutes vagos, aleatórios. Chutes com propósito. Com mira. Na minha bexiga.

O menino ainda nem nasceu e já tem personalidade demais.

Joaquín também estava acordado.

Eu sabia porque ele não estava se mexendo e Joaquín dormindo era uma pessoa que se mexia constantemente, virava de um lado pro outro, às vezes murmurava coisas sem sentido, uma vez tinha me dado uma cotovelada acidental e depois pedido desculpa ainda dormindo. Aquele Joaquín imóvel, deitado de costas, os olhos fixos no teto, respirando de um jeito deliberadamente lento como alguém que fez um curso de meditação mas nunca terminou era um Joaquín acordado e fingindo que não estava.

Amor em Jogo - PiquerezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora