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Clara Maria.


A experiência do Rock in Rio foi verdadeiramente surreal. Era como se todos os sentimentos bons tivessem se reunido em um único lugar. O céu parecia vibrar junto com o som que emanava dos palcos. As pessoas, todas animadas e alegres, criavam um mar de energia contagiante. A música boa, vinda dos melhores artistas do mundo, preenchia o ar e fazia com que cada batida fosse sentida na pele, como se o coração estivesse sincronizado com a vibe do festival. Estar ali era mais do que assistir a shows, era viver uma celebração de pura arte e emoção.

Lucas, meu amigo de longa data, parecia completamente transformado. Durante toda a vida, eu o conhecia como alguém mais reservado, mas naquela noite ele estava diferente, quase irreconhecível. Ele se soltava diante daquela multidão como se tivesse nascido para aquilo, enquanto eu tentava, ainda que com esforço, não parecer deslocado.

Não era apenas um lugar cheio de música e pessoas, era um espaço onde todos se sentiam livres para ser quem realmente eram.

Em um momento de pura adrenalina, tive a chance de falar com algumas pessoas na frente das câmeras. A sensação era inexplicável. Eu me sentia parte de algo maior, algo que fazia sentido, como se minha voz e minhas ações pudessem alcançar alguém além de mim mesmo. Tudo o que havia acontecido mais cedo naquele dia: problemas, preocupações e pequenas frustrações  parecia ter evaporado. Ali, naquele instante, nada mais importava além do festival.

Enquanto o público se espalhava pelo gramado, vibrando com os shows anteriores, me aproximei de um grupo animado. Decidi entrevistar uma garota que chamou minha atenção, especialmente porque usava uma faixa com o nome "Shawn Mendes" escrito em letras brilhantes.

— E qual é o show que você mais está aguardando essa noite? — perguntei, já sabendo a resposta.

Ela e uma amiga ao lado deram risada, percebendo o óbvio da pergunta. Entrei no clima e reformulei rapidamente:

— Tá bom, deixa eu tentar de novo: qual música ele não pode deixar de tocar hoje, na sua opinião?

A garota, que aparentava ter uns 19 anos, abriu um sorriso enorme enquanto os olhos brilhavam de ansiedade.

Ruin, com toda certeza! É uma das minhas favoritas. Eu e minhas amigas já decidimos que nem vamos filmar, só pra aproveitar o momento. Estamos esperando por isso há anos!

O entusiasmo dela era contagiante. Aproveitei para perguntar mais, curiosa sobre como aquele amor pelo artista tinha começado.

— Há quanto tempo você é fã dele?

— Desde quando Ruin tocou aleatoriamente no meu Spotify. — respondeu com um sorriso nostálgico. — Depois disso, fui descobrindo outras músicas e, bom, foi um caminho sem volta. Virei fã. O Shawn é uma pessoa muito boa e genuína, sabe? Ele tem um coração enorme, e isso me influenciou muito. Sempre penso em como posso ser uma pessoa melhor por causa dele.

Era impressionante ouvir o impacto que um artista podia ter na vida de alguém. Perguntei de onde ela tinha vindo para estar ali naquela noite tão especial.

— São Bernardo do Campo. — respondeu.

Fiquei em dúvida por um momento, tentando lembrar se aquilo era um bairro ou uma cidade. Como nunca tinha ouvido falar, decidi não arriscar e simplesmente concordei. Ela percebeu minha hesitação e explicou:

— É uma cidade de São Paulo, na região do ABC.

A conversa fluía bem, mas o tempo corria. Arrumei o ponto no ouvido, conferindo com a equipe se havia mais tempo para perguntas, mas percebi que precisávamos encerrar. Antes de me despedir, fiz questão de desejar algo especial:

Amor em Jogo - PiquerezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora