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Clara Maria.


Havia um lado meu, que talvez, se eu não estivesse em Londres, jamais teria descoberto. Um lado que eu ainda estava aprendendo a aceitar, mas que, aos poucos, me surpreendia. Foi no aniversário do Lucas que tive a chance de perceber isso de forma mais clara.

Ele decidiu fazer uma festa em casa, já que o dia estava péssimo. Chuva e frio, o típico cenário londrino que parecia nos envolver como um cobertor cinzento. A ideia inicial era ir a uma balada, mas ele desanimou com o clima, então optamos por algo mais intimista.

Passamos o dia inteiro preparando tudo. Lucas estava animado, e seu entusiasmo era contagiante. Ele me contou que tinha convidado um grupo misto: alguns amigos brasileiros, outros locais. Isso significava que tínhamos que ser criativos com as comidas e bebidas, garantindo que agradassem os dois públicos. Passamos horas discutindo combinações, ajustando playlists e improvisando receitas.

Fiquei encarregada da decoração, enquanto ele assumiu os drinks. Ele tinha uma coleção impressionante de bebidas e um conhecimento técnico que me fazia rir, porque ele explicava cada detalhe como se estivesse ensinando um curso sobre coquetelaria.

Lucas escolheu uma decoração com cores simples: prata e preto. No começo, a ideia parecia um desastre, eu imaginei algo sombrio demais, talvez até exagerado. Mas, à medida que eu montava as mesas, ajustava as luzes e colocava alguns detalhes metálicos nos cantos do apartamento, percebi que o resultado era surpreendentemente elegante. O ambiente tinha um ar sofisticado, mas acolhedor. Lucas passava pela sala a cada tanto, provando seus drinks e aprovando com um sorriso bobo cada detalhe que eu acrescentava.

Quando terminei, dei um passo para trás e observei o espaço. Era a primeira vez em muito tempo que eu sentia orgulho de algo tão simples, algo feito com minhas próprias mãos. Aquela sala de estar havia se transformado em um lugar especial, um reflexo do esforço e da colaboração entre nós dois.

Enquanto ajustava um enfeite na mesa de centro, Lucas surgiu com dois copos na mão.

— A designer mais talentosa de Londres merece um brinde. — ele sorriu, entregando-me um dos copos.

— Designer de aniversários, talvez. — ri, pegando o drink e analisando o tom alaranjado e a rodela de laranja perfeitamente equilibrada na borda.

— Não subestime seu talento. Se isso aqui não der certo, pode abrir sua própria empresa de festas.

Dei um gole no drink, e o sabor fresco e cítrico me surpreendeu.

— Ok, vou admitir. Você também tem talento.

Ele se inclinou, conspirador.

— Quer saber um segredo? Eu inventei isso agora.

— Está aprovado. — eu disse enquanto ele se afastava.

— Tá tudo pronto aí? — ele perguntou, a voz um pouco abafada pela música alta que preenchia o ambiente. Eu respondi com um "sim" alto o suficiente para ele ouvir em meio ao som vibrante da música. — Então vai se arrumar, logo a galera vai chegar.

Ele parecia ansioso, mas eu também estava. O clima estava ficando mais animado e a festa estava prestes a começar. Depois de dar uma última conferida em tudo, garantindo que as bebidas estavam no ponto e que a música estava no volume perfeito para deixar a galera animada, me senti mais tranquila e fui para o meu quarto.

Amor em Jogo - PiquerezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora