Ao chegarmos ao CT, minhas mãos se agarraram às de Joaquín como se fossem ímãs. Só o soltei quando ele se dirigiu aos outros jogadores para cumprimentá-los. Eu, ainda me sentindo deslocada, não estava tão a fim quanto ele de me socializar, acenei timidamente de longe, sem coragem de me juntar ao grupo. Foi então que percebi Richard, que não estava entre os jogadores, levantando-se dos bancos de reserva. Sua presença ali me pegou de surpresa, como se ele estivesse esperando por mim.
Richard não disse uma palavra, nem eu. Seus olhos fixos nos meus transmitiam uma mensagem silenciosa, como se ele quisesse que eu entendesse algo sem precisar usar palavras. Joaquín, que até então estava de costas para nós, virou-se de repente, como se pressentisse a presença de alguém indesejado. Seus olhos encontraram os meus, e um silêncio tenso se instalou.
Senti como se estivesse no centro de um campo minado, presa entre dois olhares carregados de significado. Sem pensar, caminhei em direção aos jogadores e ao meu namorado, buscando refúgio na familiaridade do grupo. Foi então que Veiga quebrou o silêncio, elogiando meu cabelo com um sorriso caloroso. Agradeci com um sorriso aliviado, sentindo a tensão se dissipar um pouco. Por um momento, consegui esquecer os olhares intensos e me concentrar na conversa leve com os jogadores.
A leveza da conversa com os jogadores começou a se dissipar, dando lugar a uma onda de saudade de Endrick. Observando o grupo reunido, rindo e conversando antes do treino, senti um aperto no peito. Será que ele estava bem? Torci para que sim, para que estivesse feliz e seguro, onde quer que estivesse.
Enquanto isso, Ríos permanecia à distância, observando tudo com um olhar penetrante. Sua postura distante era um lembrete silencioso da tensão que pairava no ar. Era como se todos ali soubessem que havia algo de errado, algo que não podia ser dito em voz alta. A presença de Joaquín, e talvez a minha, era um lembrete constante de um algo que ele não poderia ter.
Quando Joaquín me olhou, seus olhos buscaram uma confirmação, uma garantia de que eu estava bem. Mas eu não estava, e ele sabia disso. Havia uma comunicação silenciosa entre nós, um entendimento que ia além das palavras. Ele sabia que algo me incomodava, mas optava por não tocar no assunto, como se suas palavras fossem desnecessárias, como se eu já devesse ter compreendido tudo.
Decidi que era hora de ir.
— Amor, está na hora de irmos. — disse, minha voz soando mais firme do que eu esperava. Apontei para a saída do campo, e ele concordou, começando a se despedir dos outros jogadores.
Fiz o mesmo, acenando para eles enquanto me aproximava de Joaquín. Peguei sua mão com força, talvez um pouco mais do que o necessário, e o guiei para dentro do CT.
— Eu deveria ter trazido um boné para você. — comentei, tentando quebrar o silêncio tenso. — O sol está deixando suas bochechas vermelhas.
Passei o dedo suavemente sobre suas bochechas, mas meu tom de voz revelava minha ansiedade. Ele sorriu, mas havia uma preocupação em seu olhar, como se ele soubesse que eu estava escondendo algo.
— Você nem passou protetor solar, né? — perguntei, e ele negou com um sorriso envergonhado.
Balancei a cabeça em desaprovação, mas seu sorriso contagiante me fez sorrir também. Ele estava tentando me tranquilizar, mas a tensão ainda pairava no ar, como uma nuvem escura prestes a desabar.
Quando chegamos na sala de preparação física e fisioterapia, ela estava vazia. Fiquei ali por um momento, sentindo um vazio estranho, antes de decidir deixar Joaquín lá enquanto eu ia procurar minha mãe. Ele me olhou, e seus olhos não mentiram. Estava preocupado. Como se ele também soubesse que eu não estava totalmente à vontade.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
