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— Preciso urgentemente da sua ajuda, qual vestido fica melhor em mim? Este aqui ou este outro? — ela disse com aquela empolgação característica enquanto pegava cuidadosamente dois vestidos elegantes e caros de uma parte organizada do seu closet enorme.

— Para qual ocasião exatamente? — perguntei com curiosidade genuína, caminhando devagar pelo cômodo luxuoso e espaçoso, passando os dedos distraídos pelas roupas penduradas.

— Ah, verdade, eu não te contei ainda? — ela pausou, virando-se para mim com os vestidos ainda nas mãos. — A festa de celebração do Palmeiras, para os patrocinadores e comissão técnica e todo o resto. É algo grande, importante. — ela disse com um sorriso largo e orgulhoso nos lábios que iluminava o rosto inteiro. — Eu não te convidei formalmente ainda porque imaginei naturalmente que você iria com o Joaquín de qualquer forma, já que ele faz parte do elenco. Achei que ele já teria te falado sobre isso.

— Não. — respondi, franzindo levemente a testa confusa. — Ele não disse absolutamente nada até agora sobre festa nenhuma. — falei pensando seriamente no assunto, tentando lembrar se ele tinha mencionado algo que eu pudesse ter esquecido ou ignorado. — É uma festa de gala formal e elegante ou algo apenas mais reservado e casual?

— Reservado e casual é só a minha vida pessoal, querida. — ela respondeu com ironia seca. — A diretoria e eu decidimos democraticamente que seria de gala completa. Vestidos, smokings, o pacote inteiro. Precisa impressionar os patrocinadores e a imprensa.

Eu ri genuinamente com o comentário afiado dela. Minha mãe estava visivelmente animada e empolgada com a festa, seus olhos brilhavam só de falar sobre o assunto.

— Acho sinceramente que esse aqui parece bonito o suficiente, até mais que suficiente. — apontei decidida para o que era prateado e brilhante, elegante sem ser exagerado, com um recorte delicado e estratégico no decote e o tecido claramente de luxo, provavelmente italiano. — Ele chama atenção de forma positiva, te coloca em posição de destaque natural, como você deve e merece estar, por ser presidente do clube. É imponente mas feminino.

— Gostei da análise. — ela sorriu satisfeita, segurando o vestido contra o corpo para visualizar. — E você, vai comparecer?

Ela perguntou casualmente, mas eu percebi o peso real da pergunta. Fiquei em silêncio tenso por alguns segundos, ainda pensando cuidadosamente em uma resposta honesta que não a magoasse.

— Eu gostaria muito, sinceramente muito que você fosse, Clara. — ela continuou antes que eu respondesse, sua voz ficando mais suave e maternal. — Mas também só se você realmente se sentir confortável e segura com a ideia. Não quero te forçar a nada que te faça mal.

— Os enjoos matinais estão consideravelmente melhores agora que eu estou entrando oficialmente no quarto mês de gestação, graças a Deus. — expliquei, passando a mão instintivamente pela barriga que já era impossível de esconder. — Acho que consigo ficar em público por algumas horas sem correr o risco constante de vomitar de hora em hora em qualquer canto como estava fazendo antes. Mas não sei se Joaquín realmente quer ir, ele nem me falou sobre isso.

— Ele tem que ir obrigatoriamente, não é escolha. — ela disse séria de repente, e eu imediatamente percebi seu tom de autoridade profissional de presidente assumindo o controle. — Faz parte do elenco, do contrato dele. É esperado que todos os jogadores importantes compareçam. Mas se você não quiser ir, tudo bem mesmo. Eu entendo perfeitamente.

Aquele "tudo bem" eu entendi previamente e perfeitamente bem. Conhecia minha mãe demais para não reconhecer o drama sutil escondido, seu olhar específico em ficar me observando pelo canto dos olhos, esperando que eu mudasse de ideia por conta própria.

Amor em Jogo - PiquerezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora