Clara Maria.
"— Você ligou pra pessoa errada, Joaquín."
Aquela frase mal saiu da minha boca, e eu já sentia o meu corpo inteiro tremendo. Não de frio, mas de algo que se misturava entre o desconforto e uma estranha nostalgia. Era uma sensação agridoce, como reencontrar algo que você achava que havia perdido para sempre. Eu não imaginava que ele me ligaria, e bom, estava certa, porque ele ligou achando que era sua irmã, Camila.
Do outro lado da linha, o silêncio era tão pesado que parecia preencher o quarto. Joaquín não respondeu. Não pediu desculpas, não riu do equívoco. Apenas ficou lá, em um silêncio que dizia mais do que qualquer palavra poderia dizer. Não sei se ele não queria falar ou estava com medo de dizer algo que não deveria. Talvez fosse uma mistura dos dois.
Para poupá-lo — ou talvez a mim mesma —, apertei o botão vermelho e desliguei.
— Por que você desligou? — Lucas perguntou quase indignado, inclinando-se para mim como se quisesse pegar o celular da minha mão e ligar de volta. — Não era pra ter desligado.
— Ele não queria falar comigo. — Balancei a cabeça, tentando afastar o peso daquela ligação. — Ligou achando que era a irmã.
Lucas estreitou os olhos, como se tentasse enxergar algo que eu não conseguia. Ele sempre foi o mais observador de nós dois, enxergando intenções até onde eu só via o óbvio.
— Mas ele não desligou ao saber que era você. — Sua voz saiu firme, mas quase como um sussurro, carregada de uma certeza que me incomodava. — Ele queria, ao menos, ouvir a sua voz.
Fiquei em silêncio desta vez, encarando o chão como se ele tivesse a resposta para uma pergunta que eu não queria formular. A possibilidade que Lucas sugeriu parecia abrir uma porta dentro de mim que eu havia trancado há muito tempo. Se Joaquín queria ouvir minha voz... o que isso significava?
Algo em mim sussurrou que Lucas estava com razão. Talvez fosse o tom de certeza na voz dele ou o jeito como ele olhou para mim, como se visse algo que eu mesma estava tentando ignorar. Mas, se ele estava certo... como eu poderia reverter a situação? E, mais importante, eu deveria?
Pensei, repensei, e antes que o peso da dúvida me imobilizasse, resolvi agir.
— Vou precisar fazer isso sozinha. — avisei a Lucas, com a voz firme, mas as mãos tremendo. Ele entendeu o recado sem protestar e saiu do meu quarto, me lançando um último olhar que parecia uma mistura de incentivo e preocupação.
Peguei o celular com dedos trêmulos, o número dele ainda ali na tela, como uma ferida aberta. Respirei fundo e apertei para ligar. O toque parecia interminável, cada segundo prolongando a sensação de que eu estava cometendo um erro. Quando a chamada passou do terceiro toque, comecei a pensar que talvez fosse melhor desistir, mas antes que eu cancelasse, ele atendeu.
— Eu não quero que diga nada. — falei rápido, antes que ele pudesse desligar. Minha voz saiu entrecortada, mas firme o suficiente para continuar. — Eu sei o quanto eu te magoei, e não quero falar sobre isso agora. Não sem olhar nos seus olhos. Seria mais... verdadeiro.
Fiz uma pausa, tentando interpretar o silêncio do outro lado. Meu coração batia tão alto que eu quase não conseguia ouvir minha própria voz.
— Eu não sei se você está me ouvindo ou se só atendeu e largou o celular em algum canto. Mas eu preciso dizer isso... eu sinto muito por tudo o que te causei.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
