— Joaquín? — chamei, vendo-o jogando videogame na sala. — Preciso falar com você.
Nenhuma resposta.
Revirei os olhos ao perceber que ele estava de fones, completamente imerso no jogo. Ele não me ouviria nem se quisesse. Suspirei, cruzando os braços, antes de caminhar na ponta dos pés até ele. Era tarde da noite, e ele ainda estava ali, afundado no sofá, o brilho da tela refletindo em seu rosto. Eu, por outro lado, quase pegava no sono quando a conversa com minha mãe me veio à cabeça, reacendendo a inquietação que me consumia há semanas.
E naquela hora, pareceu ser a oportunidade perfeita pra isso.
Toquei seus ombros levemente, e ele olhou para trás no mesmo instante, reagindo ao contato como se tivesse sido chamado de um transe. Seu corpo se sobressaltou por um segundo, os olhos arregalando-se antes de relaxar ao me reconhecer.
— Caramba, me assustou. — Ele tirou um dos fones, piscando algumas vezes. — Que foi?
— Preciso falar com você. — Repeti, deslizando os dedos até o arco do headset e o retirando com cuidado. — É sério.
Passei uma perna por cima do sofá e me sentei ao seu lado, puxando os joelhos contra o peito, ansiosa. Ele franziu a testa e, em um movimento casual, apontou para minha barriga.
— Vamos ter um bebê?
Soltei uma risada curta, surpresa com a suposição.
— Não, Joaquín. Não teremos um bebê.
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Tem certeza? Tá com toda essa pose séria...
— Absoluta. — Bufei, deixando claro. — É sobre minha ida para Londres.
O sorriso brincalhão desapareceu de seu rosto. O controle do videogame foi abandonado no sofá sem qualquer hesitação, e ele se virou completamente para mim, atento.
— Achei que esse assunto te deixasse desconfortável.
— E deixa. — Confessei, mordendo o lábio inferior. — Mas eu não consigo mais guardar só pra mim. E minha mãe, cedo ou tarde, te contaria de qualquer jeito.
— Tem certeza de que não é um bebê? — Ele brincou de novo, como se tentasse aliviar a tensão no ar.
Dessa vez, rolei os olhos e, sem pensar muito, levantei a blusa, exibindo minha barriga sem cerimônia.
— Tá vendo algum hóspede aqui?
Ele analisou por um segundo, como se levasse a questão a sério, e então riu.
— É, acho que não.
— Exato. — Deixei a blusa cair de volta e me afundei no sofá, soltando um suspiro.
Houve uma pausa. Ele me observou com mais atenção agora, seus olhos analisando cada detalhe da minha expressão.
— Então o que mais poderia ser? — A voz dele saiu mais baixa, quase hesitante. — Você está tensa.
E eu estava.
— Eu tô pensando em não voltar para Londres. — A frase saiu baixa, quase como se eu tivesse medo de dizê-la em voz alta. — Eu não sei o que isso pode nos causar... causar a mim mesma... e não sei se tenho coragem o suficiente pra descobrir.
Aquelas palavras pareciam pesar no ar entre nós. Pela primeira vez naquela noite, o silêncio se tornou uma presença palpável, sufocante, quase cruel. Joaquín ficou me encarando, e o brilho colorido do videogame ainda ligado iluminava seu rosto de maneira intermitente, como se fosse um reflexo do turbilhão dentro de mim.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
