A manhã chegou cedo demais.
Eu sabia que era manhã porque a luz estava entrando pelas cortinas de um jeito ofensivo, e porque o despertador de Joaquín tinha tocado há aproximadamente três minutos com aquele som que eu jurava ter sido projetado especificamente para causar estresse cardiovascular.
Ele já tinha desligado, provavelmente antes mesmo de eu processar que estava acordada e agora eu sentia o colchão afundar levemente enquanto ele se sentava na beirada da cama.
— Que horas são? — a minha voz saiu arrastada, rouca, mais reclamação do que pergunta.
— Seis e quinze.
— Por que você acorda tão cedo?
— Porque eu gosto de ter o meu emprego.
Ele riu.
— E ele vai pagar o apartamento com banheira de hidromassagem que você exigiu.
Abri um olho.
Ele estava de pé ao lado da cama, ainda sem camisa, o cabelo apontando para todas as direções de um jeito que deveria ser ridículo mas que de alguma forma era adorável. A luz da manhã desenhava linhas douradas na pele dele, destacando os contornos dos músculos, e por um momento eu considerei seriamente a possibilidade de puxá-lo de volta para a cama.
— Eu não exigi. — eu disse. — Eu sugeri naquele dia.
— Você disse,"com hidromassagem, e porta com tranca, e talvez isolamento acústico".
— Isso foi uma lista de desejos, não uma exigência.
— Pareceu uma exigência.
Ele sorriu, aquele sorriso de canto que fazia coisas com meu estômago e se inclinou para me beijar na testa.
— Vou fazer café. Você vem?
— Cinco minutos.
— Clara. Você tem que comer pela manhã, no horário certo, sabe disso.
— Dez minutos.
— Se você não levantar em cinco, eu volto e te arrasto.
— Você não faria isso.
— Quer testar?
Eu não queria testar. Joaquín era perfeitamente capaz de me arrastar.
— Tá bom, tá bom. — eu resmunguei, me forçando a sentar. — Estou acordada. Oficialmente acordada. Satisfeito?
— Muito.
Ele saiu do quarto, e eu fiquei ali por mais um momento, piscando contra a luz, tentando convencer meu corpo de que sim, realmente precisávamos nos mover.
A barriga fez tudo mais complicado. Sentar era um processo. Levantar era outro processo. Ir ao banheiro era uma expedição completa que exigia planejamento logístico e, às vezes, ajuda divina.
Mas eventualmente, depois de uma passada no banheiro e de vestir uma camiseta limpa sobre o short que eu tinha dormido, eu consegui chegar à cozinha.
O cheiro de café foi a primeira coisa que me atingiu.
Ele estava de costas para mim quando entrei, ocupado mexendo algo na frigideira. Já tinha colocado uma camisa, infelizmente, mas ainda estava de short de moletom, os pés descalços contra o piso frio da cozinha.
— O que você tá fazendo? — perguntei, me aproximando.
— Ovos. — ele olhou por cima do ombro. — Mexidos. Com queijo.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
