A Perseguição. Cap.: 37

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Depois do banho, me vesti com a alma ainda molhada de dúvidas, coloquei o meu shortinho preto, uma blusinha leve de cor roxa que abraçava o meu corpo como um sussurro, e calcei minha sandália rasteira preferida, uma de cor branca, mas que me fazia sentir segura sobre o mundo. Peguei a minha bolsinha transversal, dessas pequenas que a gente carrega com tudo e, ao mesmo tempo, com quase nada. Um batom na bolsa, dinheiro contado na medida exata para o que eu planejava gastar, um cartão de crédito que eu nem sabia se ainda funcionava, um plano na cabeça e o coração um passo atrás. O meu destino era simples, o centro comercial de Divina City, só queria um celular novo, só queria um pouco de normalidade, mas o universo, parecia ter outros planos.

Já no ponto de ônibus, senti, senti antes de ver, aquela inquietação que arrepia a pele da nuca, gente estranha passando na calçada, olhares demorados demais vindo de rostos que eu não reconhecia, e olha que eu sabia reconhecer 90% das pessoas do meu bairro, dos vizinhos, cidade pequena tem disso, todo mundo já esbarrou em todo mundo, mas, naquele momento eles, eram peças fora do tabuleiro, desconhecidos demais para passarem despercebidos, logo, o ônibus chegou, entrei com passos firmes, tentando não parecer nervosa, me sentei nas cadeiras da parte da frente, respirei fundo, no espelho retrovisor do motorista, reparei em dois homens lá atrás, vestidos de preto, calados, olhando para mim, fingiam que não, mas voltavam os olhos logo em seguida, disfarces mal feitos, era como roupa de lobo em pele de lobo mesmo, fingi que não vi, desci no centro, eles também.

O barulho da cidade parecia abafado pelo som da minha respiração acelerada, apressei o passo, virei uma rua, continuavam me seguindo, percebi que um deles atendeu o celular, aquela foi a distração perfeita, dobrei uma esquina sem pensar duas vezes e corri até uma outra rua, por um momento, não vi mais ninguém atrás de mim.
Aproveitei, fui entrando em lojas e comparando preços, afinal, eu me sentia mais desprotegida ainda sem ter um celular para nem se quer, conseguir chamar ajuda através dele, eu estava tentando parecer natural, minha intenção era fazer com que as vendedoras das lojas não estranhassem o meu nervosismo, pois, elas podiam interpretar aquilo de outra forma, como se eu fosse rouba-las, ou algo do tipo, meus olhos vasculhavam as vitrines, mas minha mente vasculhava as ruas, e foi saindo de uma loja para outra que dei de cara com ele...

- Primo?

Perguntei, assustada.

Primo; - Amanda? O que você tá fazendo aqui?

- Eu? Vim comprar um celular. Mas e você?

Ele parou, travou, me encarou por dois segundos que duraram uma eternidade.

Primo; - Eu... eu tô indo trabalhar.

- Aqui? Desde quando sua oficina fica desse lado da cidade?

Um silêncio pairou no ar, derrepente, o celular dele fez um som, como se fosse de alguma mensagem que havia chegado.

Foi aí que uma van preta parou com tudo no outro lado da rua, freando com um rangido seco como um grito, as portas se abriram com violência, saíram de dentro, homens de preto, armados, vieram andando rápido em nossa direção, o meu primo com os olhos arregalados sussurrou;

Primo - Corre! Corre, Amanda!

Eu não pensei em mais nada, eu corri, só corri, e ele ficou lá. O som dos meus passos batia contra a calçada como um tambor de guerra, esquivei de pedestres, desviei de bancas, empurrei uma lixeira sem querer, meu coração martelava dentro do peito, um dos caras gritou atrás de mim me pedindo para parar, outro quase agarrou a minha bolsa, pulei uma corrente que separava a calçada de uma area que ficava a pracinha, os perseguidores não viram a corrente, tropeçaram e caíram um por cima do outro, a van parou para que eles entrassem nela novamente, com isso ganhei um tempinho para mim distanciar-se da van e saí do outro lado da praça, na gana de fugir fui atravessar uma rua sem olhar para os lados, foi aí quando escutei derrepente o ronco de uma moto rasgando o ar como um trovão, ela parou quase em cima de mim, me asustei mas ouvi o motoqueiro chamar o meu nome, então fiquei confusa sem saber se ele era apenas um alguém aleatório que quase me atropelou, mais um dos capangas que estava junto com os caras da van que me seguia, ou um amigo tentando me salvar, assim, sem saber bem o porquê, resolvi apostar na última opção, talvez por ainda ter aquela chama de esperança que nos faz sempre querer tentar superar qualquer obstáculo, então, me virei totalmente para ele, que usava capacete e uma moto de cor preta, parecia saída de um filme de ação. Logo, ele me estendeu a mão e gritou;

???? - Amanda! Sobe! Rápido!

Em meio ao desespero e a pressa de fugir daquele lugar, notei que a van vinha ao longe na minha direção novamente, então, percebi que aceitar aquela ajuda poderia ser a minha única chance, logo pensei: "e agora? O que eu faço?"

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Em meio ao desespero e a pressa de fugir daquele lugar, notei que a van vinha ao longe na minha direção novamente, então, percebi que aceitar aquela ajuda poderia ser a minha única chance, logo pensei: "e agora? O que eu faço?"

Continua.

Amanda, À DerivaOnde histórias criam vida. Descubra agora