Second season:three hundred and ninety
★ Você chorou por ela? ★
_ duas semanas depois:16 dezembro_
{Tacoma, Washington}
<Bianca Santiago narrando>
Sorri ao ver Victor se aproximar da porta de casa. Ele me abraçou com um carinho que não via há muito tempo. Quando ele finalmente se sentou no sofá, sem gorro e com o cabelo bagunçado pelo frio, percebi que algo estava diferente.
— Você demorou. — Resmunguei, ligando o aquecedor.
— Você mandou mensagem às oito da noite dizendo que já estava em Washington. Oito da noite, Bianca. Além disso, são quase meia hora de carro até aqui. Ninguém mandou morar longe de todo mundo. — Ele bebeu meu milk-shake como se fosse dele, provocando um revirar de olhos da minha parte.
— O GS mora aqui perto. — Argumentei com um sorriso sarcástico. Ele arqueou as sobrancelhas como quem diz "tanto faz". — Olha eu não moro tão longe assim. A Bárbara sim, que vive isolada de Deus e o mundo a uma hora daqui. — Rebati e ele riu de leve, balançando a cabeça em concordância.
— Mas e aí, por que voltou antes?
— Faz parte do plano. O esquadrão chega amanhã antes da festa. E vocês? Como foi Seattle?
— Nada de muito relevante. Só descobrimos que o governo americano é cúmplice de máfias. — Ele foi sarcástico, e murmurei algo incompreensível enquanto pensava no que ele disse. — E com o CTOS ligado? Alguma pista? — Perguntou.
— A conselheira do presidente sumiu, e o caso nunca foi solucionado. A última vez que ela foi vista foi na Casa Branca. E, adivinha só, o único dia sem gravações é justamente o dia do desaparecimento. A Casa Branca, cercada por câmeras e seguranças, Bianca. Ridículo, né? — Revirei os olhos junto com ele. — Mas o que aconteceu com você? Parece que acabou de receber a notícia que vai mudar o mundo. — Cruzei os braços, observando-o.
Ele suspirou, apoiando os cotovelos nas coxas, cabisbaixo.
— Estou investigando algo que pode mudar o país inteiro e, se errar, eles acabam comigo. Briguei feio com a Bárbara. A festa é amanhã. E, pra completar, minha irmã sumiu do mapa. Estou incrível, Bianca, acredite.
— Como assim "sumiu"? — Endireitei-me, intrigada.
— Ela sempre desaparece, mas dessa vez é estranho. Não respondeu mensagens desde que comecei o caso no início do mês. As coisas dela ainda estão em casa, mas nem sinal dela.
— Por que não disse nada antes?
— Porque ela sempre aparece. A Lara sabe se cuidar melhor que eu, mas... não sei. Essa sensação não passa. — Ele esfregou a nuca, claramente preocupado.
— Se precisar, eu ajudo você a achá-la. É pra isso que serve o FBI, né? — Brinquei, tentando aliviar o clima. Ele sorriu de canto, mas ainda parecia tenso.
— E você e a Bárbara? Vocês estavam tão bem...
Ele hesitou, desviando o olhar antes de responder.
— Brigamos. Ela ficou com ciúmes, o assunto virou sobre "o que a gente tem", e as coisas saíram do controle. Nós discutimos feio. Eu chorei, ela chorou, e depois... segui como se nada tivesse acontecido. Agora só conversamos sobre o caso.
— Você chorou por ela? — Perguntei, surpresa. Não era fácil ver o Victor tão vulnerável assim.
— Eu nunca chorei por alguém antes, sabia? — Ele riu sem humor, balançando a cabeça. — Eu sabia que não ia dar certo com a Bárbara. Desde o início, eu sabia que ela era um muro de pedra. Mas mesmo assim, eu tentei.
— Porque você ama ela. — Falei sem rodeios, e ele piscou várias vezes, confuso.
— Eu... Não sei.
— Não mente pra si mesmo Victor. Desde o dia que ela te xingou por causa de um café, você não conseguiu tirar ela da cabeça. Vai me dizer que não gostou de ter ido pra Seattle sozinho com ela?
Ele suspirou profundamente, como se estivesse tentando organizar os próprios pensamentos.
— Eu gosto dela. Muito. Mas gostar dela... é complicado. É como se eu estivesse constantemente tentando alcançá-la, mas ela sempre tá um passo à frente, me afastando. — Ele fez uma pausa, respirando fundo. — Eu disse que era melhor a gente se afastar. Que talvez ela tivesse razão... que nunca daríamos certo. Mas, porra, Bia... eu não consigo parar de pensar nela.
— Victor, você tá magoado, mas isso não significa que acabou. Vocês têm algo especial.
— Especial? — Ele riu, mas seus olhos estavam marejados. — O que é especial em alguém que me faz sentir o melhor e o pior de mim ao mesmo tempo? Ela me tira do sério, Bia. Mas, ao mesmo tempo, ela me faz sentir vivo.
— Então não desiste dela.
— Como eu não vou desistir, Bia? A gente só sabe se machucar. Eu sinto falta dela a cada segundo, mas quando tô com ela, é como andar numa corda bamba. Só que... eu não quero outra pessoa. Nunca quis. Eu am... eu gosto dela. — Ele parou, como se as palavras tivessem saído com dificuldade. Acho que ele ainda não estava pronto pra admitir algo tão profundo. — E isso me destrói.
Puxei Victor para um abraço apertado, sentindo a tensão em seus ombros.
— Você precisa conversar com ela, de verdade. Sem gritos, sem barreiras. — Falei e ele ficou pensativo. — Nem tudo está perdido. A história de vocês ainda não acabou. Confia na sua amiga. — Abracei-o de lado, tentando oferecer conforto.
Ele riu sem vontade, mas o calor do momento trouxe um sorriso breve aos lábios dele.
— O que é sofrer pelo amor da sua vida, ter uma irmã desaparecida e enfrentar um crime do governo perto de quebrar o pulso e o tornozelo no mesmo dia? — Brinquei, arrancando uma risada genuína dele.
— Você tem razão. Nada se compara a isso. — Ele me abraçou de volta.
— Que tal eu fazer um chocolate quente pra você se sentir melhor?
— Acho que só preciso da companhia da minha melhor amiga. O chocolate quente também ajuda. — Ele sorriu, e eu beijei sua testa antes de ir para a cozinha.
Enquanto preparava a bebida, não conseguia deixar de pensar. Ele amava a Bárbara, mas tinha medo. Só esperava que, no meio de tantas incertezas, ele tivesse coragem de lutar por ela.
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case thirty nine:season two
FanficApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
