Capítulo duzentos e trinta e três.

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Second season:two hundred and thirty-three
Olá vadia ★
{Seattle, Washington}
<Madelaine Pierce narrando>

Estava na casa da Eliza, tentando, sem muito sucesso, afastar os pensamentos dos últimos acontecimentos. Mordi um donut com as duas mãos, esperando que o açúcar me trouxesse algum alívio.

— Alguma fofoca? — Perguntei de boca cheia, o tom despreocupado contrastando com a avalanche de pensamentos na minha cabeça.

— Minha prima vai chegar amanhã. — Eliza murmurou, deitada no sofá.

— Candelaria? — Resmunguei, rolando os olhos.

— É. — Ela confirmou, o desânimo aparente na voz.

— Não tava morando em Boston?

— Tava, mas resolveu voltar pra Washington. E está sem casa.

— Oh, que emocionante. Uma sem-teto. — Comentei, com um sarcasmo afiado. — Manda ela mendigar na rua.

— Mads! — Eliza me repreendeu, mas eu apenas dei de ombros.

— Ah, Eliza, sua família é insuportável.

Ela resmungou e se acomodou melhor no sofá, claramente exausta da discussão. — E você? Alguma fofoca?

— Chamei o Jake pra sair. — Respondi, soltando a colher de brigadeiro na mesa.

Imediatamente, Eliza se sentou, me olhando surpresa. — O Connelly? — Ela praticamente exclamou.

— Aham.

— O melhor amigo do Peter? — A incredulidade em sua voz era palpável.

— É, Eliza.

— Ah, você não fez isso. — Ela balançou a cabeça, ainda tentando absorver a informação.

— Eu fiz. — Dei de ombros, sem o menor remorso.

— Diga que está brincando.

— É sério.

Eliza me olhou como se eu tivesse cometido um crime grave. — Sabe que a Ana está afim dele.

— Ela tá? Nem reparei. — Fingi desdém, mas sabia que estava cutucando feridas antigas. Eliza me lançou um olhar furioso.

— Você consegue ser muito ordinária às vezes.

— Qual o problema? A gente nem é amiga, não é talaricagem. — Meu tom era defensivo, tentando esconder a verdade amarga. Bom, não mais.

Costumávamos ser melhores amigas.
Antes do incidente que mudou minha vida para sempre. Eu me fechei tanto que esqueci que os outros também têm sentimentos. A mágoa me consumiu. Fui forçada a mudar de maneiras que ninguém pode imaginar. Afastei as pessoas mais importantes da minha vida, e paguei caro por isso. Só eu sei o quanto sofri, o quanto ainda dói.

E eu sei que posso ter sido uma completa babaca com a Ana. Mas ela também não é inocente. Ela me deu as costas no momento em que eu mais precisava. E isso não se perdoa fácil.

Mas, no fundo, sinto falta dela.

Talvez Eliza esteja certa.
Eu sei que é errado chamar o Connelly pra sair, especialmente sabendo dos sentimentos da Ana. Mas eles nem estão juntos. E, francamente, cheguei a uma fase da minha vida em que simplesmente não estou me importando. Com ninguém.

— Pegou o que eu te pedi? — Eliza perguntou, me tirando dos meus pensamentos.

Fechei os olhos e bati a mão na testa, lembrando. — Ah, esqueci no carro.

— Pelo amor de Deus, Mads!

— Calma, estressadinha. Eu vou lá pegar. — Brinquei, mas ela fez uma careta de criança, mostrando a língua.

Coloquei minha jaqueta vermelha e saí do apartamento. Desci as escadas até o estacionamento. O hall de entrada estava vazio, e o frio da noite parecia amplificar o eco dos meus passos. Ao me aproximar do carro, senti algo estranho no ar, como se estivesse sendo observada.

De repente, meu cabelo foi puxado com força para trás. Gemi de dor enquanto meu corpo era jogado contra alguém. Meu coração disparou.

— Olá, vadia. Você e eu precisamos ter uma conversinha. — A voz gélida me fez estremecer.

Lara Cooper.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora