Capítulo trezentos e trinta e quatro.

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Second season:three hundred and thirty-four
Não é na sua cabeça

— Então, me diz como foi — Gaby pediu, empolgada, sentando no chão de carpete em frente à lareira.

Eu nunca contei nada sobre minha vida em Washington para a Gaby. Ela só sabia que eu vim para a Flórida sem avisar praticamente ninguém, e isso sempre atiçava sua curiosidade. Toda vez que tocava nesse assunto, ela insistia em saber mais, como se eu estivesse escondendo segredos emocionantes. Revirei os olhos, ajeitando a blusa branca do meu pijama.

— Não tem nada pra falar — respondi, usando a mesma desculpa de sempre.

— Ah, qual é, fala pra mim, Ba! — Gaby insistiu, quase implorando, e eu suspirei com exasperação.

— Eu só precisava de um tempo. Foi isso — murmurei, evitando os detalhes.

A verdade é que eu tinha fugido para cá. Fugido dos meus problemas. O tempo que eu precisava era real, mas já se passaram um mês e eu sabia que estava prolongando demais. Gaby, como sempre, estava certa: no fundo, eu tinha medo de voltar para Washington.

— Um mês inteiro? — ela debochou, e eu atirei uma almofada em seu rosto, arrancando uma risada dela. — Você é toda misteriosa. Eu nem sei seu nome completo!

— É Sevilla — respondi com simplicidade.

— Não, Ba, tô falando do nome todo, tipo o meu: Gabrielly Kosinski Scott.

— É só Bárbara Sevilla. Não tenho o sobrenome da minha mãe — murmurei, como se fosse óbvio. Gaby arregalou os olhos de surpresa.

— Por quê?

— Confia em mim, você não quer saber.

— Tá... E os seus amigos? Namorado, sei lá? — ela perguntou com um sorriso maroto, e eu arqueei as sobrancelhas.

— Tá, tá, parei com as perguntas! — Gaby levantou as mãos em rendição, ainda rindo.

— Não tem nada de tão interessante pra você saber, Gaby. Era só uma vida normal. — Isso se ignorarmos a parte de eu ser agente do FBI.

— Então você veio pra cá porque sua vida era um tédio? — ela brincou, me fazendo rir baixinho. Vida entediante, era? Se ela soubesse...

— Na minha cabeça, você tinha um grupo de amigas, uma paixonite secreta, uma vida agitada, irmãos, família, essas coisas... Porra, em Washington neva! Eu nunca vi neve! — Gaby cruzou os braços, emburrada, o que me fez rir mais uma vez.

— Você nunca viu neve?

— Na Flórida não neva, né — ela rebateu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Você nunca saiu de Miami? — perguntei, incrédula. Ela deu de ombros, sem dizer nada, apenas encolhendo os lábios.

— Bem que você podia me levar pra Washington. É inverno agora...

— Nem pense nisso, Gabrielly — eu adverti, balançando a cabeça.

— Por favor, Ba! — ela afinou a voz, fazendo uma expressão triste e exagerada.

— E o que eu ganho com isso? — perguntei, tentando esconder um sorriso.

— Seus amigos de volta, sua paixonite secreta, seus irmãos, família e a vida agitada que eu imaginei na minha cabeça! — ela disse, forçando um sorriso e me encarando.

Eu abaixei a cabeça, meu sorriso sumindo aos poucos. — Não é só na sua cabeça — murmurei baixinho, surpreendendo Gaby. Ela arregalou os olhos e abriu um sorriso vitorioso. — Quer mesmo saber?

— Sim! — respondeu, sem hesitar.

Suspirei profundamente antes de começar. — Minha vida era complicada. E veio uma avalanche de problemas, tudo de uma vez só. Fui covarde... e fugi. Fugi porque não sabia como lidar com eles.

— Tá, então vamos pra Washington.  — Gaby disse de repente, batendo palmas animada. Antes que eu pudesse protestar, ela já estava me abraçando com entusiasmo.

Eu não tinha certeza se estava pronta para voltar, mas, de alguma forma, a ideia de levar Gaby comigo tornava a possibilidade um pouco menos assustadora.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora