Capítulo trezentos e quarenta e oito.

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Second season:three hundred and forty-eigth
Senti sua falta, Bárbara ★

Dei um gole de vinho seco, sentindo a acidez descer pela garganta enquanto resmungava em silêncio. Talvez Bianca tivesse razão. Respirando fundo, tomei uma decisão repentina e me aproximei de Bárbara, segurando seu pulso com firmeza, mas sem agressividade.

— Você bebeu? — Seus olhos me analisaram, frios como sempre, enquanto ela cruzava os braços.

— Não o suficiente. E você?

— Não o suficiente.

— Vem cá. — Eu dei de ombros, puxando-a para um lugar mais afastado, onde a música soava distante e as luzes piscavam fracamente.

Ela encostou na parede, defensiva, o pingente prateado da Glock ainda pendurado em seu pescoço. O mesmo pingente que eu tinha dado para ela. Ela ainda usava, mesmo depois de ter sumido por um mês. Aquilo mexeu comigo, mais do que eu queria admitir.

— O que você quer? — Bárbara perguntou, sem interesse aparente, seu tom carregado de irritação.

Passei as mãos no rosto, sentindo o peso das palavras que eu precisava dizer, mas sem saber como começar.

— Quero conversar com você. Saber por que você sumiu desse jeito. — Minha voz saiu mais cansada do que eu pretendia, mas ela não cedeu, desviando o olhar como se eu não estivesse ali.

— E por que você se importa agora? — Ela rebateu com frieza.

— Sério, Bárbara? — Eu quase me arrependi de ter começado, mas algo em mim não deixava essa conversa morrer.

— Eu tive meus motivos. Eu precisava de um tempo.

— Tempo? — Ironizei, o sangue fervendo. — Então sumir sem avisar ninguém é a sua solução? Fugir dos problemas?

Ela me olhou com raiva, ou talvez magoada...

— Fugir dos problemas? Você? Logo você falando isso?! — Ela retrucou, a voz carregada de ressentimento.

— Eu não desapareço por um mês sem dar sinal de vida, como se ninguém se importasse. Seus amigos, Bárbara, você se esqueceu deles? De mim? — Meu tom subiu antes que eu pudesse controlar.

— Eu nunca pedi que se preocupasse comigo. — Ela retrucou, agora claramente defensiva. — E eu não estou agindo como se nada tivesse acontecido. Eu só... não tenho nada a dizer, nem pra você, nem pra ninguém.

— Nada a dizer? Você acha que isso é o suficiente agora? Você sumiu, me deixou sem saber o que fazer, e quando aparece, age como se eu fosse o errado da história. — O calor da frustração tomou conta de mim. —você acha que eu não senti sua falta?

— Eu queria que você tentasse pelo menos me entender!

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, as palavras pairando entre nós.

— Senti sua falta, Bárbara. — A confissão escapou antes que eu pudesse segurar, mais suave dessa vez. — Só que... você não deu chance de nada. Como você queria que eu te entendesse?

— Sentiu falta?E por que ficou me alfinetando então? — Ela tinha uma mistura de sarcasmo com decepção.

— Achei que você não se importasse com críticas.

Ela finalmente me encarou de novo, seus olhos misturando raiva e algo mais, algo que eu não conseguia decifrar.

— Eu me importo com o que você pensa, porra! — Ela explodiu, gesticulando com as mãos e batendo o pé. — Eu me importo com você, e você não faz ideia de como é difícil admitir isso. — Seu tom caiu, e algo na sua voz me atingiu de um jeito diferente. Não era fácil pra ela admitir esse tipo de coisa. Ainda mais pra mim. — Parece que é você que não liga.

— Acha que se eu não me importasse eu não ia te pedir desculpas todas ás vezes?Acha que estaria aqui?

— Está falando isso pra que?Pra depois você jogar na minha cara que você sabe pedir desculpas e que eu sou a insensível que te machuca?Você adora falar dos meus erros pra alimentar seu ego!Eu acabo sempre sozinha.

— Você está sempre sozinha porque você quer. Sabe quantas vezes eu fui te ajudar?

— Agora você já ta me criticando de novo?! - Babi debochou.

— Tá, eu sempre falo do seus erros. Eu tô sempre te magoando. Mas não joga tudo isso pra cima de mim, eu não sou o único. — Falei e ela revirou os olhos.

— Quando foi que eu te magoei?

— Você quer que eu comece a lista? —  Zombei e ela me olhou com raiva.

— Desde de ontem você ficou o tempo todo me criticando e fazendo questão de dizer que eu não sou importante, agora você quer falar isso?!Que eu te magoo?

— Para de ser orgulhosa de não admitir que tá errada. Nós dois se machucamos, então se for pra falar que alguém errou, é os dois. Na mesma proporção.

— Na mesma proporção?Eu nunca falei dos seus problemas mesmo quando eu tava com raiva, enquanto você Na primeira oportunidade falava da minhas crises de raiva como se eu quisesse e controlasse isso.

— Babi, eu falei isso porque eu tava chateado não porque eu deixei de ser apaixonado por você!

Ela congelou, seus olhos arregalados, mas logo desviou o olhar para o chão. Eu dei um passo à frente, erguendo seu queixo suavemente para que ela me encarasse de novo.

— Não age como se você não soubesse disso. — Minha voz era quase um sussurro. — Você estava sóbria quando eu disse isso antes.

— E o que você queria que eu dissesse? — Sua voz também estava baixa, cheia de uma vulnerabilidade que eu não costumava ver nela. Ela se aproximou, nossos rostos a centímetros de distância, seus olhos perfurando os meus.

— Eu esperava qualquer coisa, menos que você sumisse. — Admiti, fitando seus lábios enquanto sentia meu coração bater descompassado.

Ela fechou os olhos por um segundo, como se estivesse tentando conter uma avalanche de sentimentos.

— Tá apaixonado por mim? Pelo menos estamos quites. — Ela murmurou, antes de se afastar abruptamente e sair, deixando-me parado, em choque.

Ela havia acabado de admitir que estava apaixonada por mim. E agora, o que eu faria com isso?

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora