Capítulo duzentos e nove.

802 65 19
                                        

Second season:two hundred and nine
Acho que falei demais... ★

Babi não respondeu de imediato. Seus olhos estavam fixos no chão, a expressão rígida, quase fria. Eu a observava atentamente, tentando entender o que se passava em sua mente. Era evidente que minhas palavras a atingiram de alguma forma, despertando algo que ela preferia manter enterrado. No entanto, ela se mantinha fechada, como se evitar o assunto fosse a única forma de se proteger.

— Não rolou nada, — murmurou por fim, mas seu tom era defensivo, como se dissesse aquilo mais para si mesma do que para mim. Soltei um suspiro, não muito convencida.

— Sei... — murmurei em desdém. — Sinceramente, não acredito nisso. O Victor falou de você por dois anos seguidos. E olha que eu só não digo três porque não estive por perto no último ano. Mas, se fosse para apostar, diria que ele não superou o quanto você... o irrita. — Fiz aspas com as mãos, provocando-a. Seus olhos se estreitaram por um segundo, e ela pressionou os lábios, como se estivesse prestes a responder, mas se conteve.

Fiquei em silêncio por alguns instantes, e então decidi jogar uma última carta, talvez arriscada, mas que ela precisava ouvir.

— Sabe... uma vez meu irmão disse que você era a mulher mais linda que ele já conheceu. — Confessei, minhas palavras saindo mais suaves do que eu pretendia. Percebi o impacto imediato. — Acho que falei demais...

— Tudo bem, — respondeu ela, o tom distante, como se estivesse processando.

Havia um desconforto no ar agora, algo não resolvido que pairava entre nós. Aquele tipo de tensão que nem precisava ser dita em voz alta para ser percebida.

— Não conta pra ele que eu te disse isso, tá? — Acrescentei, gesticulando com as mãos em um pedido meio desesperado. — Ele vai me matar.

Babi riu de leve, sacudindo a cabeça, e eu pisquei pra ela, tentando aliviar o clima.

Enquanto isso, meus pensamentos divagavam. Eu sabia que não poderia esconder a verdade de Victor por muito mais tempo. Se eu contasse tudo, ele faria qualquer coisa para me tirar da situação em que me encontrava. Mas como poderia simplesmente deixar a Tainá e o Gu para trás? Eles contavam comigo, e eu... bem, estava presa nesse jogo. Um jogo perigoso. O que eu faria com a máfia? Como lidar com a Madelaine? E minha mãe... meu coração doía só de pensar na minha família. Será que algum dia poderia voltar?

Minha mente foi arrancada dessas reflexões quando ouvi passos. Victor se aproximava, seu cabelo molhado escorrendo pelas têmporas.

— Victor Augusto! — reclamei, com uma expressão teatral de desgosto. Ele revirou os olhos, impaciente.

— O que foi agora?

— Seu cabelo está encharcado! E... horrível! — Exclamei, apontando para as gotas que escorriam pelo pescoço dele.

— Tá vendo? É por isso que eu só uso gorro, — disse ele, jogando as mãos para o alto em falsa exasperação. Ele olhou para Babi, esperando algum apoio, mas encontrou apenas um olhar de desdém.

— Seca o cabelo, Victor. — A voz de Babi saiu firme, porém sem paciência. — Tá pingando no chão.

Ele bufou, passando as mãos pelo rosto molhado.

— Ah, pronto. Agora tenho duas reclamando de mim, — resmungou, enquanto eu e Babi trocávamos olhares entediados. — Eu vou secar! — acrescentou, quase em tom de defesa, como se esperasse que discutíssemos mais.

Babi murmurou algo inaudível, e eu bocejei, sentindo o cansaço finalmente me vencer. Olhei para o relógio e percebi que o tempo tinha passado rápido demais. Meus olhos começaram a pesar, mas havia algo que eu queria dizer antes de ir dormir. Algo que surgiu repentinamente na minha mente, talvez por pura exaustão, ou talvez por diversão.

Levantei da cadeira, segurando o corrimão da escada para me equilibrar enquanto me preparava para subir.

— Ah, antes que eu me esqueça, vocês se importam de dormir juntos hoje? — Soltei a pergunta casualmente, tentando conter um sorriso travesso. — Eu durmo no quarto lá em cima, e vocês ficam com o aqui embaixo. — Completei rapidamente, sem dar tempo para protestos. — Obrigada!

Sem esperar uma resposta, subi as escadas, deixando-os atônitos atrás de mim. Sorri ao me deitar na cama, imaginando o que minha sugestão causaria.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora