Capítulo trezentos e dois.

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Second season:three hundred and two
Quando vocês falaram, adiantou alguma coisa? ★
{Tacoma, Washington}
<Bianca Santiago narrando>

A festa estava começando a ganhar ritmo, mas, para mim, tudo parecia distante. Eu e o esquadrão tínhamos chegado há poucos minutos, e o ambiente já estava cheio de vida. Carolina estava praticamente grudada no Gabriel, como dois adolescentes inseparáveis. Milena, por outro lado, segurava uma vela ao lado deles, bebendo algo que eu não consegui identificar, desviando o olhar vez ou outra, claramente desconfortável. Senti um aperto no peito por ela. Babi e GS estavam em outro canto da festa, envolvidos em uma conversa particular. Já Mob e Victor pareciam discutir sobre algo enquanto se dirigiam ao bar. Decidi correr para alcançá-los.

— Do que estão falando? — Perguntei, me enfiando entre os dois.

— Nada. — Victor respondeu de imediato, mas Mob estava prestes a protestar quando Victor o interrompeu. — Mob só está me irritando.

— Mentira! O Victor é que não aceita a verdade. — Mob se defendeu com um sorriso malicioso.

— Tá bom. E vocês vão beber o quê? — Perguntei, já me posicionando em frente ao bar.

— Suco. — Mob respondeu, se sentando de maneira relaxada.

— A bebida mais forte que tiver. — Victor murmurou, com uma expressão cansada.

— Se eu fosse você, não me embebedava tanto. Lembra o que aconteceu da última vez? — Mob aconselhou com um tom preocupado, e Victor franziu o cenho, claramente confuso.

— Não, não lembro.

— Exatamente. — Mob disse, e eu ri alto.

— Boa, Mob. — Brinquei, tocando as mãos dele.

— Tá tudo bem, é só álcool. — Victor garantiu, pedindo um conhaque. — Foi uma semana estressante. Preciso me distrair um pouco.

— O álcool faz você falar demais. — Mob comentou, pensativo e, talvez, um pouco arrependido por experiências passadas.

— Nesse caso, vira a garrafa, Victor! — Zombei, aproveitando o momento.

— Ah, é! Tá precisando falar demais mesmo. — Mob provocou, enchendo o copo de Victor.

— Vocês são muito engraçados. — Victor falou com sarcasmo reprimido. — Mas do que adianta falar demais? Quando vocês falaram, adiantou alguma coisa?

Victor disse com uma dureza que me fez ficar quieta, assim como Mob. Ele estava certo. Às vezes, as palavras não resolvem nada, só trazem mais dor de cabeça no dia seguinte. Eu olhei ao redor, tentando fugir daquele clima, e foi aí que meus olhos encontraram Arthur.

Ele estava a poucos metros, conversando alegremente com uma mulher de cabelos castanhos e ondulados. Melina LeBlanc, claro. Uma parte de mim sentiu um nó se formar no estômago. Eu baixei a cabeça, tentando não deixar meus sentimentos transparecerem, mas era difícil. A verdade é que... eu ainda gostava do Arthur. Só que, da última vez que conversamos sobre nós, eu fui rápida demais. Disse que as coisas estavam indo rápido, que eu precisava de tempo, e dei um fora nele antes que algo mais profundo pudesse acontecer.

Agora, eu me arrependia. Me arrepender parecia uma constante nos últimos tempos.

Voltei à realidade quando Mob interrompeu meus pensamentos.

— Mudando de assunto, vocês viram a nova fofoca? — Ele perguntou, fazendo eu e Victor voltarmos nossa atenção para ele. — Nossa, bando de fofoqueiros.

— Fala logo, Mob. — Revirei os olhos, tentando parecer interessada.

— Vocês sabem da Tainá, né? — Ele começou, cheio de animação, mas eu só franzi as sobrancelhas, tentando entender onde ele queria chegar. — Gente, a Tainá Costa, todo mundo conhece ela!

— Ata... — Eu e Victor dissemos em uníssono, sem muito entusiasmo.

— Fontes confiáveis dizem que ela estava beijando uma mulher. — Mob continuou, claramente satisfeito com a novidade. — Não tem muitos detalhes, mas tá todo mundo falando disso.

— Eu ainda tinha esperança... — Victor brincou, fazendo um drama exagerado.

— Victor, nem na outra vida você pegaria a Tainá. — Ironizei, balançando a cabeça. — Você sabe quem ela é, né?

Eles continuaram a conversa, mas eu já estava longe de novo. Meus olhos voltaram para Arthur, que agora ria de algo que Melina disse. Eu não podia evitar a pontada de ciúmes que subia pelo meu peito, mesmo sabendo que eu mesma tinha criado essa distância entre nós.

Lembro perfeitamente daquele momento em que dei o fora nele. Eu estava nervosa, com medo de onde aquilo poderia nos levar. Tudo estava indo rápido demais para o meu gosto, e, por mais que eu gostasse dele, fui tomada pelo pânico. Arthur foi compreensivo, como sempre, mas eu vi a decepção nos olhos dele. Desde então, a nossa relação nunca mais foi a mesma.

Agora, vendo-o seguir em frente, conversando com Melina, uma parte de mim se corroía por dentro. Eu tinha medo de me abrir, medo de me machucar, e, no processo, acabei magoando a única pessoa que realmente tinha me feito sentir algo diferente.

Arthur sempre foi gentil, respeitoso, e, acima de tudo, paciente. Talvez paciente demais, porque eu sempre fui péssima em expressar meus sentimentos. E agora, vendo-o ali, flertando com outra pessoa, percebi que talvez eu tivesse perdido minha chance.

Eu gostava dele. Gostava muito mais do que estava disposta a admitir para qualquer um, inclusive para mim mesma. Só que agora ele estava se distanciando, e eu... eu só conseguia me arrepender. Como eu queria poder voltar atrás, dizer a ele que estava pronta, que o meu medo não era dele, mas de mim mesma. Talvez ainda houvesse tempo. Talvez não.

Mob e Victor continuaram conversando, mas eu já não prestava mais atenção. Meus olhos estavam fixos em Arthur, enquanto um turbilhão de pensamentos passava pela minha mente. Eu queria consertar as coisas. Só não sabia como.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora