Capítulo trezentos e sessenta e nove.

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Second season:three hundred and sixty-nine
Seja mais Larissa Jones e menos Lara Cooper ★
{Tacoma, Washington}
<Lara Cooper narrando>

Os últimos dias passaram como um borrão e logo já era quarta feira. Deitada no sofá, cabeça pendurada para baixo e uma tigela de cookies no colo, eu parecia uma adolescente de treze anos novamente. A TV passava alguma comédia tosca, e eu ria sem realmente prestar atenção. Era uma das poucas vezes em que minha cabeça parecia... leve.

Mas, claro, a paz nunca dura. O zumbido reconfortante do aquecedor cessou de repente, e quase imediatamente o frio do inverno de Tacoma invadiu o ambiente. Resmunguei alto, me ajeitando no sofá, enquanto o ar gelado me fazia estremecer.

— Você sabe quantos graus estão lá fora? — gritei em protesto para a pessoa que insistia em se comportar como se fôssemos de mundos opostos.

— O aquecedor está ligado o dia todo, Lara. — Victor respondeu do outro cômodo, com aquela calma calculada que me dava nos nervos.

— Está frio! — enfatizei, arrastando as palavras como uma criança contrariada.

— E eu pago a energia! — retrucou no mesmo tom, cruzando o corredor para me encarar. Ele revirou os olhos teatralmente, imitando minha expressão.

Bufei, vencida, e fui pegar um moletom.

— Tô saindo.

Aquelas palavras me pegaram de surpresa. Desviei o olhar, tentando esconder a frustração. Era estranho como agora, depois de tudo, eu queria ter mais tempo com ele. Antes, quando éramos mais próximos, as brigas pareciam preencher qualquer lacuna entre nós. Agora, o silêncio deixava algo faltando.

— Já? — tentei soar casual, mas a hesitação na minha voz denunciou meu descontentamento.

Victor olhou para mim, e por um segundo achei que ele fosse sorrir, mas ele apenas deu de ombros.

— Tem cookies esfriando na cozinha. Fiz pra você parar de reclamar.

Sorri, apesar de mim mesma.

— E não deu certo. — provoquei, enquanto ele revirava os olhos. — Pera aí! Quando você volta?

— Duas semanas. Dia dezesseis, acho.

Mordi o lábio, incomodada com a ideia de ele estar longe por tanto tempo.

— Não morre, tá? — brinquei, tentando esconder a seriedade por trás das palavras.

Victor parou, me encarando com uma intensidade que parecia ler tudo o que eu não disse.

— Isso só vai depender dos seus amiguinhos.

O peso naquelas palavras me atingiu como um soco. Eu sabia exatamente do que ele estava falando.

— Agora é sério, Lara. Vê se não deixa o aquecedor ligado o dia todo.

— Meh. — respondi com desdém, mas antes que ele saísse, senti sua mão em meu ombro, puxando-me para um abraço inesperado.

Hesitei por um segundo, mas cedi, apoiando meu queixo em seu ombro. Não éramos o tipo de irmãos que demonstravam afeto facilmente, então aquilo significava mais do que qualquer palavra que ele pudesse dizer.

— Vê se não faz nenhuma besteira. Seja mais Larissa Jones e menos Lara Cooper.

A menção ao meu nome verdadeiro me fez rir, mas havia algo na voz dele... um medo que ele tentava esconder.

— Não prometo. — respondi com uma leveza que não sentia.

Quando Victor finalmente saiu, deixando a casa mais fria e silenciosa, senti o peso do momento voltar. Eu o queria longe da confusão que eu mesma havia causado, mas sabia que isso era impossível.

Suspirei, jogando o corpo no sofá antes de pegar meu notebook. Não havia mais tempo para hesitação. Se eu queria colocar um fim na merda que estava acontecendo, precisava ser estratégica, implacável.

E sabia exatamente por onde começar: Gustavo Costa.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora