Capítulo duzentos e vinte e três.

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Second season:three hundred and twenty-three
Apanhei por ser bonito demais ★
{Tacoma, Washington}
<Milena Denvers narrando>

Eu estava lendo calmamente um romance de época, aproveitando o silêncio raro. Carolina estava ocupada na casa do Bak, e os outros amigos estavam longe, o que me deixava sozinha no apartamento. Mob tinha saído para dar uma volta e disse que não demoraria. Pela primeira vez em dias, eu estava relaxada.

Virei a página do livro enquanto cantarolava uma música baixinho, mas meu momento de paz foi interrompido quando a porta se abriu bruscamente. Levantei a cabeça, e ali estava o Mob, entrando com o braço sobre o estômago, andando com dificuldade. Seu rosto estava inchado, o moletom sujo de sangue. Meu coração deu um salto de preocupação, e fechei o livro de imediato, caminhando apressada até ele. Mob se jogou no sofá, soltando um gemido de dor ao sentar.

— Meu Deus, Mob! O que aconteceu? — minha voz saiu mais alta do que eu queria.

— Apanhei por ser bonito demais. — Ele brincou, e eu quis revirar os olhos. A capacidade do Marcos de fazer piada em momentos sérios era... impressionante, pra não dizer irritante. Mas, de algum jeito, mesmo preocupada, quase ri. Engoli a risada e cruzei os braços, franzindo a testa. — Me bateram, Miih! — ele continuou, ainda com aquele humor ácido.

— Ah, jura, Marcos? Se você não falasse, eu nunca teria notado! — Ironizei, soltando um suspiro pesado. — Vou pegar o kit de primeiros socorros. Não se mexe. — Como se ele conseguisse se mexer! Bufei de novo, me sentindo uma idiota por ter dito isso.

Corri até o quarto e peguei o kit, trazendo junto uma garrafa de água. Ao voltar, molhei o algodão com antisséptico e comecei a limpar os cortes no rosto dele. Mob fechou os olhos, claramente contendo os gemidos de dor. Tentei ser o mais delicada possível.

— Agora me conta tudo desde o começo. — Pedi, sem parar de limpar seus ferimentos. Ele ficou em silêncio por alguns segundos, provavelmente juntando forças pra falar.

— Eu tava saindo saltitante, igual à Chapeuzinho Vermelho, aí de repente: “Oh, um beco escuro!”. Me puxaram, três caras me seguraram – filhas da puta – e outro começou a me bater. — Ele explicou com sarcasmo, e eu apenas assenti, tentando ignorar a parte cômica. Já aprendi que o humor do Mob era uma forma de defesa, especialmente em situações sérias como essa.

— Mas o que eles queriam? Dinheiro? — Perguntei, ainda tentando entender o que tinha acontecido.

— Se fosse dinheiro, tava bom. Eles me usaram como mensageiro. "Avisa seu amigo isso, blá blá blá". Alguém avisa que tem SMS, ligação, sei lá, né?

— E o que eles querem que você avise? — perguntei, enquanto pegava um saco de gelo e entregava para ele.

Mob respirou fundo, como se estivesse organizando os pensamentos antes de responder.

— Que se o Victor não sair do caminho, a Thaiga vai ser a próxima. Não sei o que o Victor fez, mas vou fazer ele sentir o gosto metálico de sangue também. — Ele tentou soar sério, mas conhecendo a relação entre ele e o Victor, sabia que nunca teria coragem de realmente machucar o amigo. Eles viviam brigando, mas no fundo, eram inseparáveis.

— E você já contou pra eles? — perguntei, levantando uma sobrancelha.

— Ainda não, e...

— Tem que avisar agora! Quer esperar até recebermos a notícia de que a Thaiga tá no hospital, ou o Victor? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia, mas eu não podia acreditar que ele ainda não tinha contado.

Mob revirou os olhos com meu drama.

— Thaiga sabe umas doze lutas marciais, e o Victor tem quase 1,85 de altura. Além disso, eu não tive tempo ainda, senhorita "esbravejadora". — Ele respondeu, ainda com aquele tom de sarcasmo irritante.

— Um minuto. — Peguei meu celular e comecei a digitar uma mensagem rapidamente.

Mob colocou a mão no rosto, claramente exasperado.

— Milena, não precisa, você vai causar histeria. É domingo, pelo amor de...

— Mandei. — Avisei, e ele apenas assentiu, sem surpresas.

— E mais uma vez, fui ignorado. — Ele murmurou, balançando a cabeça.

Eu só revirei os olhos, sabendo que, no fundo, ele também estava aliviado que eu tivesse agido.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora