Capítulo trezentos e trinta e três.

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Second season:three hundred and thirty-three
É Miami bitch ★
1 mês depois, 27 de novembro
{Miami, Flórida}
<Bárbara Sevilla narrando>

Eu estava afundada no sofá, assistindo a um filme qualquer na Netflix. O céu já estava escuro, e a luz da televisão era a única iluminação na sala. Foi então que Gaby entrou em casa, batendo a porta e resmungando alto, tirando toda a minha concentração.

Ela começou a tirar as camadas de roupas com rapidez. Primeiro, as três blusas, que pendurou de qualquer jeito na cadeira. Depois, as botas. Quando finalmente ficou apenas de moletom e uma calça verde, com suas meias brancas, ela soltou um suspiro exagerado.

— Tá cinco graus lá fora! — reclamou, irritada.

— Eu sei — respondi, sem desviar os olhos da tela.

— A gente tá em Miami Beach, por que tá tão frio? Cadê o clima praiano? Os quarenta graus e a marquinha de sol?

— É inverno — comentei, sem dar muita atenção.

— Inverno? É Miami, bitch! — Gaby respondeu, fazendo trocadilho com as pronúncias parecidas de bitch e beach. Isso é tão a cara dela.

Gabrielly Scott. A Gaby pode ter nascido no Brasil, mas parece que foi feita para viver nos Estados Unidos. Ela é dramática, aventureira, persistente... e curiosa demais. Sem mencionar o quão melosa e maluca ela pode ser. Morena, com um rosto perfeitamente moldado e nariz arrebitado de boneca. Seus lábios são finos, mas grandes, e o corpo dela atrai olhares onde quer que vá.

Já faz um mês desde que descobri que a mãe do Bak é minha mãe também. Depois de ouvir a declaração bêbada do Victor, eu surtei e vim direto para minha cidade natal. Pedi férias no FBI e, sem avisar ninguém, vim pra cá. Agora, começo a me questionar o quão imatura eu fui. Uma adulta de 27 anos, fugindo dos problemas como uma adolescente.

Meu pai tem uma casa aqui na Flórida, e eu estava me abrigando nela. Não percebi o tempo passar... Já faz um mês. Minhas férias no FBI estavam acabando, e eu sabia que, eventualmente, teria que voltar para Tacoma e encarar tudo de frente.

Nesse tempo, passei o Dia de Ação de Graças com meu pai, algo que eu sempre evitava. Eu o amo profundamente, mas sempre tive medo de decepcioná-lo. No entanto, ele sempre foi o melhor pai que eu poderia ter, assumindo todas as responsabilidades depois que minha mãe foi embora, e fazendo de tudo por mim.

Além disso, foi nesse período que conheci Gaby. Nos encontramos por acaso, logo que cheguei à Flórida. Ela decidiu, na mesma hora, que devíamos ser amigas, e eu, mesmo hesitante no início, acabei cedendo. Eu nunca fui boa em socializar, mas ela praticamente falava, falava... e eu só escutava.

Eu percebo que estar aqui tem me feito bem. Faz um mês que não tenho nenhuma crise de raiva, e meu armário não é mais só de roupas pretas, graças à Gaby. Ela me enxerga de uma forma diferente, como se eu fosse outra pessoa.

— Por que você saiu? — perguntei, curiosa, olhando as sacolas nas mãos dela.

— O seu armário estava muito parado.

— Defina "parado".

— Sem cor, sem vida, sem cultura! Eu comprei um vestido branco de lã pra você. — Ela sorriu, e eu estiquei a mão para pegar a sacola, mas ela bateu na minha mão, rindo. — Nada disso! É presente de Natal!

— Mas você já me disse o que é! — argumentei, mas ela apenas deu de ombros, como se não fosse nada demais.

— Eu te disse que não sabia se vou estar aqui no Natal...

— Ah, claro! E vai fazer o quê? Voltar pra Washington um mês depois? "Oi, amigos, foi só um surto, estou de volta" — ela ironizou, e se eu não gostasse tanto dela, teria dado um soco.

— Não foi bem assim!

— Então me conta como foi! — Gaby se animou, sentando no chão de carpete, bem em frente à lareira.

Eu nunca contei nada sobre minha vida em Washington para a Gaby. Ela só sabe que eu vim para cá sem avisar ninguém. Mas, como sempre, ela estava morrendo de curiosidade. Revirei os olhos, ajeitando a blusa branca do meu pijama.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora