Capítulo duzentos e seis.

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Second season:two hundred and six
Você não entende o tamanho do problema que isso aqui representa ★
{Washington D.C}
<Lara Cooper narrando>

Durante a discussão com meu irmão, senti um nó se formando na minha garganta. As memórias ruins do último ano inundaram minha mente - o motivo pelo qual eu desapareci sem me despedir. Mas o pior era saber que eu não podia contar a verdade. Isso só aumentava a dor, porque Victor ia continuar bravo comigo, e eu não podia explicar. O silêncio desconfortável que se seguiu à discussão pairou no ar. Olhei para Babi, que nos encarava como se fôssemos completos idiotas. E a verdade é que, naquele momento, parecíamos duas crianças birrentas.

- Você vai pra Seattle - Victor declarou com tom autoritário, o que me fez lançar um olhar sarcástico.

- Ah é? Vou? - retruquei, cruzando os braços.

- Vai sim. Você já morou lá, sabe o que fazer. Ainda temos pendências. - Ele deu de ombros, sem espaço para debate. Revirei os olhos, sabendo que ele não estava brincando.

- E se me virem lá?

- Você é grandinha o suficiente pra se virar, não é? - Ele respondeu com frieza.

Suspirei profundamente. - Tá, tá... Vejo vocês em Seattle então.

Enquanto eles saíam no carro, resolvi que iria mesmo para Seattle. Não queria perder a chance de passar mais tempo com Victor, mesmo que por pouco. Além disso, havia questões que precisávamos resolver.

Olhei para a bagunça ao meu redor e bati a mão na testa. Era quase uma da manhã e eu estava ali, em uma cena de crime, cercada por balas espalhadas. Precisava sair dali antes que atraísse mais problemas. Foi quando ouvi uma voz familiar que me tirou do transe.

- Lara! - A voz ressoou pelo ambiente. Virei-me rapidamente, confusa.

- Tainá?! - Franzi o cenho enquanto ela me envolvia num abraço apertado.

- Claro que eu vim atrás de você! - Tainá respondeu, sem me soltar.

Retribuí o abraço, surpresa. - Você tá bem? Eu ouvi os tiros... - Ela me soltou e me examinou de cima a baixo, preocupada.

- Tô... ninguém me acertou... quer dizer, pelo menos não eu - desviei o olhar, incerta, e ela arregalou os olhos ao perceber minha hesitação.

- O que houve? - ela perguntou, já adivinhando a resposta. - Foi aquela tal de Babi?

Assenti levemente, sentindo uma onda de culpa me atingir. - Foi sim.

- Pensei que você não gostasse dela - Tainá comentou, estreitando os olhos, confusa.

- Eu mal conheço ela - murmurei, tentando afastar a conversa de qualquer julgamento. - Mas e você? Como chegou aqui? - perguntei, tentando mudar de assunto, mas preocupada com o fato de ela estar ali em uma cena de crime, sendo uma figura pública cercada de paparazzi.

- Eu sei dirigir, Lara! - ela respondeu, cruzando os braços.

- Mas você não tem carro... - levantei as sobrancelhas, desafiando a lógica.

- Pedi o do Gustavo - respondeu com um tom que tentava parecer casual, mas eu vi a relutância.

- E ele deixou? - soltei uma risada curta, cética.

Ela bufou, claramente ofendida. - Ele não queria deixar no começo, mas eu prometi um favor em troca. - Ela deu de ombros como se fosse algo trivial.

- Não pode ficar aqui, Tai. Se seu pai descobrir que você esteve aqui, ele vai me matar - comecei a andar, já ficando impaciente.

- Ele não sabe de nada - ela respondeu, mas o tom na sua voz indicava que ela sabia que a situação era delicada.

- Isso é ainda pior! Quando ele der pela sua falta e descobrir o que aconteceu aqui, vai cair tudo sobre mim! - Olhei para ela, frustrada. - Onde você estava com a cabeça, hein? Logo você, que dá três passos e vira notícia.

- Eu só estava preocupada com você... - A voz dela era calma, mas carregada de sinceridade. Isso me fez parar de andar e olhar para ela.

- Eu sei me cuidar, Tai. Não precisa se preocupar tanto assim.

Ela ficou em silêncio por um momento, mas sua expressão me dizia tudo. - Por que você tá sendo grossa? - Ela finalmente perguntou, a voz baixa, quase ferida.

Suspirei, cansada de tudo. - Você não entende o tamanho do problema que isso aqui representa. Eu só não quero que você se envolva, tá?

Ela ficou me encarando por um tempo antes de perguntar com uma voz suave - Então, ainda vamos assistir aquele filme juntas hoje?

Eu fechei os olhos por um momento, tentando pensar. - Vai ter que esperar, Tai. Eu vou ter que fazer as malas. Vou pra Washington State, mais especificamente Seattle. - Suspirei, sabendo que a notícia a frustraria.

- Seattle? Agora? - Ela parecia um pouco desnorteada. - E eu vou ter que ficar sozinha?

- Liga pra Maeve. Façam aquelas comprinhas de burguesa que você adora. - Brinquei, tentando aliviar a tensão, mas ela só me lançou um olhar afiado.

- Queria conhecer seu irmão... - ela murmurou, mas eu balancei a cabeça.

- Ah, não ia gostar dele, confia. - Dei-lhe um sorriso torto. - Eu preciso ir. Se cuida, Tai. E sai daqui o mais rápido possível.

Ela suspirou e me abraçou com força. - Manda notícias, tá?

Eu a abracei de volta, sentindo o calor e a preocupação em seus gestos. - Pode deixar, vou te manter informada. - Dei um sorriso de canto, sabendo que ela estava genuinamente preocupada. E isso, no fundo, me deixava com uma sensação estranha no peito.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora