Second season:three hundred
★ Você tá com ciúmes? ★
Sem pensar duas vezes, fui atrás dela, meus passos apressados ecoando enquanto tentava alcançá-la no meio da multidão que ainda se dispersava do desfile.
— Tainá! — gritei, mas ela não parou.
Finalmente, a alcancei quando já estávamos na parte externa do evento. Segurei seu braço e a fiz virar-se para mim. Seu rosto estava marcado pela raiva, mas havia algo mais ali, algo que eu não conseguia decifrar.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
— Por que você está tão brava esses dias? — perguntei, minha voz soando mais suave do que eu esperava.
— Eu não tô brava! — ela explodiu, arrancando o braço da minha mão com força.
— Tainá! — tentei, mas era inútil, estávamos atraindo olhares curiosos demais.
Olhei ao redor, percebendo o quanto éramos o centro das atenções. Sem pensar, puxei-a para um canto mais reservado, longe dos olhares atentos, onde poderíamos ter um pouco de privacidade.
— Por que você está assim? — perguntei de novo, tentando entender.
Ela bufou, cruzando os braços como uma criança emburrada.
— O meu irmão me irrita! — respondeu com um tom que parecia muito mais profundo do que a simples menção de Gustavo.
— Grande coisa! — retruquei, frustrada. — Isso é suficiente pra você surtar desse jeito?
— A história não é com você, Lara. — Tainá rebateu, ríspida, como se tentasse me afastar.
Aquilo me irritou mais do que eu esperava.
— Ah, não é? Caso você não lembre, eu entrei nessa por sua causa! — minha voz saiu mais alta, mais cortante.
Ela congelou, seu rosto endurecendo enquanto as palavras atingiam-na.
— Por minha causa? — sua voz soava mais frágil agora.
— Claro que foi por você, Tainá! — continuei, deixando a raiva e a frustração fluírem. — Você acha que eu larguei tudo em Washington pra ir pra Olympia à toa? Por diversão?!
Tainá ficou em silêncio, seus olhos fugindo dos meus. Ela não fazia ideia de que eu tinha sido forçada, ameaçada pela máfia que conspirava com a família dela. Mas, se não fosse por Tainá, eu já teria fugido. Eu sabia no que estava me metendo, arriscando minha vida por ela. Mas fiz isso... porque ela era mais do que minha melhor amiga.
— Por que você ficaria por minha causa? — Tainá perguntou, mas seu tom de voz estava mais baixo, quase como um sussurro.
Soltei um suspiro profundo, deixando o peso de tudo o que eu sentia transparecer.
— Porque eu amo você, Tainá. Você é minha melhor amiga... e foi a única que nunca me deixou.
Eu disse as palavras com o coração pesado, sentindo a verdade crua nelas. Ela abaixou a cabeça, mexendo distraidamente nos próprios dedos, e por um momento o silêncio entre nós parecia interminável.
— Dá pra você parar com o drama? — Tainá finalmente murmurou, mas sua voz estava trêmula. — Você pode chorar o quanto quiser, mas isso não vai resolver os seus problemas. Deixe suas brigas com o Gu de lado, isso aqui é a sua vida. A sua carreira!
— Ah, claro... — comecei, a irritação voltando a me dominar. — Agora você vai me acusar de defender o Gustavo? Se é isso, então pode ir pra lá e flertar com ele à vontade! — Ela passou por mim com passos firmes, mas eu não deixei que se afastasse.
Franzi o rosto e agarrei seu braço com força, pressionando-a contra a parede vermelho sangue ao lado.
— Larissa! — ela gritou, surpresa com minha ação.
Eu me aproximei, meu rosto a poucos centímetros do dela.
— Você tá com ciúmes? — perguntei, minha voz grave, quase um desafio.
Ela me olhou nos olhos, e, por um instante, todo o fogo que havia em Tainá se apagou. Sua expressão não era mais de raiva, mas de confusão. Havia um silêncio profundo entre nós, e soltei seu braço devagar, deixando que ela tomasse o controle da situação.
Foi então que tudo mudou.
Ela me olhou, profundamente, como se buscasse uma resposta para algo dentro de si. Então, sem aviso, suas mãos se levantaram e seguraram meu rosto com delicadeza. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, Tainá pressionou seus lábios contra os meus.
Meu corpo congelou por um segundo. A ficha demorou a cair. Eu... estava beijando Tainá.
Mas, quando meu cérebro finalmente assimilou o que estava acontecendo, algo dentro de mim explodiu. Levei minhas mãos até sua cintura, puxando-a mais para perto, e correspondi ao beijo. Seus lábios eram macios, quentes, e havia uma doçura ali que eu nunca esperaria de alguém tão feroz quanto Tainá.
O beijo, que começou lento e hesitante, foi se intensificando. Ela abriu a boca, deixando minha língua explorar cada canto, e eu me perdi no calor do momento, como se o mundo ao nosso redor tivesse simplesmente desaparecido.
Quando a falta de ar nos obrigou a nos separar, nossas respirações estavam descompassadas. Ficamos ali, ofegantes, nos olhando, atordoadas pelo que acabara de acontecer.
Tainá deu um passo para trás, soltei sua cintura devagar. O que quer que fosse aquele momento, ambos sabíamos que tinha mudado algo entre nós.
— Desculpa... — ela murmurou, com os olhos arregalados, antes de sair praticamente correndo dali.
Fiquei ali, parada, sem saber o que fazer. Meu coração ainda batia rápido, e meus lábios ainda formigavam do beijo. Mas mais do que isso, minha cabeça estava girando.
Eu tinha acabado de beijar Tainá. E, de alguma forma, eu sabia que nada seria igual a partir de agora.
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case thirty nine:season two
FanficApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
