Second season:three hundred and twenty-five
★ Mas queria falar ★
A ressaca me atingia de novo enquanto me jogava na cama, frustrado. Eu precisava de mais tempo para acordar e entender o que estava acontecendo, mas a dor de cabeça não ajudava. Fechei os olhos, tentando ignorar o pulsar nas minhas têmporas. Tudo o que eu queria era que o mundo parasse por um segundo, mas parecia que, na minha vida, as coisas sempre ficavam mais complicadas.
O som de passos suaves me fez abrir os olhos, e lá estava ela, entrando no meu quarto, parecendo procurar algo. Bárbara, com aquele jeito irritantemente casual, como se o que quer que tivesse acontecido entre nós ontem à noite não fosse grande coisa. Eu a observei por alguns segundos, sem saber ao certo o que dizer.
— O que foi? — Ela perguntou, me encarando com uma leve curiosidade, como se já soubesse que eu tinha algo a dizer, mas estivesse esperando que eu tomasse a iniciativa.
— Nada, eu não falei nada — respondi com um toque de irritação, mesmo que o motivo real fosse o nó que começava a se formar no meu estômago.
— Mas queria falar — ela retrucou, levantando uma sobrancelha de forma desafiadora, como sempre.
Eu dei de ombros, evitando o confronto. Mas, claro, Bárbara nunca deixava passar uma oportunidade de provocar.
— Está assaltando minha casa? — perguntei, tentando soar despreocupado, mas minha voz ainda estava arrastada pelo sono e pelo desconforto.
— Você não tem nada de valor — ela respondeu com um sorriso irônico, fazendo-me rir, mesmo que sem vontade. Eu me sentei na cama, ainda tonto e incomodado.
— Eu não conto como algo de valor? — dramatizei, tentando aliviar a tensão crescente.
— Depende, quanto você vale no mercado negro? — ela respondeu de volta, e eu não pude deixar de sorrir com o sarcasmo.
Ela estava linda, mesmo nesse momento de desconforto. Usava uma roupa da minha irmã, o que me fez lembrar de como ela sempre se encaixava em qualquer lugar, até mesmo na minha vida, mesmo que de maneira desajeitada. O colar com o pingente de glock que eu tinha dado a ela balançava em seu pescoço. Por que ela ainda usava aquilo? Talvez o significado fosse diferente para nós dois. E a noite passada... Deus, eu precisava de respostas.
— Aliás, o que está fazendo aqui? — perguntei, desviando o olhar, como se isso pudesse afastar as memórias da noite anterior.
— Roubando sua casa — respondeu com seu típico deboche, mas não era isso que eu queria ouvir. Não agora.
— É sério, Bárbara.
Ela finalmente deixou o tom brincalhão e suspirou.
— Eu dormi aqui ontem.
— Por quê? — Bocejei, tentando processar a informação. Minha cabeça ainda latejava, mas a mente começava a se movimentar, pegando pedaços soltos da noite anterior.
— A gente transou — ela murmurou com uma expressão completamente séria. Meu coração parou por um segundo. Eu fiquei mudo, tentando juntar as palavras na minha cabeça, até que ela me jogou um travesseiro, interrompendo meu raciocínio. — Brincadeira, Victor! Você estava bêbado demais para isso. Eu te trouxe para casa, e você insistiu para eu dormir aqui.
Eu ri, mais aliviado do que deveria. Mas ainda assim, a lembrança de ter implorado para ela ficar não me fazia sentir bem. O fato de ter me exposto daquele jeito...
— Eu devia estar bêbado para pedir uma coisa dessas — falei, tentando irritá-la como sempre.
Ela revirou os olhos.
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case thirty nine:season two
FanfictionApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
