Capítulo trezentos e quarenta e nove.

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Second season:three hundred and forty-nine
Foi um beijo ★

Babi e Victor tinham desaparecido da festa. Apesar de torcer para que estivessem finalmente resolvendo suas questões, conhecendo os dois como conheço, minha esperança era bem limitada. Eles têm uma capacidade única de transformar qualquer conversa em um campo de batalha emocional.

Decidi me aproximar da tal Gaby, amiga da Babi, para não deixá-la sozinha. Ela era simpática, cheia de energia e dava pra sentir que seria fácil me dar bem com ela.

— Então, você é brasileira? — perguntei, vendo-a assentir com um sorriso.

— Sim, sou. — respondeu com um brilho nos olhos. — E você, trabalha com o quê?

— Achei que já soubesse — brinquei. — Sou do FBI.

Os olhos de Gaby se arregalaram, o queixo quase caindo.

— Você trabalha no FBI?! — disse, boquiaberta.

— Sim, é isso mesmo. — Falei dando de ombros, achando graça da reação.

— Mas você parece tão... tranquila! — Ela inclinou a cabeça, me estudando, o que me fez rir.

— É, acho que as aparências enganam. — brinquei.

— Como é trabalhar pro governo? — ela continuou, curiosa.

— Diferente — respondi com um sorriso vago.

— Deve ser cheio de adrenalina. — Gaby comentou, e eu assenti, sem dar muitos detalhes.

— Então, é por isso que vocês moram nessa mansão? — Ela brincou, me fazendo rir.

— Não, os ricos são o Bak e o Crusher, e eles nem são do FBI, são da polícia civil. — Respondi, e meu olhar automaticamente encontrou Crusher e Bak conversando e rindo do outro lado da sala.

Fazia uma semana que Crusher havia começado a namorar Melina. Foi rápido demais, tão rápido que mal tive tempo de processar. Não que a gente tivesse algo sério, mas aquele único beijo entre nós tinha deixado uma marca em mim. Algo que eu não sabia que estava lá, até vê-lo seguir em frente.

"Superar o quê?", perguntei a mim mesma. Não era como se tivéssemos um relacionamento. Foi só um beijo. Mas, ainda assim, ele não saía da minha cabeça.

Gaby seguiu meu olhar e percebeu para onde eu estava olhando. Quando seus olhos voltaram para mim, eu senti meu rosto esquentar.

— Algum deles é seu ficante? — ela perguntou com um sorriso travesso.

— O quê? Não! Claro que não! — respondi rápido demais, talvez com um pouco mais de urgência do que o necessário. Ela riu, balançando a cabeça.

— Você estava sorrindo, olhando pra eles. — ela observou, e eu escondi o rosto nas mãos, sentindo meu rosto corar ainda mais.

— Eu estava?

— Então, qual deles?

— Ele namora — expliquei, tentando controlar o tom de voz. — A namorada dele é linda.

Gaby estreitou os olhos, claramente não convencida.

— Mas vocês já ficaram?

— Foi só um beijo — admiti, constrangida.

Claro, só um beijo. Mas aquele beijo foi o suficiente para me deixar perdida. Eu disse que tinha sido rápido demais, que não estava pronta. A verdade é que estava apavorada. Meu último relacionamento me deixou com cicatrizes profundas, e a ideia de me envolver de novo me aterrorizava. Eu sabia que Arthur não era como meu ex. Ele era doce, respeitoso, e jamais faria as mesmas coisas que meu ex fez. Mas, de alguma forma, eu deixei meu medo controlar minhas decisões.

Eu o afastei porque estava com medo de me machucar, e, no processo, fui eu quem acabou machucando ele.

Perdi mais do que um possível relacionamento. Perdi sua amizade, sua confiança. E percebi agora o quanto fui hipócrita. Enquanto ele seguiu em frente, eu fiquei presa no meu medo.

Eu precisava falar com ele. Me desculpar. Só me faltava coragem.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora