Capítulo duzentos e noventa e nove.

602 46 12
                                        

Second season:two hundred and ninety-nine
Ei, você tem a mim agora ★
{Tacoma, Washington}
<Lara Cooper narrando>

O desfile havia terminado há alguns minutos. Eu e Gustavo estávamos sentados em uma mesa próxima à passarela, conversando casualmente. O clima de glamour ainda pairava no ar, com modelos se retirando para os bastidores, todas lindas... mas nenhuma como a Tainá. Ela era, sem dúvida, a mais bela de todas, e eu a observava com fascínio enquanto ela ainda posava para algumas fotos.

Peguei minha taça de champanhe e dei um gole, meu olhar vagando entre as luzes suaves e a movimentação ao redor.

- Então, o que você gostava de fazer em Tacoma? - Gustavo perguntou, petiscando algo de uma bandeja próxima.

- Ah, trabalhar no FBI, irritar meu irmão... dançar de vez em quando.

Ele arqueou uma sobrancelha, curioso.

- Você dança? - sorriu, e havia algo no jeito que ele falou que me fez rir.

- Nada profissional - balancei a cabeça, levemente constrangida. - Só por diversão.

- Talvez um dia você possa me mostrar - ele sugeriu, e eu pude notar o tom malicioso em sua voz.

- Claro... como se você fosse mesmo apreciar pela dança em si - brinquei.

- Ei, você que pensou besteira. - Ele riu, mas os olhos não negavam a provocação.

- Gustavo... - revirei os olhos, divertindo-me com o jogo entre nós.

- Mas sério, o que você costuma dançar?

- Gosto de hip hop - admiti, e ele sorriu ainda mais, quase admirado.

- Interessante.

Nós dois nos entreolhamos, um momento de silêncio confortável. Mexi minha bebida com o canudo, tomando mais um gole, enquanto ainda o observava de soslaio. Gustavo, quando não está envolvido com os negócios obscuros de sua família, é genuinamente encantador. Engraçado, extrovertido, com um jeito carinhoso que me fazia sorrir boba. E os cachinhos dele... sempre tive uma queda por aqueles cabelos bagunçados.

- E quanto aos seus amigos? - ele perguntou, parecendo mais sério desta vez.

Dei de ombros, voltando à realidade.

- Nunca tive muitos... Tinha fama de ser violenta, e as pessoas meio que se afastavam. Não que tenha mudado muita coisa. - Minha voz saiu mais amarga do que eu esperava.

Gustavo estendeu a mão e segurou a minha por cima da mesa.

- Ei, você tem a mim agora - disse suavemente, acariciando meus dedos. - Somos amigos, certo?

Sorri, aquecida por suas palavras. Antes que eu pudesse responder, Tainá apareceu ao nosso lado, ainda radiante após o desfile, mas já trocando para roupas mais confortáveis - uma camiseta oversized e uma calça com a estampa da Dior. Ela se jogou na cadeira ao meu lado, sem muito entusiasmo.

- E aí, como foi a experiência? - perguntei, tentando animá-la.

- Foi boa. - A resposta saiu seca. Tainá tomou um gole de champanhe sem sequer nos olhar.

Gustavo franziu a testa, sua expressão mudando de amigável para irritada em segundos.

- Por que você demorou tanto? - Ele disparou com uma certa rispidez na voz.

Tainá estreitou os olhos, como se já soubesse onde aquela conversa iria parar.

- Eu estava tirando fotos, Gustavo. Quer que eu controle o tempo agora também? - Ela rebateu com desdém.

- Eu nunca cobro nada de você! - Gustavo elevou o tom, visivelmente irritado. - Diferente de você, que cobra tudo de mim!

- O que foi que eu cobrei de você agora?! - Tainá praticamente gritou, inclinando-se para a frente.

Eu me encolhi no banco de couro, sentindo a tensão aumentar a cada palavra. Aquilo sempre acontecia. Gustavo e Tainá, que eram inseparáveis quando crianças, agora mal podiam estar no mesmo ambiente sem que surgisse uma briga. A máfia e o caos de suas vidas tinham transformado a relação deles em uma guerra fria constante.

- Você não entende! - Gustavo levantou-se, irritado. - Sempre faz isso, Tainá! Você age como se eu fosse o problema, quando tudo o que eu fiz foi tentar te proteger! Tudo o que eu faço é por você, e você nunca valoriza!

Tainá se levantou também, os olhos faiscando.

- Proteger de quê, Gustavo? Do quê? Você não consegue nem proteger a si mesmo! Está tão preso a essa maldita família e suas obrigações que nem percebe o que está fazendo comigo! Eu não preciso da sua proteção!

Ela estava com a voz trêmula agora, e eu pude ver o quanto aquelas palavras a machucavam. Gustavo, por outro lado, parecia prestes a explodir.

- Eu tentei tudo pra fazer você sentir que eu ainda sou seu irmãozinho!

O coração deles estava naquelas palavras. Era uma briga muito maior do que o desfile, muito maior do que o simples atraso. Era sobre a distância que a vida e a máfia tinham colocado entre os dois, e nem mesmo eles sabiam como lidar com isso.

Eu respirei fundo e, antes que a discussão escalasse ainda mais, tentei intervir. Eu senti que tava atraindo muita atenção e já já os paparrazis iam começar a aparecer.

- Gente! - gritei, fazendo-os pararem por um momento e olharem para mim. - Acalmem-se. Ainda estamos no desfile.

Os dois me olharam, ambos respirando pesadamente, mas o orgulho e a raiva ainda estavam lá. Então, antes que qualquer um pudesse responder, Tainá bufou e virou as costas.

- Quer saber? Que se dane! - Ela jogou as mãos para o alto, empurrando a cadeira com força, e saiu andando rapidamente.

Levantei-me imediatamente, sentindo um aperto no peito. Não podia deixá-la ir assim.

- Tainá! - Chamei, correndo atrás dela, enquanto Gustavo ficava para trás, visivelmente abalado.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora