Second season:two hundred and fifty-four
★ Por que você é tão fechada? ★
{Tacoma, Washington}
<Victor Jones narrando>
Babi entrou no carro relutante, completamente encharcada pela chuva que parecia se intensificar a cada segundo. Fechei as janelas e voltei a dirigir, ligando o aquecedor para ajudar a secar um pouco o ambiente. Ela passou as mãos pelos cabelos molhados e encostou a cabeça na janela, o olhar distante. Metade do caminho seguiu em silêncio, ambos imersos em nossos próprios pensamentos. De repente, Babi quebrou o silêncio, resmungando:
— Desculpa molhar seu carro. — Ela disse de forma relutante, sem olhar pra mim.
— Não tem problema. — Murmurei, porque, sinceramente, com ela ali, o carro era a última coisa que me importava.
Babi se ajeitou no banco e, como se quisesse afastar o silêncio desconfortável, perguntou:
— Por que você saiu pra espairecer?
Soltei um suspiro pesado, ainda sentindo o peso da última ligação de Lara.
— Minha irmã me estressa às vezes. — Respondi, tentando parecer despreocupado, mas sabia que ela estava apenas arranhando a superfície de algo muito mais profundo.
— A Lara está em Washington? Por isso ela te ligou?
— Sim... é uma longa história. — Tentei desviar do assunto, mas parecia que Babi estava determinada a continuar a conversa.
— O que ela disse que te deixou assim? — Ela virou o rosto para mim, seus olhos buscando os meus, esperando uma resposta que eu não queria dar.
A verdade era que Lara estava me alertando sobre meus sentimentos. Ela percebeu o que eu estava tentando negar. Babi era difícil, complicada, mas quanto mais tempo eu passava com ela, mais eu me via envolvido. Mas como eu poderia admitir isso?
— Não importa. — Balancei a cabeça, afastando o pensamento. Ela não precisava saber.
Babi se aconchegou no banco, parecendo satisfeita com a resposta, mas o silêncio entre nós voltou a crescer. A chuva batia no vidro e o som abafado só aumentava a tensão. Sentindo o peso do que Lara havia dito e querendo entender melhor Babi, deixei escapar uma pergunta que estava guardada há tempos.
— Por que você é tão fechada? — Perguntei, meus dedos apertando o volante.
Ela franziu o cenho, surpresa pela minha pergunta repentina.
— O quê?
— Você afasta as pessoas. É fechada para qualquer tipo de relacionamento, esconde o que sente. Por quê? — Continuei, tentando não parecer acusador, mas sabendo que a questão poderia despertar a defensiva dela.
— Eu não escondo meus sentimentos. — Ela respondeu hesitante, mas sua voz estava carregada de uma defesa automática. — De onde você tirou isso agora?
— Eu só queria entender você...
— Por que você quer entender? — Ela rebateu rapidamente, os olhos fixos nos meus. Mas eu não tinha uma resposta clara. O silêncio entre nós se intensificou, mas o olhar dela me desafiava.
— Você afasta as pessoas. — Continuei, finalmente soltando o que estava preso. — Você odeia se sentir vulnerável, e quando sente, machuca os outros antes que eles possam te machucar.
— Eu não machuco ninguém! — Ela interrompeu bruscamente. — Eu nunca pedi nada a ninguém, se as pessoas se magoam, isso é problema delas, não meu!
Soltei uma risada incrédula, sacudindo a cabeça.
— Ah, então agora a culpa é dos outros? Você é tão egocêntrica que não consegue enxergar além de você mesma?
— Eu sou o quê?! — Ela explodiu, a voz afiada como uma lâmina.
— Você tem tanto medo de se machucar que esquece que os outros também têm sentimentos! — Eu retruquei, sem segurar o tom.
— Você não tem o direito de falar sobre a minha vida! — Ela gritou, o rosto corado de raiva. — Você não está na minha pele, não sabe o que eu passei! Eu tenho medo, tá legal? Eu tenho medo de me machucar, e daí?
Suas palavras finalmente saíram como uma confissão, mas sua voz estava carregada de angústia. Ela virou o rosto para a janela, evitando o meu olhar, enquanto sua respiração ficava pesada.
— Acha que é a única com medo de se machucar? — Falei mais calmo agora, percebendo que ela havia se aberto, mesmo que de forma explosiva. — Todo mundo se machuca, Babi. Achar que afastar as pessoas vai te proteger é um erro. Você só acaba magoando os outros... e a si mesma. Isso não vai te fazer bem.
Ela ficou quieta, as palavras pesadas no ar, enquanto eu me concentrava na estrada. Ela não respondeu de imediato, e o silêncio dela só confirmou o quanto aquelas palavras a haviam atingido. Mas eu sentia a mesma dor, de uma forma que ela talvez nunca soubesse.
"Você está me magoando", quis dizer, mas engoli a frase antes que escapasse.
A casa dela já estava próxima, e eu soltei um suspiro profundo, pegando algo do porta-luvas. Segurei o pequeno colar que ela tinha deixado cair semanas atrás, achando que ela o tinha descartado.
— Achei isso — disse, entregando o colar a ela.
Ela me olhou surpresa, seus dedos pegando o colar com cuidado.
— Como você... achou isso? — Perguntou baixinho.
— Você deixou cair no carro, na viagem de volta para Tacoma. — Respondi. — Achei que você tinha jogado fora.
Ela olhou o colar por um momento, como se estivesse se lembrando de algo. Em silêncio, ela o colocou novamente no pescoço. Eu parei o carro em frente à sua casa e desliguei o motor. Ficamos ali, trocando olhares intensos, sem palavras, mas com tantas coisas não ditas.
O olhar dela era indecifrável, e eu senti uma necessidade crescente de quebrar aquela distância. Sem pensar, sem hesitar, segurei sua nuca e a beijei.
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case thirty nine:season two
FanfictionApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
