Capítulo trezentos e vinte e sete.

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Second season:three hundred and twenty-seven
Você está estranha hoje ★
<Lara Cooper narrando>

Ajeitei meus cabelos ruivos, que sempre insistem em se rebelar contra qualquer tentativa de ordem. Coloquei os cotovelos sobre a mesa e apoiei o queixo na palma da mão, observando o ambiente ao meu redor. A casa do Victor, embora simples para algumas pessoas, era grande até. Dois andares, três quartos, piscina e churrasqueira. O que mais me chamava a atenção era a decoração rústica, com muita madeira escura, algo que dava ao lugar um toque acolhedor, mas sem perder aquela aura séria que combinava tanto com ele. Ele realmente se deu bem, não posso negar. É estranho pensar nisso, mas apesar de não ter passado tanto tempo aqui, sinto como se fosse a minha casa.

A verdade é que, antes de ir para Olympia, eu não sabia o que era "lar". Minha vida tinha sido um turbilhão de mudanças e casas temporárias. Quando briguei com minha mãe e saí de casa aos quinze anos, não tinha absolutamente nada. Nada além da minha teimosia e uma vontade desesperada de me virar sozinha. Passei os primeiros meses em albergues, me sentindo perdida, mas determinada. Aos poucos, consegui um emprego em uma lanchonete. E assim começou a minha jornada de migrar por várias casas e apartamentos pequenos. Sempre que o dinheiro acabava, eu mudava de lugar. Era como viver uma aventura constante, mas uma aventura solitária e exaustiva.

— Você está estranha hoje. — A voz de Victor cortou meus pensamentos. Ele me observava com um olhar questionador. Franzi o cenho.

— Tá quietinha demais. Você sempre tem o que dizer e vive arranjando problemas. — Ele disse, com aquele tom familiar de quem está acostumado a lidar com minhas encrencas.

— Não é verdade! Eu sou uma pessoa quietinha. — Protestei, sabendo que ele não compraria essa mentira.

Victor revirou os olhos, exasperado.

— Sabe quantas vezes eu tive que te livrar de problemas por você ser "quietinha"? — Ele fez aspas no ar, ironizando.

Dei de ombros, sem vontade de discutir. Ele não estava errado. Quando saí de casa, eu era uma adolescente rebelde, sem rumo e cheia de raiva do mundo. Me metia nas piores situações, o tipo de coisa que mantinha Victor sempre preocupado. Mesmo assim, ele sempre esteve lá, bancando o irmão mais velho super protetor. Quando ele resolvia as confusões que eu arranjava, eu sentia uma calmaria me invadir. Era como se, de alguma forma, a presença dele conseguisse conter a minha agitação interna. Victor sempre foi meu ponto de paz. Não é o local que me faz sentir em casa. É ele.

Meu celular vibrou, interrompendo meus devaneios. Uma mensagem de Tainá, avisando que já estava em Tacoma. Desliguei o celular, passando as mãos pelo rosto, enquanto uma sensação de preocupação tomava conta de mim. Eu nunca me envolvi seriamente com ninguém. Muito menos com alguém como Tainá. Isso me assustava. Como as pessoas ao redor dela iriam reagir? Como ela iria reagir quando soubesse mais sobre mim e sobre as escolhas que fiz ao longo dos anos? E pior... como todos reagiriam se soubessem sobre a Família Costa?

Comecei a balançar as pernas impacientemente sob a mesa. Precisava encontrar algo para me distrair, um hobby, novos amigos, qualquer coisa que me tirasse desse turbilhão de pensamentos.

— Larissa? — A voz de Victor me chamou de volta à realidade.

Olhei para ele, ainda um pouco perdida nos meus próprios pensamentos.

— Acho que eu vou sair. — Disse, já levantando da mesa, querendo evitar o olhar curioso dele.

— Está mentindo pra mim? — A voz dele soou firme, mas não raivosa. Ele sabia que algo estava errado. Ele sempre soube.

Fechei os olhos por um momento, sentindo um peso enorme nas palavras dele. Balancei a cabeça levemente e parei no meio do caminho. Respirei fundo antes de me virar para encará-lo.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora