Capítulo duzentos e dezessete.

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Second season:two hundred and seventeen
Como a Madelaine quebrou o pulso? ★
<Bárbara Sevilla Narrando>

Me arrumei tão rápido que, quando percebi, já estava saindo, de mau humor e quase sem notar o tempo passar. O que não ajudou em nada foi o fato de ter entrado no carro forçada, sentindo que essa ida era desnecessária. Sentei no banco do motorista, e ao bater a porta sem querer, a irritação só cresceu.

— Vai quebrar o carro! — Victor soltou uma piada, com aquele tom irônico de sempre, me lançando um olhar divertido.

— Se continuar me irritando, eu quebro Não esquece que esse é seu carro. — Retruquei, girando a chave para ligar o motor, tentando ignorar o impulso de revirar os olhos.

— Tá de TPM? — Ele provocou, o que só fez meu sangue ferver.

— Tô sim, e daí?! — Esbravejei, arrancando o carro e saindo com força.

— Só perguntei... — Victor levantou as mãos em rendição, colocando o cinto de segurança em seguida, a típica expressão de "não sei o que fiz" no rosto.

Resmunguei, preferindo focar na estrada. Tinha algo no jeito relaxado dele que sempre me tirava do sério, mas também não podia negar que me fazia pensar em outras coisas, coisas que não estava pronta para lidar. Como o fato de termos dormido abraçados, o que mexeu comigo de uma forma inesperada. Eu, que sempre odiei contato físico... e com ele, foi diferente. Foi confortável.

Depois de alguns minutos de silêncio, Victor suspirou, pensativo.

— O que a gente vai falar pro PH? — Ele perguntou, distraído, olhando pela janela.

— A gente dá um jeito. Sei que quer proteger sua irmã e contar a verdade não é uma opção, a gente omite o que for necessário. — Respondi com convicção, mantendo as mãos firmes no volante.

— De qualquer jeito, vamos levar sermão. — Ele avisou com aquele tom de quem já previa o desastre, e eu apenas dei de ombros.

— Isso é o de menos. O importante é voltar pra Tacoma e agir como se nada tivesse acontecido. Nada disso pode ser dito por enquanto.

— Eu sei. — Ele murmurou, recostando a cabeça na janela, como se o assunto estivesse encerrado. Mas o silêncio que se seguiu me incomodou mais do que eu queria admitir. Eu, que sempre preferi o silêncio, dessa vez me peguei desejando que ele falasse. Ou talvez fosse outra coisa. O pensamento de acordar nos braços dele ainda me perturbava, de uma maneira que eu não conseguia entender.

Mais alguns minutos se passaram até que ele quebrou o silêncio.

— Como a Madelaine quebrou o pulso?

Eu revirei os olhos, irritada só de ouvir o nome dela.

— Não sei e nem me importo. Mas agradeço ao destino por isso. — Respondi, sentindo minhas mãos apertarem o volante com força. Aquela mulher... só de lembrar o rosto dela, eu ficava tensa.

— Por que odeia tanto ela? — Ele me perguntou, curioso, mas eu sabia que vinha provocação por aí.

— Ah, não vem defender ela agora. Quer que eu faça uma lista? Eu tenho mil motivos pra não gostar dela. — Disparei, sabendo que ele ia querer brincar com a situação.

— Não tô defendendo ela, ciumenta. — Ele provocou, soltando uma risada leve. — Mas se ela é suspeita, talvez alguém tenha quebrado o pulso dela de propósito. Não acha curioso?

Ignorei o "ciumenta".  Não era ciúme. Madelaine era simplesmente insuportável, e eu tinha razões claras pra não gostar dela.

— E que diferença isso faz? — Rebati, tentando não deixar a provocação dele me atingir. — A gente encontrou a Lara. O caso tá encerrado, então não é mais problema nosso.

— Se você diz... — Ele respondeu com aquele toque de sarcasmo, o que me irritou ainda mais.

— Por isso que você não tem uma namorada, Victor. — Soltei, sem pensar, mas sem me arrepender.

— Por que esse assunto do nada?Eeu não preciso de uma namorada. — Ele retrucou, cruzando os braços, mas percebi que a leve provocação havia o atingido de alguma forma.

Revirei os olhos, desinteressada.

— Bom, você também vai acabar sozinha. — Ele murmurou, olhando pro chão, claramente incomodado, mas eu desdenhei, como se isso não tivesse qualquer impacto em mim.

— Pra mim tanto faz. Namoro é perda de tempo. — Retruquei com frieza. Já tinha amado uma vez, e sabia bem o quanto isso podia machucar. Victor, claro, não precisava saber disso.

— Nunca se apaixonou, Bárbara? — Ele insistiu, dessa vez com um tom diferente. Um tom que me deixou um pouco desconfortável. Respirei fundo, sem querer entrar nesse assunto. O silêncio que se seguiu pareceu responder por mim.

— Então como sabe que é perda de tempo? — Ele continuou, mas dessa vez eu fiquei em silêncio. Ele não precisava saber o que eu pensava sobre isso, não precisava saber sobre o passado que me atormentava.

— Porque sempre acaba em separação e brigas, não importa o tempo que leve. Além disso, eu não sou o tipo de pessoa que suporta o contato com os outros por muito tempo. — Finalizei, esperando encerrar o assunto.

Victor deu uma risada leve.

— Não gosta de contato físico? Engraçado... porque pareceu que você gostou de ontem à noite. — Ele disse com um toque de deboche, e eu fechei a cara.— Eu não quero uma namorada, Babi. — Ele repetiu, cruzando os braços.

— Aham... — Debochei, sem esconder o sarcasmo. Estava claro que eu havia tocado em um ponto sensível.

— Qual é a sua implicância com a minha vida amorosa, hein? — Ele perguntou, parecendo irritado, mas com aquele sorriso leve que me irritava.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora