Capítulo duzentos e trinta e quatro.

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Second season:two hundred and thirty-four
Achei que estava óbvio ★
{Seattle, Washington}

— Olá, vadia, você e eu temos que bater um papinho.

Lara Cooper. Só o som de sua voz já fazia meu sangue ferver. Contive o gemido de dor quando ela puxou meu cabelo com força, forçando minha cabeça para trás. A dor irradiava pelo meu corpo, mas eu não ia dar a ela o prazer de me ver sofrer. Respirei fundo, tentando manter a compostura.

— Achei que tínhamos um acordo sobre não encostar em mim — debochei, minha voz carregada de sarcasmo.

— Tínhamos, é? — Lara zombou, puxando meu cabelo ainda mais forte antes de me jogar com brutalidade no chão. — Eu quebrei seu pulso há menos de duas semanas. Vai mesmo querer me irritar de novo?

Olhei para meu pulso ainda enfaixado e sorri, amarga.

— Que amor. — Ironizei, enquanto me levantava, lutando para ignorar a dor. — Como conseguiu vir de Olympia para Washington tão rápido?

— Hoje em dia existe avião, Pierce. Você está desatualizada — murmurou, cheia de cinismo, e eu revirei os olhos. Ela me empurrou para o carro, sem nenhuma delicadeza. — Entra logo, temos um longo caminho pela frente.

— Para onde vamos? — perguntei, cheia de ironia, enquanto entrava no banco do passageiro do Porsche vermelho.

— Pro inferno, Pierce.

— Ah, é de la que você veio? — retruquei.

Lara apenas me lançou um olhar mortal antes de acelerar, o carro ganhando velocidade como se ela estivesse correndo contra o tempo.

— Vai devagar, Cooper! — protestei. — Eu não quero morrer assim, não por você.

— Você deveria se preocupar menos com a velocidade e mais com o que está por vir — ela respondeu, o olhar fixo na estrada.

Eu ri, ainda que a dor no pulso me fizesse ver estrelas. Olhei pela janela, a paisagem passando como um borrão enquanto tentava manter a calma. Estava claro que Lara estava à beira de um colapso. O que quer que estivesse acontecendo com ela, era sério.

— Ainda não acredito que me confundiram com você — Lara murmurou, mais para si mesma do que para mim.

— Sério? — balancei a cabeça com desdém. — Pelo menos meu ruivo é natural. Não posso dizer o mesmo de você, falsificada.

Lara bufou, impaciente.

— É a única coisa natural em você, Pierce.

— Desaforada — murmurei, cruzando os braços, olhando para ela. — Então, qual é a de hoje? O que te fez perder o controle dessa vez?

— Foi você o tempo todo! — Lara explodiu, batendo no volante com tanta força que a buzina disparou, ecoando pela rua.

Franzi a testa, confusa.

— O que você está falando?

— Clark. — Ela rangeu os dentes. — Bárbara e Victor interrogaram o Clark assim que chegaram em Seattle. E sabe o que ele disse? "A ruiva estava atrás do endereço de IP". Era você, Madalaine. Você estava atrás de mim o tempo todo!

Eu abaixei a cabeça, mexendo nas minhas mãos, tentando ocultar qualquer emoção.

— Achei que estava óbvio — murmurei, sem conseguir conter um toque de ironia na voz.

— Você estava na minha cola desde antes de eu sumir! — ela gritou, os olhos brilhando com uma mistura de ódio e exaustão. — Você me ferrou quando eu ainda estava investigando o Caso 27!

Soltei uma risada amarga, batendo palmas devagar.

— E você conseguiu me despistar. Parabéns, Lara.

— Por quê? — ela perguntou, sua voz vacilando por um instante. Ela queria entender, mas eu não estava disposta a dar essas respostas.

— Não é da sua conta.

Lara bufou, seu controle começando a escorregar.

— Acompanhou o Caso 39 de perto. Você estava no carro com a Bárbara e o Victor. Estava no galpão quando eles me acharam pela primeira vez. Estava atrás de mim?!

Eu suspirei, cansada daquele joguinho.

— Eu não estava atrás de você, Lara. Sabia onde você estava o tempo todo. — Meu tom era firme, quase frio. — Eu estava interessada no caso, na falha da grande agente do FBI. Você. Só isso.

Lara apertou o volante, seu rosto tenso. Por um momento, achei que ela fosse perder o controle do carro.

— Eu resolvi o Caso 27 — ela confessou, sua voz embargada, os olhos piscando contra as lágrimas que começavam a se formar.

As palavras dela me atingiram como um soco no estômago. O que eu tanto estava perseguindo, o que me consumia... ela já tinha nas mãos. O que eu estava rodando então?

— Você...? — sussurrei, ainda processando.

— Sai do carro — ela ordenou de repente, parando o carro bruscamente na lateral da estrada.

— Lara...

— Sai, Madalaine! — ela gritou, e dessa vez seu tom não permitia discussão.

Saí do carro, batendo a porta com força. Lara acelerou e desapareceu no horizonte em poucos segundos. Fiquei parada ali, sozinha, tentando recuperar o fôlego.

Tudo isso... e eu ainda estava de mãos vazias.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora