Capítulo trezentos e cinquenta e três.

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Second season:three hundred and fifty-three
★  Por que você sumiu ontem? ★
{Tacoma, Washington}
<Gabrielly Scott narrando>

Eu bocejei enquanto pegava uma torrada. Dei um gole do suco de laranja, ainda me acostumando ao ritmo lento da manhã. Ouvi os passos arrastados da Babi entrando na sala, sonolenta e com aquele ar desconfiado de sempre. Ela me olhou de canto, notando que eu a observava. Não conseguia parar de pensar no quanto ela havia sumido na festa de ontem, desaparecendo sem dar satisfação. Tudo indicava que tinha sido com o Victor, mas eu precisava ser cautelosa para arrancar essa confissão.

— Por que você está me olhando assim? — Ela franziu o cenho, um misto de cansaço e irritação.

— Só curiosidade. — Dei de ombros, tentando disfarçar.

— Vamos sair hoje?

— Pra quê? — perguntei  a ela, e sua voz rouca de sono, enquanto eu mastigava a torrada.

— Queria comprar umas roupas — respondeu, casual, mas a expressão dela dizia outra coisa. Eu apertei os olhos, desconfiada. Babi desdenhou, como se já soubesse onde essa conversa ia parar. — Se não quiser ir, não precisa.

— Credo, que mal humor é esse? — retruquei, arqueando uma sobrancelha.

— Não tô de mal humor — murmurou, meio sem convicção, terminando de ajeitar a roupa. Algo na maneira como ela evitava contato visual me deixou ainda mais desconfiada. — No que você está pensando?

— Ah, nada demais... Só que você trabalha com a Thaiga, né? — Comecei inocente. Ela assentiu sem dar muita atenção. — Você trabalha no FBI! Minha amiga trabalha no FBI e não me contou! Isso é uma traição! Está tudo acabado entre nós! — dramatizei, me jogando na cadeira com exagero.

Babi revirou os olhos, impaciente.

— Investigar e prender pessoas em nome do estado não é algo cotidiano? Vai me dizer que não vê isso todo dia na TV? — rebateu, prática, enquanto eu gesticulava em protesto, mas sem argumentos para responder. Acabei ficando quieta, bebendo mais um gole de suco.

— Por que você sumiu ontem? — perguntei, finalmente soltando a pergunta que me corroía por dentro. Ela vestia um moletom, claramente se preparando para sair. — Babi?

— Eu sumi em várias partes da festa, seja mais específica — respondeu ela, ajeitando o moletom e escondendo as mãos nas mangas.

— Você estava bêbada ontem? — inclinei a cabeça, tentando analisar sinais de ressaca. Ela franziu a testa, quase ofendida.

— Não. Quer dizer, bebi um pouco, mas não a ponto de ficar bêbada. Não tô de ressaca, se é isso que você quer saber — retrucou, rápida, antes que eu pudesse fazer mais perguntas. — Eu lembro de tudo ontem, Gaby. Cada detalhe.

— Você tá mudando de assunto! Por que você está fugindo, Bárbara Sevilla? — rebati, cruzando os braços.

— Eu não tô fugindo de nada — suspirou, mas a tensão na voz dela não me escapou. Notei o brilho do pingente de glock que Victor havia dado a ela. O detalhe confirmou minha suspeita. Apoiei o queixo nas mãos e sorri, vitoriosa.

— Você estava com o Victor, né? — perguntei, sabendo que a resposta já estava escrita em seu rosto.

— Tava. — A confissão saiu mais rápida do que eu esperava, me pegando de surpresa.

— Nossa, você confessou mais rápido do que eu esperava! Eu sabia! — bati palmas mentalmente.

— Por que eu iria mentir? — Ela deu de ombros, desviando o olhar e me puxando para levantar. — Vai se arrumar antes que os lugares fiquem cheios.

— Olha você aí mudando de assunto de novo — continuei, enquanto ela soltava um suspiro pesado. — O que aconteceu ontem?

Babi parou, suas mãos descansando no rosto por um momento, claramente se preparando para contar algo que a incomodava.

— Ele me puxou para conversar, queria entender por que eu tinha sumido sem avisar — começou ela, a voz levemente abafada pelas mãos que ainda cobriam o rosto. — A gente discutiu, como sempre. Aí ele disse que ainda é apaixonado por mim e que eu sabia disso, só fingia que não sabia.

— E o que você disse? — perguntei, inclinando-me na cadeira, sentindo a tensão no ar.

— Disse que a gente tava na mesma... e saí. — Ela parecia derrotada. Eu fiquei boquiaberta.

— Pera aí, você admitiu que é apaixonada por ele e simplesmente saiu? Não deixou ele responder?! — falei, indignada, enquanto ela enterrava o rosto nas mãos de novo. — E depois? Não falaram mais nada?

Babi parecia envergonhada de continuar e sentou no sofá, mas finalmente admitiu:

— A gente ficou flertando, e ele me perguntou até quando íamos ficar nessa. Eu disse que não sabia como lidar com a gente...

Eu suspirei, percebendo que os dois estavam presos num ciclo de inseguranças.

— E aí? — insisti, querendo chegar ao ponto final.

— Aí ele perguntou se eu queria ir para outro lugar... e a gente ficou. — A confissão veio mais baixa, como se ela não quisesse me dar muitos detalhes.

— Ué, se vocês dois gostam um do outro, por que não estão juntos? — perguntei, sem entender o motivo de tanto receio.

— É mais complicado do que parece, Gaby. A gente se magoa muito. Não sei se conseguiríamos manter um relacionamento... — Ela olhou para baixo, a voz pesada de incerteza. — Tenho medo de não ser o que ele pensa.

Fiquei em silêncio por um momento, refletindo sobre o que ela havia dito. Então, levantei-me e me sentei ao lado dela no sofá.

— Babi, pelo que você está me contando, o Victor gosta de você, com todos os seus defeitos e qualidades. Ele tá disposto a estar com você, apesar de tudo. Você é a única que tá achando que não merece isso. Não deixa esse medo atrapalhar o que vocês têm.

Ela suspirou, claramente absorvendo minhas palavras.

— E o que você quer que eu faça? — perguntou, meio perdida.

— Tenta. Você nunca tentou de verdade — eu disse com firmeza, encarando seus olhos.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, pensando, antes de finalmente concordar com um aceno sutil.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora