Capítulo duzentos e oitenta e nove.

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Second season:two hundred and eighty-nine
Algum problema, ruivinha? ★
{Tacoma, Washington}
<Lara Cooper narrando>

Eu estava passeando por Tacoma, visitando meus lugares favoritos antes de seguir para Olympia. Carregava sacolas de bugigangas que tinha encontrado por aí, uma distração tola, mas que me fazia sentir viva. Sabia que o Victor ia surtar se descobrisse que estou andando despreocupada por aí, dando pulos de alegria enquanto capangas de um mercenário furioso estão à minha caça. Mas eu não posso simplesmente me trancar em casa e assistir reality show de segunda linha. Preciso respirar.

Parei em uma pracinha, próxima de um parquinho que me trazia memórias doces. Quantas vezes eu me balancei ali, perdendo a noção do tempo até o sol se pôr? Fechei os olhos por um segundo, tentando capturar aquele momento de paz.

Foi quando o celular vibrou, arrancando-me da nostalgia. O nome de Tainá piscava na tela. Suspirei, aliviada e preocupada ao mesmo tempo. Atendi, tentando disfarçar o turbilhão de pensamentos que me dominava.

— Ruivinha! Como você tá? — Ela sempre soava tão leve, tão cheia de energia.

— Oi, Tainá. Tô... viva. E você? — Minha resposta saiu mais cansada do que eu gostaria.

— Nossa, que mal humor! O que aconteceu?

Pensei em desabafar tudo. Falar sobre como a máfia tinha virado contra mim, como minha cabeça estava a prêmio e como Victor não parava de me tratar como uma criança indefesa. Mas eu não podia. Não com ela. Tainá não merecia carregar esse peso.

Respirei fundo, engolindo as palavras que queriam sair.

— Nada, tô bem. — menti. — E você? Por que tá me ligando?

— Fui chamada pra desfilar na nova coleção da Dior! — disse, empolgada.

— Parabéns. — Tentei soar animada, mas saiu meio forçado. — Mas não é como se você não tivesse desfilado pra grandes marcas antes, né?

— Eu sei, mas o desfile vai ser em Tacoma! — A empolgação dela estava quase palpável, e senti meu estômago revirar.

— Tá brincando comigo... — balbuciei, já temendo onde isso ia dar.

— Não tô não! Já tô aqui, inclusive. — Ela falou como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Algum problema, ruivinha?

Eu quis gritar. Quis dizer o quanto Tacoma estava perigosa pra mim e como eu deveria manter distância de qualquer evento público. E pra ela também. Mas em vez disso, engoli seco.

— Não, tô feliz por você. — Menti de novo, mas dessa vez soou ainda mais forçado.

— Eu queria que você fosse. Sério. Vai ser incrível. E olha, você podia ficar no VIP comigo... Gustavo também vai estar lá, mas quem se importa? Eu só queria muito que você estivesse lá comigo.

O jeito que ela disse “comigo” fez meu coração bater mais forte. Havia algo na sua voz, uma expectativa, uma necessidade de que eu estivesse lá que ia além da simples amizade. Fechei os olhos, tentando não me deixar levar por isso.

— Tá, eu vejo o que posso fazer. Quando é?

— Amanhã à noite! Obrigada, te amo! — Ela soava tão animada que era impossível não sorrir.

— Eu também amo você. — sussurrei, mesmo depois que a ligação já tinha sido encerrada.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora