Second season:two hundred and ninety-six
★ Você está uma gatinha! ★
{Tacoma, Washington}
<Tainá Costa narrando>
Minha primeira roupa era um vestido dourado que, abaixo da cintura, se transformava em uma saia rodada adornada com delicados detalhes de várias flores, todas bordadas à mão. As flores pareciam quase dançar na luz, mas, ao olhar no espelho, o brilho do vestido não conseguia esconder a ansiedade que me consumia. Joguei o cabelo por cima do ombro, tentando dar um ar de confiança, mas as outras modelos me observavam com uma mistura de medo e repúdio que me deixava ainda mais insegura. Isso me assusta pra caralho.
Detesto ficar sozinha em lugares públicos. Estou sempre cercada por câmeras, olhares maldosos e obcecados que me fazem sentir exposta e vulnerável. É horrível saber que não escolhi essa vida; ela simplesmente me foi imposta, como se eu fosse um produto em exibição.
Apoiei o rosto nas mãos, encolhendo-me no canto em frente à penteadeira. Olhei meu reflexo no espelho e abaixei a cabeça, sentindo um nó na garganta. Engraçado como todos me veem como perfeita e feliz, enquanto a maquiagem esconde um rosto repleto de medo, mágoas e decepções. A vontade de chorar e fugir dali era avassaladora.
Peguei um lenço e sequei as lágrimas com cuidado, tentando não borrar a maquiagem impecável. Mas a angústia ainda permanecia, como um peso que eu não conseguia ignorar.
Foi então que meu celular piscou com uma mensagem: Chegamos. Meu coração disparou de animação. Guardei o celular rapidamente e saí do camarim, ansiosa para ver quem estava me esperando.
Lá estavam Lara e meu irmão. Lara, deslumbrante em um vestido branco longo, com aberturas dos lados na altura do quadril, irradiava confiança. Seu cabelo ruivo, que ela deixara solto, brilhava sob as luzes do evento. Não consegui conter o sorriso ao avistá-la e a abracei com força.
— Que saudades, ruivinha! — exclamou, a alegria transbordando em sua voz.
— Eu também senti saudades, Tai! — Ela respondeu, separando o abraço. — Você está uma gatinha!
Lara segurou minha mão e me fez girar, enquanto eu soltava uma risada espontânea. O sorriso dela era o mais lindo que eu já havia visto, e por um momento, minha insegurança parecia desaparecer. Ajeitei meu vestido e coloquei uma mecha de cabelo para trás, tentando parecer mais composta.
— Que horas você vai desfilar? — Lara perguntou, e, nesse momento, percebi o olhar de Gustavo fixado em nós.
— Daqui cinco minutos. Tenho três roupas pra usar hoje. — Expliquei, tentando manter a calma enquanto Gu mexia no celular, desinteressado.
— Já acabaram? — ele debochou, com aquele tom sarcástico que sempre me tirava do sério. A vontade de dar um tapa em seu rosto só aumentava.
— Eu... — comece a dizer, mas fui interrompida pelo Gustavo.
— Tá bom então. Vou levar a Lara pra experimentar o champanhe. Boa sorte, Tainá! — Ele agarrou a cintura da ruiva e saiu andando em direção ao camarote.
Abri a boca irritada, cerrando os punhos. Se ele está tão apaixonado por ela, que escreva na testa de uma vez! Onde já se viu? Eu não posso nem ter uma amizade em paz! Enquanto ele e Lara se afastavam, a ideia de vê-los juntos me deixava enjoada. “Aí eu vou tomar champanhe com a Lara, blá-blá-blá!” Queria que ele se engasgasse com aquele champanhe!
Caminhei até a mesa do camarim, tentando ignorar a raiva que crescia dentro de mim. Olhando para o espelho mais uma vez, respirei fundo, lembrando que esse desfile era uma oportunidade única. Coloquei um sorriso no rosto, disfarçando as emoções conflitantes que lutavam dentro de mim. Era hora de brilhar, mesmo que isso significasse esconder o que realmente sentia.
E com isso, me preparei para entrar na passarela, decidida a não deixar que nada me derrubasse. Eu era Tainá Costa, e essa era a minha hora de brilhar.
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case thirty nine:season two
Hayran KurguApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
