Capítulo duzentos e cinquenta e três.

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Second season:two hundred and fifty-three
Bianca, me desculpa ★
{Tacoma, Washington}
<Carolina Decker narrando>

A noite já passava da meia-noite quando eu, Milena e Thaiga saímos da casa da Babi. Tínhamos acabado de ter uma longa conversa sobre como ela estava se sentindo, e foi uma das raras vezes em que Babi parecia à vontade para falar sobre seus sentimentos. Enquanto Milena caminhava em direção ao carro, eu segurei o braço de Thaiga, sentindo a tensão aumentar no ar.

— Santiago, espera aí — chamei, com a voz firme, mas carregada de arrependimento.

— Eu espero vocês no carro — Milena disse calmamente, percebendo o clima, e entrou no veículo, nos deixando sozinhas.

Thaiga bufou, claramente irritada, e eu senti um peso no peito. Respirei fundo, preparando-me para o que sabia que seria uma conversa difícil.

— Bianca, me desculpa — comecei, a voz baixa, quase em um sussurro.

— Tá, você já disse isso — ela respondeu, sem nem olhar para mim, desdenhando enquanto tentava continuar andando. Mas eu a puxei de volta, segurando seus ombros com mais força do que eu pretendia.

— Por favor, me desculpa de verdade — falei, minha voz agora um fio quase trêmulo.

Ela parou, virou-se lentamente e me olhou nos olhos, sua expressão carregada de dor e raiva.

— Eu não aguento mais seus falsos pedidos de desculpas! Da boca pra fora não vale, Carolina! — Thaiga explodiu, sua voz elevando-se com uma intensidade que me fez dar um passo para trás, surpresa pela força de suas palavras.

— Não é da boca pra fora. Eu realmente estou pedindo desculpas! — insisti, minha voz baixa, quase implorando.

— Ah, jura? — ela gritou, seu tom mais duro a cada palavra. — Acha mesmo que suas desculpas vão mudar alguma coisa? Que vão fazer eu me sentir melhor? Você disse o que disse, e não dá pra apagar.

— Eu estava estressada, meus pais se separaram, e eu só... eu não queria dizer aquilo... não acho aquilo de você! — tentei me justificar, a culpa me sufocando por dentro.

Thaiga me lançou um olhar tão frio que fez meu estômago revirar, como se suas palavras estivessem atravessando meu peito.

— Acha mesmo que isso justifica o que você disse? — sua voz agora era mais baixa, mas ainda mais cortante. — Podem ter sido só palavras para você, mas para mim, elas me feriram mais do que qualquer dor física. Não é como se eu pudesse esquecer da noite para o dia.

As palavras dela me atingiram como facas. Fiquei sem chão, sem saber o que dizer. Eu tinha magoado minha melhor amiga, e sabia que aquela ferida jamais cicatrizaria. Logo eu, que sempre defendi minhas amigas, que briguei por elas. Agora, era a hipócrita que havia causado tanta dor. Queria chorar, mas não podia, não ali.

— Mas eu me arrependi! — minha voz finalmente quebrou, meu peito se apertando ainda mais, e eu senti as lágrimas começarem a subir.

— Ah, agora você está magoada? — ela disse com sarcasmo, mas logo emendou com uma raiva tão profunda que sua voz falhou. — Engole o choro, Carolina! Não foi sua mãe que morreu, e seu pai não te abandonou com quinze anos! Você não é criticada diariamente pela sua própria família, pelo jeito que vive ou por quem você é! — Os olhos de Thaiga brilhavam, cheios de lágrimas prestes a escorrer. — Era pra você estar do meu lado, me apoiar, não me julgar!

Aquelas palavras quebraram algo dentro de mim. Abaixei a cabeça, as lágrimas rolando livremente pelo meu rosto. Eu não tinha mais o que dizer. A culpa, o arrependimento, a vergonha, tudo se misturava dentro de mim.

Thaiga suspirou pesadamente e começou a se afastar em direção ao carro. Fiquei parada por alguns segundos, tentando processar tudo. Quando finalmente me recuperei o suficiente para me mover, sabia que havia perdido algo muito mais precioso do que uma discussão: eu tinha perdido a amizade dela.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora