Capítulo trezentos e noventa e seis.

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Second season:three hundred and ninety-six
Eu amo você ★
{Tacoma, Washington}
<Victor Jones narrando> 

A festa estava se aproximando, mas minha mente estava distante. A investigação era urgente, mas minha cabeça estava cheia de pensamentos sobre onde a Lara poderia estar. Depois, recebi a ligação da Thaiga, dizendo que eu estava "cabisbaixo demais" e que devia "dar um jeito na minha vida". E, de algum modo, isso me levou até aqui, parado na frente da casa da Babi.

Eu encostei meu braço no batente da porta, a respiração pesada. O olhar dela encontrou o meu assim que abriu a porta, e o mundo ao redor sumiu por um instante. Babi estava séria, mas não brava. Nossos olhares se prenderam, e aquele silêncio apertou meu peito, como se cada segundo ali pesasse mais que qualquer palavra. Os momentos passaram na minha mente, como um filme – desde o dia em que nos conhecemos até a nossa última briga, quando eu disse que era melhor nos afastarmos. Lembrei dela chorando e meu coração apertou como nunca.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, uma voz feminina ecoou de dentro da casa.

— Babs, você não vem? — Gaby chamou.

Babi virou a cabeça, interrompendo aquele olhar silencioso entre nós.

— Eu já vou, Gaby. — Ela respondeu, e então a porta se fechou, nos deixando sozinhos. Ela me olhou, seus braços cruzados e os olhos baixos, um muro invisível se erguendo entre nós.

— Oi, Victor. — Ela falou baixinho.

— Oi, Bárbara. — Respondi, a voz falhando. Fiquei parado, observando seu rosto, querendo dizer algo, mas não sabendo o que. Eu estava perdido, entorpecido pela saudade e pelas palavras que ainda não tinha dito. O peso da nossa briga ainda estava em nós.

A chuva começou a cair lá fora, uma tempestade incontrolável. O som de cada gota parecia marcar o ritmo das batidas do meu coração.

— Está ocupada? — Perguntei, tentando quebrar o gelo.

Ela não respondeu de imediato, apenas olhou para o chão. Eu a observei com mais intensidade, sentindo um impulso quase insano de beijá-la. Mas sabia que não era o momento, sabia que o estrago tinha sido feito.

— Não. Por quê? Pra você me dizer que sou fria e que não gosto de ninguém? — Ela respondeu com sarcasmo, e o tom dela me atingiu de maneira inesperada. Eu estalei a língua, frustrado.

— Você só ouviu essa parte? — Falei, tentando aliviar a tensão com um tom sarcástico, mas as palavras saíram pesadas. Babi bufou, claramente irritada.

Eu me aproximei mais um passo, o som da chuva ficando mais forte, como se o céu também estivesse revoltado com o que aconteceu entre nós.

— Eu vim aqui te pedir desculpas. — Minha voz saiu baixa, mas firme, como se cada palavra fosse um peso que eu não conseguia mais carregar.

Ela olhou para mim, claramente surpresa, e em sua expressão pude ver a mistura de dor e mágoa.

— Você foi o primeiro a dizer que a gente precisava se afastar, que deveríamos ter desistido de nós há muito tempo. E agora, você vem aqui, me pedir desculpas? — A dor na voz dela foi como um soco no estômago. Eu sabia que estava em dívida, sabia que as palavras que eu disse não podiam ser apagadas.

— Eu disse muitas coisas... E eu não vou mentir, eu falei o que estava sentindo no momento. Mas o que eu senti depois disso não é o que eu esperava. Não consigo tirar você da minha cabeça, Babi. Eu te chamei de egoísta, te critiquei pelas suas crises de raiva e tantas outras coisas. Eu te machuquei. Mas, de verdade, eu não queria isso. Eu quero você. Eu sempre quis. E, antes que você diga qualquer coisa, eu sei que isso não vai consertar tudo. — Eu parei, esperando uma resposta, mas ela apenas balançou a cabeça, como se aquilo tudo fosse irreparável.

— Por que você veio aqui então? — Ela sussurrou, mais para si mesma do que para mim.

Eu fechei os olhos, tentando me organizar. O peso da culpa e do arrependimento me sufocava.

— Porque eu não consigo viver com isso. Eu não consigo ver você sofrer, não consigo te ver chorar. Eu fiz isso. Eu te fiz chorar no dia da nossa briga, e não consigo esquecer. — A chuva aumentou, e o som parecia se misturar com a dor dentro de mim.

Ela ficou em silêncio por um momento, os olhos baixos. Então, de forma quase imperceptível, ela disse:

— Agora, é tarde para isso, não acha? — Ela ironizou, e o tom dela me cortou como uma faca. Eu balancei a cabeça, a frustração tomando conta de mim.

— Agora você vai fingir que isso tudo não aconteceu? Vai se esconder daquilo que realmente sente? — Eu murmurei, tentando manter a compostura. Mas meu coração estava despedaçado. Eu queria consertar, queria que tudo fosse diferente.

Eu virei as costas para ir embora, as palavras não ditas pesando nas minhas costas. O frio da chuva me atingiu como uma parede.

Mas, então, ouvi o som de passos atrás de mim, rápidos e decididos.

— Eu queria fingir que não sou uma descontrolada, que minha mãe não me deixou e que eu não sou uma pessoa que precisa de outras pessoas. Mas não posso. Minha vida é assim, Victor. E o que a torna mais fácil é você. — A voz de Bárbara estava trêmula, como se ela estivesse lutando para manter o controle. Por um segundo, a única coisa que se ouvia era o barulho ensurdecedor da chuva.

Eu virei, a visão embaçada pela água caindo do céu e pelas lágrimas que não podia mais conter. Eu não aguentava mais Aquela situação e por um segundo hesitei em ir embora de novo. Mas dessa vez foi diferente.

— Eu não ia aguentar te perder de novo. — As palavras dela saíram em um sussurro, mas foram mais fortes que o trovão. — Por favor, Victor. Eu amo você. Eu te amo muito. Você é o amor da minha vida. Por favor, não vai embora.

O mundo parecia parar naquele momento. Eu não conseguia respirar. Eu queria dizer algo, mas não sabia o que. Ela estava diante de mim, quebrada, vulnerável, e tudo o que eu podia fazer era ouvir o coração dela, o mesmo que sempre bateu junto ao meu. Eu não queria ir embora. Eu não queria mais viver sem ela.

E, pela primeira vez, eu sabia exatamente o que fazer.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora