Capítulo trezentos e vinte e nove.

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Second season:three hundred and twenty-nine
Ela mentiu pra mim ★
{Tacoma, Washington}
<Gabriel Di Laurentis narrando>

O quarto estava completamente escuro, apesar de ser 11h10 da manhã. O quarto do Bak era grande, bem decorado, e organizado, mas ainda assim tinha uma atmosfera pesada e sombria. Eu me sentia uma verdadeira princesa na mansão Di Laurentis, envolta em conforto e luxo.

Os braços de Gabriel estavam em volta da minha cintura, me mantendo próxima, mas eu sabia que ele estava acordado. E parecia preocupado. Desde que ele teve aquela conversa com a mãe ontem, ele estava estranho. Eu não sabia exatamente o que eles conversaram, mas claramente era algo sério. E agora, eu começava a me preocupar também.

Murmurei algo desconexo enquanto me espreguiçava, ainda meio sonolenta. Saí da cama e vesti a camiseta azul dele que estava no chão. Eu estava exausta, com as energias drenadas da festa de aniversário de ontem.

Peguei o celular para conferir as mensagens.

{.}

Babi Tóxica: Já acordou?

You: O que vc considera estar acordada?

Babi Tóxica: Dormiu na casa do Bak?

You: Sim, e você?

Babi Tóxica: Eu o que?

You: Você foi embora com o Victor. Não se faça de sonsa.

Babi Tóxica: Eu só levei ele.

You: Tá usando pontuação. Tá mentindo.

Babi Tóxica: Talvez... mas é uma longa história.

{.}

Antes que eu pudesse responder, Gabriel começou a falar, tirando minha atenção das mensagens.

— Parece cansada. — Ele comentou, enquanto eu voltava para a cama.

— Eu tô. — Admiti, bocejando.

— Eu te disse que não precisava de tudo aquilo. — Ele sorriu de leve, revirando os olhos.

— Mas eu queria que fosse especial pra você. — Retruquei, cruzando os braços em um gesto de leve teimosia.

— Já ia ser especial, princesa. — Ele acariciou minha bochecha com uma ternura que me fez sorrir.

— Quer que eu te leve pra casa? — Ele sugeriu, mas eu balancei a cabeça, me aconchegando mais perto.

— Não quero ir pra casa agora. — Fiz uma voz manhosa, o abraçando. — A Milena tá lá com o Mob. Não quero ser vela.

— Eles voltaram? — Ele perguntou, surpreso.

— Parece que sim. Babi disse que quando estavam soltando as lanternas, ele puxou ela, e depois os dois sumiram como mágica. — Contei, gesticulando exageradamente, e ele riu. — Você acordou faz tempo? — Perguntei, ainda com a cabeça apoiada em seu peito.

— Não muito. Dormiu bem?

— Uhum, mas você está bem? — Questionei, percebendo que ele estava distraído.

— Tô sim. — Ele respondeu rápido demais, o que me fez franzir a testa.

— Não parece. — Insisti, e ele mudou a expressão, parecendo mais sério. — Aconteceu alguma coisa? — Pressionei, erguendo a cabeça para olhá-lo nos olhos.

— É por causa da minha mãe. — Ele confessou, suspirando.

— O que ela fez dessa vez? — Perguntei com curiosidade e preocupação.

— Ela mentiu pra mim. Na verdade, pra todo mundo, eu acho. — Ele respondeu, a voz carregada de mágoa.

— Foi uma mentira grave? — Perguntei, percebendo que ele parecia prestes a explodir.

— Você não faz ideia. — Ele disse, respirando fundo. — Minha mãe me contou que antes de casar com meu pai, ela morava em Miami, na Flórida, e teve outra pessoa... Ela teve uma filha. E a deixou pra trás quando veio pra cá casar com meu pai. — Gabriel soltou a informação, e eu arregalei os olhos, processando o que ele acabara de dizer. Sabia que a mãe dele era complicada, mas isso... Isso era outro nível de negligência.

— Nossa... E por que ela resolveu contar isso no seu aniversário? — Perguntei, sentando-me na cama, incrédula. — Ela teve todo o tempo do mundo pra te contar isso antes. Por que agora?

— Ela viu a filha dela ontem. — Ele respondeu, com um riso sem humor, e abaixou a cabeça. Parecia que ainda tinha mais a dizer, algo que ele estava relutante em revelar. — Babi. — Ele soltou, e meu coração quase parou. Meus olhos se arregalaram de novo, e eu demorei a encontrar palavras.

— O quê? — Foi tudo que consegui dizer. Isso só podia ser uma piada. Em um país tão grande, como era possível? Babi, minha melhor amiga, era a filha que a mãe de Gabriel abandonou? E agora... Gabriel, meu namorado, estava no meio disso tudo.

— Infelizmente, é sério. — Ele confirmou.

— Meu Deus... Por isso você perguntou dela ontem? — Agora tudo fazia sentido.

— É, mas eu nem sei o que dizer pra ela. — Ele admitiu, parecendo completamente perdido. — A gente nem se conhece direito.

Eu sabia o quanto o abandono da mãe afetava a Babi, os traumas que isso havia deixado nela, moldando sua personalidade complicada. E agora, saber que o Gabriel, com todos os problemas que tinha com a mãe, estava envolvido nisso... Era demais. Se isso já era um choque para mim, eu nem conseguia imaginar como os dois estavam lidando com essa revelação.

— Isso vai ser difícil para vocês dois... — Murmurei, sem saber como consolar Gabriel. Sabia que as coisas iam ficar ainda mais complicadas daqui pra frente.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora