Second season:two hundred and twelve
★ Eu não vou dormir com você ★
{Seattle, Washington}
<Bárbara Sevilla Narrando>
Lara subiu as escadas, desaparecendo rapidamente do meu campo de visão. Logo em seguida, Victor murmurou algo que não consegui entender, mas a irritação na voz dele era clara. Eu sentia o incômodo crescer dentro de mim à medida que a realidade da situação se impunha: a ideia de dormir na mesma cama que ele. Aquilo mexia comigo mais do que eu estava disposta a admitir. Não era só uma questão de espaço. Havia algo a mais.
Sempre evitei dormir ao lado de alguém, principalmente de alguém como o Victor, porque, para mim, isso sempre significou algo maior. Significava permitir intimidade, criar laços, algo que eu sempre me forcei a manter distante. E será que, no fundo, eu tinha algum tipo de sentimento por ele? A ideia soava absurda, mas não completamente improvável.
— Você vai dormir na sala. — Falei, tentando manter meu tom de autoridade.
Victor, claro, se colocou na minha frente, os braços cruzados, o queixo erguido em desafio.
— O quê? De jeito nenhum. O quarto é meu. — A resposta veio rápida, carregada de uma provocação velada.
— Avisa isso pra sua irmã, que vai dormir no meu quarto. — Respondi, tentando contornar a situação, mas Victor me segurou pelos ombros, interrompendo meu avanço.
— Ela não sabia que o quarto de cima era seu. — Ele falou defendendo sua irmã, e ele estava certo mas seu tom casual só aumentava minha irritação. Eu o encarei com desdém.
— Tá, mas eu tô com o tornozelo machucado, Victor. — Usei isso como último recurso, esperando que ele cedesse.
— E o que isso tem a ver com a situação? — Ele perguntou, uma sobrancelha levantada, visivelmente impaciente.
— Eu não quero dormir na sala. — Insisti, mas sem admitir que a ideia de ficar sozinha naquela casa me fazia sentir desconfortável.
— Eu não disse que você precisa dormir na sala. — Ele respondeu, jogando as palavras no ar, sem muita consideração.
— Não está sugerindo que eu durma com você, né? — Perguntei, com sarcasmo, tentando fazer aquilo parecer ridículo. Mas ele apenas virou o rosto, um sorriso divertido surgindo em seus lábios.
— Parece ser a melhor opção. Meu quarto, minhas regras. — Ele respondeu casualmente, o sorriso ainda presente.
— Como se você tivesse moral pra ditar regras. — Retruquei com desdém, mas não conseguia ignorar a verdade naquelas palavras.
— Pra você, ninguém tem moral, não é? — Ele rebateu, olhando-me com aquela mistura de irritação e frustração que sempre aparecia nas nossas conversas.
— E por que ninguém manda em mim. — Dei de ombros, tentando parecer indiferente, mas sentia que ele estava tocando em algo mais profundo.
— Não é só isso. Você nunca escuta ninguém. Você afasta todo mundo que se importa com você. — A acusação veio com mais força do que eu esperava, e de repente, estávamos longe de uma simples discussão sobre onde dormir.
As palavras dele me atingiram de um jeito que eu não estava preparada para lidar, e antes que eu pudesse me conter, soltei um bufar frustrado.
— Por que você quer tanto dormir comigo, hein? — Perguntei, quase desafiando, esperando que ele recuasse.
— Não é isso. A questão é que eu já cedi a suíte principal no primeiro dia. Agora, eu tenho que ceder o meu quarto de novo? — Ele se virou de costas, claramente irritado, e eu senti a frustração crescer dentro de mim.
— Victor... — Chamei, mas ele continuou me ignorando. — Victor! Não me ignora!
Ele se virou, o rosto dele estampando cansaço e impaciência.
— E então, decidiu o que vai fazer? — Perguntou, como se aquilo fosse uma questão simples.
Eu cruzei os braços, lançando um olhar de desafio, mas, no fundo, não sabia o que dizer. Eu olhei para a cama, e de repente, memórias surgiram, de nós dois ali, juntos. A lembrança de nossas juntos me fez estremecer. Cada toque, cada suspiro, cada momento em que o desejo padecia ser a única coisa que nos conectava. Só que havia algo mais ali, algo que eu não queria admitir nem pra mim mesma.
Olhei para a cama, relembrando cada detalhe. O calor de nossos corpos, os gemidos abafados e o clímax do aro. Nunca dormíamos juntos depois. Nunca. Era uma regra tácita pra mim. Mas o Victor nunca se importou com isso, e na verdade parecia querer a ideia de dormir comigo. Mas por que isso me incomodava tanto agora?Será que eu estava sentido saudade?Essa possibilidade me irritava profundamente. Não era para ser assim.
Passei a mão no rosto, tentando organizar meus pensamentos.
— Eu não vou dormir com você. — Murmurei, mas a frase saiu menos firme do que eu pretendia.
— Não tô te pedindo pra dormir comigo. — Ele respondeu, e o tom dele mudou, como se estivesse cansado de brigar.
— Agora não, né? — Rebati, mais para me proteger do que para atacá-lo.
Victor respirou fundo, claramente perdendo a paciência. Ele passou as mãos no rosto, exasperado.
— Bárbara, pelo amor de Deus... Reclama com a Lara. — Resmungou, quase derrotado.
Eu sabia que essa era a única saída. Suspirei, finalmente cedendo.
— Tudo bem. Eu durmo com você. — Admiti, derrotada, mas com uma parte de mim inquieta.
Victor não disse nada, apenas deu de ombros como se estivesse indiferente. Mas eu sabia que ele também estava afetado pela situação.
Deitei-me na cama, tentando ignorar o desconforto crescente. Embora eu tentasse não pensar muito, não podia negar que havia algo a mais. A ideia de dormir ao lado dele me deixava desconcertada, e ao mesmo tempo, eu sentia que havia um motivo maior por trás disso. Algo que eu não queria encarar de frente.
O tempo passou e, enquanto Victor já dormia tranquilamente ao meu lado, eu me remexia, incapaz de encontrar uma posição confortável. A luz suave da lua entrava pela janela, refletindo no carpete, criando sombras dançantes que pareciam brincar com meus pensamentos. Virei-me de lado, encarando o teto. Três horas se passaram, e eu ainda estava acordada, os pensamentos zumbindo na minha mente.
Foi então que senti os braços de Victor deslizando ao redor da minha cintura. O calor do corpo dele me envolveu, e, num reflexo, senti meu corpo relaxar contra o dele. Uma parte de mim queria afastá-lo, mas outra... outra queria exatamente aquilo. Senti um estranho conforto no gesto, algo que misturava medo e uma sensação de segurança ao mesmo tempo. Fechei os olhos, permitindo-me afundar naquela sensação, e, finalmente, o sono veio me buscar.
Meus pensamentos se dissiparam enquanto eu adormecia, embalado pelo calor do abraço de Victor.
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case thirty nine:season two
FanfictionApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
