Capítulo duzentos e trinta e sete.

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Second season:two hundred and thirty-seven
Não é sem causa, não! ★

— Oi, maninho!

— Para de graça, Lara. O que você quer? Fala logo que eu tô no meio de algo importante — disse, tentando manter o foco na missão.

— Nada... — ela respondeu com uma voz que claramente carregava culpa.

— Larissa, eu não nasci ontem.

— Por que sempre sou eu que faço algo errado? — Ela fingiu indignação, mas eu conhecia esse tom muito bem.

— Porque você é a rebelde sem causa da família — respondi entediado, enquanto pegava a taça de champanhe da mão da Bárbara, que me olhava impaciente.

— Não é sem causa, não! — Lara se defendeu, e eu revirei os olhos, já prevendo onde essa conversa ia parar.

— Oh, minha nossa, sim, rebelde com causa — falei com ironia.

— Depois fica reclamando que eu sou debochada! Que hipocrisia!

— Ah, sim, claro, a rebelde com causa, que com certeza foi a única que sofreu — continuei, com um tom ainda mais sarcástico, enquanto bebia um gole da taça.

— Para, assim eu vou ficar mal — ela rebateu, como se tentasse me fazer sentir culpado, mas eu sabia que não era nada sério.

— Fala logo o que você fez, Lara.

— Eu fiz tanta coisa... Mas nesse caso, sabe, talvez... assim, só talvez... — ela disse, enrolando as palavras, o que só aumentava minha irritação.

— Eu entendi, continua.

— Talvez eu tenha irritado um mercenário aí...

— Pelo amor de Deus — Passei a mão no rosto. — Mãe disse: "Tomem cuidado." E o que aconteceu? Um filho virou agente do FBI e a outra... bem, uma corrupta! — falei com sarcasmo, tentando manter o controle.

— Pelo menos ninguém morreu — Lara disse, com a voz mais baixa.

— Como foi que você irritou o mercenário?

— Digamos que eu estraguei o trabalho dele acidentalmente. Eu nem sabia que ele ia estar lá! E fiquei com o dinheiro.

— Então devolve o dinheiro pra ele — sugeri, dando de ombros.

— Isso não ajuda na parte de que ele nunca mais vai conseguir outro trabalho.

— O que você fez, Lara?

— Roubei os dados que ele precisava entregar pra máfia mexicana — ela disse casualmente, como se fosse algo simples, e eu suspirei pesadamente.

— Eu podia ser filho único, mas não... tinha que ter a caçula — murmurei para mim mesmo.

— Você que me ensinou a hackear! — Lara retrucou, e eu quase pude visualizar o sorriso sarcástico dela.

— Ah, claro, agora a culpa é minha — zombei. — Vê se pelo menos devolve o dinheiro como oferta de paz.

— São um milhão de dólares.

— Lara!

— Foi um a-c-i-d-e-n-t-e! — Ela disse, pausando cada sílaba como se tentasse me convencer.

— Eu não liguei para você resolver o meu problema. Eu não tenho mais dezesseis anos. Liguei porque preciso de um tempo pra esperar a poeira baixar.

— Tá, e...?

— Queria perguntar se eu posso passar um tempo em Seattle... na sua casa? — Ela perguntou, com uma voz quase inocente.

— Você não está falando sério — respondi, incredulamente.

— Por favor!

— Eu tenho escolha?

— Ah, que amor, Augusto! Chego hoje à noite.

— Tá, tá, tô ocupado. A gente se fala depois. Boa viagem e se cuida.

— Tchau.

Desliguei o telefone, sentindo o peso de mais uma confusão criada por minha irmã. Bárbara, que observava em silêncio, me lançou um olhar questionador, mas eu apenas dei de ombros.

— O que foi agora? — ela perguntou, já sabendo que algo estava errado.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora