Capítulo trezentos e noventa e sete.

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Second season: three hundred and ninety seven
Eu nunca faria nada para machucá-la
{Tacoma, Washington}
<Narrador on>

Maeve Kimberly ajeitou o vestido preto ajustado enquanto retocava o gloss com movimentos precisos. Ela analisava seu reflexo com calma, mas seus olhos revelavam algo mais – como se estivesse avaliando o cenário ao redor. O camarote do hotel estava cheio de vozes e risos, mas lá dentro, apenas o som abafado da música chegava.

Gustavo apareceu atrás dela, como uma sombra, e a proximidade fez Maeve se enrijecer por um instante. O perfume sofisticado que ele usava era inconfundível.

— O que foi agora, Gustavo? — Maeve perguntou, sem se virar, a voz carregada de tédio e ligeira irritação.

— Nada demais, só observando. — Ele respondeu casualmente, mas o olhar que direcionou à garota era intenso, fixando-se por um segundo a mais em seus lábios antes de desviar.

Maeve se afastou dele com um movimento calculado, cruzando os braços e o fitando com um olhar que poderia desarmar qualquer um.

— Ok, fala logo. O que você quer? —

— Quero me desculpar. — Gustavo respondeu, com uma expressão que oscilava entre sinceridade e manipulação. Ele ajoelhou-se dramaticamente diante dela, fazendo Maeve levantar uma sobrancelha em descrença.

— Desculpar-se? — Ela perguntou com um tom irônico.

— Sim, por ter te chamado de "garota fútil rica". Não que o "rica" fosse um insulto... — Gustavo sorriu de canto, como se esperasse que o charme bastasse para suavizar o impacto de suas palavras anteriores.

Maeve deixou escapar uma risada curta, claramente duvidando da autenticidade dele.

— É tão fácil pra você, não é? Jogar algumas palavras e esperar que tudo volte ao normal.

— Por favor, Maeve. — Ele insistiu, pegando a mão dela e beijando com exagero. — Preciso de você, é sério.

— E lá vamos nós de novo. — Maeve revirou os olhos, mas não afastou a mão imediatamente. — O que você quer desta vez?

— Distrair a Tainá.

O semblante de Maeve ficou mais sério. Ela puxou a mão de volta e cruzou os braços, encarando Gustavo com intensidade.

— Você acha mesmo que eu iria ajudar a prejudicar a Tainá? Ela é minha amiga desde sempre.

— Claro que não, Maeve. Ela é minha irmã. Eu nunca faria nada para machucá-la. — Gustavo respondeu rapidamente, mas a hesitação em sua voz não passou despercebida.

— Então por que eu deveria ajudar você? — Maeve o desafiou, inclinando a cabeça.

— Porque algo grande está acontecendo hoje à noite. E eu preciso mantê-la longe disso.

— "Algo grande"? — Maeve perguntou, fingindo surpresa, mas seu tom carregava um misto de curiosidade e ceticismo. — Que tipo de "grande", Gustavo?

— Esquemas... envolvendo o governo. Pessoas influentes. Você sabe muito bem do que estou falando. — Ele disse, baixando a voz. — E sua família... bom, sua família está mais envolvida do que você deixa transparecer, não é?

Maeve piscou lentamente, como se estivesse processando as palavras dele.

— E se estiver? O que isso muda?

— Muda que eu preciso da sua ajuda. Você conhece o tipo de gente que frequenta essas festas. Faça o que for necessário, mas mantenha Tainá longe deles.

Maeve deu um sorrisinho, mas seus olhos estavam semicerrados, avaliando cada palavra de Gustavo.

— Certo, Gustavo. Vou te ajudar, mas só porque eu me importo com a Tainá.

— Obrigado... —

— Mas se eu descobrir que você está me manipulando, ou que tem algo maior por trás disso, eu acabo com você. — A voz de Maeve ficou fria, cortante, e por um instante, Gustavo pareceu desconfortável.

A garota sorriu de novo, mas agora havia algo de inquietante naquele gesto. E ela murmurou pensando sozinha.

— Vai ser interessante descobrir até onde você vai com isso, Gustavo.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora