Capítulo trezentos e quarenta e cinco.

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Second season:three hundred and forty-five
Que festa? ★
{Tacoma, Washington}
<Lara Cooper narrando>

O silêncio no apartamento estava quebrado apenas pelo som do Victor se arrumando. Eu estava encostada no balcão da cozinha, observando enquanto ele se olhava no espelho pela quarta vez, ajeitando o cabelo. Desta vez, ele tinha optado por uma roupa toda preta, algo que o fazia parecer ainda mais impenetrável. Revirei os olhos quando ele passou a mão pelos fios mais uma vez.

— Pra que se dar o trabalho de arrumar o cabelo se você vai acabar enfiando aquele gorro ridículo na cabeça? — comentei com desdém, tentando esconder o tédio e a inquietação que sentia por dentro. Ele deu de ombros, como sempre fazia quando queria encerrar o assunto.

— Deixa de ser ridícula, Larissa. Pelo menos eu tenho um estilo. — Ele me olhou de canto, mas seu tom de voz tinha um toque de irritação.

— Um estilo previsível. Você só usa preto. É um milagre te ver sem o gorro — retruquei, cruzando os braços e me endireitando no balcão. — Depois ainda dizem que a gente se parece... aí minha autoestima vai pro chão por sua causa.

— Ah, claro, a culpa é minha, né? — Ele revirou os olhos, mas não parou de se ajeitar.

Eu soltei uma risada baixa e subi no balcão, balançando as pernas com impaciência. Havia algo no ar, um nervosismo velado, e parte de mim sabia que essa conversa iria escalar para algo mais profundo.

— Pra que você está se arrumando tanto, hein? — perguntei, fingindo casualidade, mas tentando arrancar alguma verdade dele.

— Eu vou pra festa do Crusher, já te falei. — Ele me lançou um olhar de advertência, como se esperasse que eu deixasse o assunto morrer ali.

— Sim, disso eu sei. — Balancei a cabeça. — Mas você não costuma se importar tanto com isso. Tá todo mundo emparelhado lá, e você, o solteirão do grupo, está todo arrumadinho. Quem você quer impressionar?

— Eu não entendi onde você quer chegar. — Ele respondeu, mas sua expressão entregava que ele sabia muito bem onde eu queria chegar.

Eu sorri, satisfeita por ter tocado no ponto certo.

— A Babi vai, não vai? Tá tentando impressionar ela? — Lancei a pergunta de maneira casual, mas observando cada micro expressão dele. Ele parou por um segundo, confirmando o que eu já sabia. — Eu ainda acho que vocês vão acabar juntos.

— E por que você acha isso? — Ele perguntou, dessa vez me encarando de verdade, como se estivesse desafiando meu raciocínio.

Suspirei, sentindo o peso da minha intuição.

— Porque eu sou sua irmã. E nunca vi você assim... tão mexido por alguém. Vocês têm uma conexão. E negue o quanto quiser, vocês se gostam.

Victor respirou fundo, visivelmente desconfortável com o rumo da conversa.

— Ela sumiu por um mês, Lara. Não tem mais "nós". — Ele disse com uma amargura que me fez sentir o peso de suas palavras.

— E ela voltou. Você devia tentar entender por que ela fez isso, ao invés de fingir que nada aconteceu. Você tá chateado porque ela agiu como se sua declaração não tivesse existido. Mas sabe o que é engraçado? Você tá fazendo exatamente a mesma coisa.

Ele passou a mão pelos cabelos, claramente frustrado.

— Você veio até aqui só pra me criticar ou tem outro motivo? — Sua voz estava fria, mas eu sabia que ele estava apenas tentando desviar o foco.

— Não, eu vim pra festa — respondi com despreocupação, mesmo sabendo que ele não acreditaria em mim. Continuei balançando as pernas, tentando manter a fachada de que não me importava com a discussão iminente.

Victor se virou para mim, seus olhos me perfurando como se tentasse ler meus pensamentos. E ele sempre foi bom nisso.

— Que festa? — Ele perguntou com a voz firme, mais sério agora.

Eu encolhi os ombros, tentando não parecer abalada.

— Que festa, Larissa? — Ele repetiu, impaciente. Havia uma mistura de preocupação e frustração em sua voz. Eu sabia que estava pisando em terreno perigoso.

— Não é da sua conta — desviei o olhar, incomodada. Sabia que isso o irritaria ainda mais, mas eu não queria que ele soubesse.

— Você vai pra aquela festa de políticos, não vai? — Ele perguntou, com sarcasmo. Seus olhos se estreitaram, como se estivesse juntando as peças de um quebra-cabeça.

Fiquei gelada. Como ele sabia? Minhas mãos começaram a suar. Não podia ser verdade... Eu nunca havia mencionado isso para ele.

— Como você... — Comecei, mas minha voz falhou. Victor pegou as chaves do carro, e seu olhar estava sério, quase cortante.

— O que você acha que a gente faz no FBI, Larissa? — Ele falou com uma calma assustadora. — Estamos investigando essa festa. É o caso, Lara. Como você pôde esquecer disso?

Eu me senti idiota. Por um segundo, havia me esquecido completamente das consequências. Agora tudo fazia sentido. O peso da realidade caiu sobre meus ombros.

— Vocês estão investigando a festa? — Perguntei, surpresa, dando um passo para trás. Eu não sabia o que fazer, não sabia como consertar o que estava prestes a desmoronar.

— Isso não importa agora — Victor retrucou, ignorando minha pergunta. — O que eu quero saber é por que você está indo. Por que, Lara? Você está envolvida com eles?

— Eu não sou aliada deles, se é isso que você quer saber! — Falei irritada, minha voz tremendo. — Nunca fui e nunca serei.

— Então por que se aproximou deles? Por que tá se envolvendo nesse jogo sujo? — Ele esbravejou, sua voz carregada de frustração.

Eu queria gritar. Queria que ele entendesse que nada era tão simples quanto parecia. Mas as palavras travavam na minha garganta. Meu peito apertava com uma mistura de medo e raiva.

— É complicado! — Minha voz saiu falhada, e eu sabia que ele não aceitaria essa resposta.

— Complicado? Você acha que isso justifica mentir pra mim? — Ele debochou, sua raiva crescendo a cada segundo. Eu suspirei, desesperada.

— Eu estou tentando te proteger, Victor! — Gritei, sentindo minhas emoções borbulharem à flor da pele.

— Me proteger? Você colocou todo mundo em perigo quando decidiu sumir e se meter nessa merda! — Ele gritou de volta, e sua voz ecoou pelas paredes, cheia de dor e frustração.

As palavras dele me atingiram como uma bofetada. Ele estava certo. Eu sabia disso, mas era insuportável admitir. Minha visão começou a embaçar e minha voz fraquejou.

— Eu não pedi para você vir atrás de mim... — Eu disse, quase em um sussurro, minha voz quebrando. — Não finja que isso é só culpa minha.

Victor desviou o olhar, seus punhos cerrados de raiva. Eu podia ver que ele estava machucado, mas também sabia que, no fundo, ele só queria me proteger. Mesmo que isso o matasse por dentro.

Sem mais uma palavra, ele pegou as chaves e saiu batendo a porta, me deixando sozinha, perdida no turbilhão de sentimentos que agora me consumia.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora