Second season:three hundred and fifty
★ Se for por você, gosto de ser usado ★
<Bárbara Sevilla narrando>
Eu estava no bar, bebendo um drink leve. Não estava completamente bêbada, mas também longe de estar sóbria. Evitei o Gabriel a noite toda, até vê-lo sair com a Carol. O que eu deveria fazer? Cumprimentá-lo? Tentar conversar? Eu não fazia ideia. Um mês atrás eu nem sabia que ele era meu irmão, e agora parecia que nada havia mudado. Afinal, a mãe dele não foi a minha. Ela me abandonou.
Era surreal pensar que minha melhor amiga agora era namorada do meu irmão e, consequentemente, minha cunhada. Sorri amargamente, dando outro gole na bebida. O álcool fazia o desconforto parecer mais suportável.
Desde a discussão com o Victor, não nos esbarramos mais. Nem vi Gaby, talvez porque passei o restante da festa isolada. As coisas entre mim e o Victor estavam cada vez mais intensas. O que começou como um caso puramente físico, agora nos deixava apaixonados e constantemente brigando.
E falando nele... Victor se aproximou, sentando-se ao meu lado no bar. Senti seu olhar sobre mim enquanto terminava o drink. Eu sabia o que estava fazendo. Ou pelo menos, queria acreditar que sabia.
— Roupa bonita. — Ele elogiou, genuinamente. Resolvi provocá-lo, como sempre.
— Quer tirar? — Respondi com um tom doce e malicioso. Ele riu, claramente não tão sóbrio também.
— Nem me oferece uma bebida antes? Assim, parece que você só quer me usar. — disse com um falso tom de ofensa, um sorriso perverso surgindo no canto dos lábios.
— E se eu quiser? Vai ficar chateado? — zombei, virando o rosto em sua direção. Ele deu de ombros.
— Já estou acostumado a ser usado. — Ele retrucou, e eu revirei os olhos, rindo brevemente — Se for por você, gosto de ser usado. — Ele sussurrou perto demais, me fazendo desviar o olhar para a bebida em minhas mãos.
— O que aconteceria se eu comprasse a bebida? — perguntei, fingindo estar pensativa.
— Isso só depende de você. — Ele respondeu casualmente, tamborilando os dedos na mesa.
Olhei ao redor. Gaby estava dançando com a Thaiga na pista, imersas na música e nas luzes. Dei de ombros e fiz sinal para o barman. Quando ele me entregou um copo de tequila, deslizei até Victor.
— Minha bebida favorita? — Ele fingiu surpresa, me lançando um olhar afiado.
— Saúde. — Respondi com um sorriso de lado, levantando meu copo.
Mas a brincadeira não durou muito. Logo, o clima leve deu lugar a uma tensão mais palpável. Victor me olhou com seriedade, quebrando o ciclo de flertes.
— Então, a gente vai continuar assim? Fingir que nada aconteceu e só ficar flertando? — Ele disse, sua voz um pouco mais grave. Eu dei um gole na bebida, mexendo o copo devagar, observando o líquido se mover.
— O que a gente deveria fazer? Continuar brigando? Não vai levar a nada. — Respondi, tentando soar indiferente, mas sabendo que aquela conversa era inevitável.
— E o que a gente deveria fazer? Ignorar o que a gente sente? — Ele rebateu, sua voz mais firme agora. Um nó se formou na minha garganta. Por que ele tinha que ser tão direto?
— Victor... — comecei, mas ele me interrompeu.
— Não faz sentido, Babi. Não dá pra fingir que isso é só uma casualidade. Você sabe disso tanto quanto eu. — Ele me encarou, e era impossível fugir de seus olhos, que sempre me desarmavam.
— Você acha que eu não sei? — retruquei, meu tom mais ríspido do que eu pretendia. — Acha que é fácil pra mim?
Ele suspirou, frustrado.
— Então por que a gente continua nesse ciclo? — perguntou, sua voz agora mais suave, quase como um pedido de entendimento. — Continuar fingindo que isso é só físico, só uma fase... só vai nos machucar mais.
— Eu não sei como lidar com isso... Com a gente. — Confessei quase que pra mim mesma, sentindo o peso da confusão que estava presa dentro de mim há semanas.
Houve um silêncio pesado entre nós. Eu sabia que ele estava certo, mas admitir isso em voz alta tornava tudo ainda mais complicado.
Victor desviou o olhar por um momento, respirando fundo. Depois, como sempre, tentou suavizar o clima, mudando de assunto:
— Agora que você me comprou a bebida, tem segundas intenções comigo? — Ele voltou a flertar, seu tom mais leve, embora os olhos ainda carregassem a tensão da nossa conversa inacabada.
— Talvez. — Dei de ombros, tentando recuperar o controle da situação. Ele sorriu, aquele típico sorriso convencido.
Victor se levantou, e por um momento pensei que a discussão havia acabado e ele iria embora. Mas logo senti sua presença atrás de mim, seus dedos tocando levemente meu ombro.
— Quer ir pra outro lugar? — Ele sussurrou, sua voz carregada de promessas. Eu quis recusar. Quis dizer que aquele ciclo de brigas e reconciliações na cama precisava parar. Mas... era quase impossível resistir.
Olhei de relance para Gaby, que agora estava conversando animadamente com Santiago. Ela nem perceberia se eu sumisse por um tempo.
Sem responder, virei o copo e me levantei, aceitando sem dizer uma palavra. Victor segurou meu pulso, me guiando para um dos quartos isolados da casa. Mesmo que fosse questionável ficar na casa de outras pessoas durante uma festa, não era algo incomum das pessoas fazerem.
Quando ele fechou a porta e a trancou, o ar ficou imediatamente mais denso. Eu o puxei para baixo, tomando sua boca em um beijo desesperado, como se estivéssemos esperando por isso desde sempre. Victor respondeu com a mesma intensidade, sem sequer se afastar enquanto tirava os sapatos.
Esse era o nosso jeito. Complicado. Caótico. E, de alguma forma, inevitável.
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case thirty nine:season two
Fiksi PenggemarApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
