Capítulo trezentos e nove.

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Second season:three hundred and nine
Eu prometo não te deixar na friendzone dessa vez ★
{Tacoma, Washington}
<Marcos Diaz narrando>

Aproveitei a distração das garotas para puxar Milena para um canto mais isolado. Estávamos embaixo da escada, longe de todos os olhares curiosos. Ela me olhou surpresa, como se não esperasse que eu fosse ter essa atitude. O que a Carol havia dito ecoava na minha cabeça: "É só falar o que você sente". Simples, mas nunca foi fácil.

— O que foi, Marcos? — Ela perguntou, com aquele tom defensivo que sempre usava quando não sabia o que esperar.

Respirei fundo. Era agora ou nunca.

— Eu não tive chance de falar com você depois da noite no bar — comecei, tentando manter a calma.

— Não teve chance? Você estava me evitando! — Ela disparou, cruzando os braços como se quisesse criar uma barreira entre nós.

— Eu não estava te evitando! O que você queria que eu fizesse? Puxasse você no meio do expediente e falasse que eu estou apaixonado por você?! — As palavras saíram mais duras do que eu planejava, mas não havia mais como segurá-las.

Milena piscou, claramente pega de surpresa com minha franqueza. Mas ela não recuou.

— Não foi isso que eu disse, Marcos. Eu só estava esperando você se desculpar por me ligar de madrugada e...

— Você queria que eu pedisse desculpas, Milena?! Foi você que se fez de desentendida nos últimos anos quando sempre estava claro o que eu sentia por você! — Minha voz subiu, ecoando pelas paredes ao nosso redor.

— Claro? Você nunca me disse o que sente! Em três anos, Marcos! Nunca uma palavra! — Ela gesticulava nervosamente, e eu podia ver o quanto ela também estava irritada.

— E quem foi que tomou a iniciativa? Fui eu que beijei você, que chamei você pra sair, que fiz de tudo pra demonstrar! Quando nós transamos, fui eu que fui atrás! E sabe o que você fez? Me mandou uma mensagem terminando o que nem tínhamos começado! Porque nem coragem de me dizer pessoalmente você teve! — As palavras saíam em um fluxo constante de frustração. Ela precisava ouvir tudo aquilo.

Milena passou as mãos no cabelo, claramente mexida.

— Eu estava assustada! — Ela disse, mas sua voz saiu mais baixa, quase como se estivesse tentando justificar para si mesma.

— Ah claro, porque só você importa!

— Eu nunca disse isso! — Ela rebateu, mas havia uma hesitação em seu tom agora.

— Mas é o que você tá fazendo! Eu posso ter errado e ter ligado pra você bêbado, mas você também não foi uma santa ao fazer papel de pop star deprimida no bar! — Eu não conseguia evitar o sarcasmo na minha voz, mas logo percebi que isso a afetou mais do que eu esperava.

— Eu não disse que eu não errei, Marcos! — Ela elevou a voz de novo. — Nós dois erramos, e não é justo você jogar toda essa culpa pra cima de mim! Se erramos, temos que assumir.

Houve uma pausa. Ela parecia finalmente processar tudo o que estávamos dizendo. Eu também precisava de um momento para me acalmar.

— Desculpa. — Ela finalmente disse, seu tom mais suave agora. — Por não ter perguntado como você se sentia e só ter pensado em mim. Mas eu não quero que a gente fique assim.

Suspirei, sentindo minha resistência desmoronar. Não valia a pena continuar lutando contra ela.

— Desculpa. Por só apontar os seus erros e ter ligado pra você bêbado, ao invés de ter conversado sóbrio.

Ela sorriu de leve, aliviada.

— Tudo bem, eu te perdoo... — Ela disse, claramente esperando que eu dissesse o mesmo.

— Eu também perdoo você. — Sorri, finalmente sentindo um peso sair de cima de mim.

— Então a gente pode tentar de novo? — Ela perguntou, com um sorriso leve, mas eu sabia que era uma provocação. — Eu prometo não te deixar na friendzone dessa vez. — Ela debochou, e nós dois rimos.

— Tá. Podemos. — Eu disse, mais relaxado agora.

Ela me deu um selinho rápido, mas eu não estava satisfeito. Puxei seu rosto para perto e a beijei de verdade. O beijo não era apenas um beijo de reconciliação, mas de saudade, de carinho. Era como se disséssemos "senti sua falta" sem precisar de palavras. Eu sorri contra seus lábios antes de puxá-la para mais perto, sem querer deixá-la ir.

Dessa vez, talvez as coisas realmente dessem certo.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora