Capítulo duzentos e sessenta e três.

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Second season:two hundred and sixty-three
Acidente, Bárbara? ★

— Se agora tá com você, isso quer dizer que você e o Victor se viram ontem. — Apontei, surpresa com a revelação, e ela apenas deu de ombros.

Eu sabia que estávamos prestes a começar uma fase difícil. Babi finalmente estava começando a se importar com alguém. Mas, do jeito dela, levaria muito tempo até que ela admitisse o que estava sentindo.

— Foi um acidente.

— Acidente, Bárbara? — Provoquei, com um sorriso malicioso, e ela me empurrou, quase sem querer.

— Não foi nada disso. Depois que vocês saíram, eu acabei brigando com o meu pai e resolvi sair pra andar. E por isso que eu já me mudei pra casa nova hoje. — Babi explicou, sua voz mais baixa.

— Saiu pra andar de madrugada? — Apertei o olhar, sentindo uma mistura de surpresa e preocupação.

— É a hora que tem menos pessoas. Eu não gosto de pessoas. — Ela deu de ombros, como se fosse algo comum.

— Ah, isso faz mais sentido. — Balancei a cabeça, aliviada. — E aí?

— E aí, o quê?

— Conta a história toda, Babi! — Pedi, com um tom mais insistente, e ela fingiu estar distraída com as próprias mãos. — Ih, eu conheço essa cara, o que aconteceu? — Apontei, tentando quebrar o gelo.

— Nada. Começou a chover e ele tava de carro, então me levou até em casa. — Ela respondeu, mas não parecia estar dizendo toda a verdade.

— Nossa, que pertinente ele também estar andando de carro de madrugada. Parece que vocês são um filme roteirizado. — Murmurei, impressionada e ao mesmo tempo irônica. — Eu sei que ele não levou só você em casa, o que foi? — Arquei as sobrancelhas, querendo mais detalhes.

— A gente brigou. — Ela soltou, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— Aí eu esperava um momento fofo, mas com vocês não existe isso. — Cruzei os braços, tentando controlar a frustração.

— Ele perguntou por que eu sou tão fechada, disse que eu afasto todo mundo que gosta de mim e escondo meus sentimentos. — Babi disse, e eu balancei a cabeça, sem saber o que dizer.

— Ele não mentiu... — Falei, absorta, refletindo sobre o quanto Babi havia feito para se manter distante das pessoas.

— Acha mesmo isso de mim? — Ela olhou para mim, e eu segurei seus ombros, tentando transmitir sinceridade.

— Considerando que eu te chamei de arrogante hoje e você me expulsou da sala, não temos mais ressentimentos. — Falei, tentando aliviar o clima. Ela riu levemente, um riso sincero, o que era raro em Babi.

— Tá, e você respondeu o que? — Perguntei, curiosa.

— Neguei tudo. Depois ele disse que eu machuco as pessoas e sou egocêntrica demais. Depois eu disse que tenho medo... — Ela hesitou, interrompendo a própria fala, e eu sabia que havia mais, mas não queria se abrir.

Eu podia sentir o medo que Babi tinha de se machucar. Isso explicava tanto do seu comportamento. Eu sabia que, por mais que ela não admitisse, estava começando a se importar com Victor de uma maneira que nunca se permitira antes.

— Não disse nada, esquece. — Ela murmurou, e eu sabia que ela não se abriria tão fácil sobre o que realmente sentia. Mas isso não me impediu de fazer uma última tentativa.

— Aí ele te deu o colar? — Perguntei, desviando para um novo assunto.

— Aí ele disse que eu só tava chateando as pessoas e magoando a mim mesma. — Ela falou de cabeça baixa, como se estivesse carregando o peso das palavras. Acho que nunca a vi assim, tão vulnerável.

— Que intenso, amiga. — Falei, apoiando a cabeça no sofá, surpresa com a sinceridade de Babi.

— Aí ele me deu o colar. E depois ele me beijou e a gente ficou... ficou, você entendeu né?! — Ela disse rapidamente, evitando o meu olhar.

— Vocês transaram? Depois de brigar? — Falei, chocada com a rapidez dos eventos.

— Porra, Decker, você é inimiga da metáfora, né? — Babi bufou, claramente envergonhada. — Não precisava dizer com todas as letras.

Percebi que ela estava vermelha, algo que era incrivelmente raro de se ver. Falar sobre Victor realmente acendia um lado da Babi que eu nunca tinha visto antes.

— Desculpa é que eu não tava esperando, a situação mudou muito rápido. Pera, no carro? — Falei, tentando manter o tom leve, mas a surpresa era evidente.

Babi desviou o olhar, claramente constrangida com a situação.

— Nossa, nunca mais eu entro no carro do Jones, nunca mais. — Falei, rindo, mas também um pouco assustada. Ela, por sua vez, soltou um suspiro, como se quisesse mudar de assunto.

— Mas fora isso, sobre a briga. Você ficou chateada, né? — Insisti, tentando entender os sentimentos dela.

— Que? Não. — Ela disse rapidamente, mas a expressão dela dizia outra coisa.

— Ficou sim, se importa com o que ele fala e ficou magoada. — Afirmei, sem hesitar. — Babi, eu não nasci ontem. Você sabe o que ele quis dizer com "afasta todo mundo que gosta de você" e "só tá chateando as pessoas"? — Fiz aspas no ar, como se fosse óbvio.

— Ele tá me criticando?! — Babi exclamou, surpresa, como se não pudesse acreditar nas minhas palavras.

— Acorda, Babi, ele quis dizer que você tá magoando ele. Ele tá chateado porque gosta de você. — Enfatizei, apontando entre ela e Victor, querendo que ela visse o óbvio.

— É isso quer dizer que...? — Ela gesticulou, sem entender completamente.

— Que o Victor gosta de você, boba. — Completei, com um sorriso, sentindo que talvez, finalmente, Babi começasse a enxergar a verdade.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora