Capítulo trezentos e setenta e dois.

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Second season:three hundred and seventy-two
Se tudo fosse diferente ★
{Washington D.C}
<Tainá Costa narrando>

Eu tinha acabado de sair de mais uma sessão de fotos, aquela rotina que já não me empolgava mais, quando cheguei em casa e encontrei Maeve e Gustavo conversando pela primeira vez sem gritaria. Fiquei parada na porta por um instante, olhando ao redor, como se fosse precisar de um lembrete. Será que entrei na casa certa?

— Você não tem casa, não, Maeve? — Soltei, um pouco mais amarga do que planejava. Eles me olharam, e eu completei, virando a cara para o lado: — E você, Gustavo? Não tem nada melhor pra fazer além de dar em cima das minhas amigas?

— Você chegou de mal humor, hein! — Maeve resmungou, sua voz já cansada. Não respondi e subi direto para o meu quarto, sem mais palavras. Eu realmente estava de saco cheio de todos eles.

Fechei a porta com mais força do que o necessário e tranquei. A bagunça mental que eu estava carregando parecia me sufocar cada vez mais. O celular vibrou na mesa — mais chamadas perdidas de Lara. Ignorei e joguei o aparelho na cama, de raiva. Passei as mãos no rosto, tentando esfriar a cabeça. Fazia dias que eu sentia como se tivesse carregando um peso impossível de suportar.

Fiz um coque rápido e ajeitado, me despindo para entrar na banheira. Quando a água quente tocou minha pele, senti todos os pensamentos estressantes se dissipando. Foi como se, por alguns minutos, eu conseguisse desligar de tudo.

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Às vezes, eu me peguei pensando: E se tudo fosse diferente? E se eu nunca tivesse me tornado famosa? E se eu não fosse filha de advogada? E se tivesse sido capaz de manter todas as minhas amizades da época de escola, se eu tivesse sido mais forte, se eu tivesse ficado com a Lara... Se eu não fosse tão covarde, insegura sobre os meus sentimentos... Eu poderia ter levado uma vida normal, ter feito a faculdade de Biologia, algo que sempre sonhei, sem meu pai controlando tudo que eu fazia.

Eu queria poder voltar no tempo. Começar de novo. Quem sabe em outra família, em outra vida. Tudo poderia ser diferente.

E quando meu irmão decidiu seguir os passos de meu pai, aquilo foi a pior decisão que ele poderia ter tomado. Foi um divisor de águas. Desde então, as coisas nunca mais foram as mesmas. Eu fui a pior pessoa por não ter feito nada. Ele foi manipulado, eu vi, e não consegui fazer nada para impedir. Nós éramos tão próximos antes de tudo isso, mas tudo se despedaçou por causa dele. E eu? Eu me afastei. Porque, no fundo, eu sabia que era a minha culpa.

Mas desde que decidi me mudar, uma outra ideia passou a me consumir. E se eu mudasse as coisas? E se eu contasse tudo o que sei? Eu tenho tudo o que preciso para provar que ele faz parte do clube. Pode não ser o dono, mas ele manda em muita coisa lá dentro. Claro que não seria fácil. Na verdade, seria um pesadelo. Mas não seria impossível. Eu passei a vida inteira guardando isso dentro de mim. Estava na hora de fazer algo. Eu só precisava de um plano.

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Fechei os olhos, tentando afastar os pensamentos turbulentos. Imaginei coisas boas: meus beijos com a Lara. Eu e meu irmão antes de tudo isso. Minha melhor amiga, a gente se divertindo nas festas. Minhas músicas favoritas. O carinho que recebia do público.

Mas, porra... Nada disso importava. Eu ainda era filha de um dos maiores integrantes da máfia. Tudo o que eu fazia, cada passo que eu tomava, estava sempre entrelaçado com a sujeira daquela vida. E não importava o quanto eu tentasse escapar, minha origem sempre me puxaria de volta.

E eu sabia, lá no fundo, que se não fizesse nada, ninguém faria por mim.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora