Capítulo duzentos e dezesseis.

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Second season:two hundred and sixteen
Quebrou o pulso? ★
{Seattle, Washington}
<Victor Jones narrando>

Acordei lentamente, os primeiros raios de sol atravessando as cortinas e iluminando o quarto de maneira suave. O quarto estava tranquilo, mas algo me chamou a atenção de imediato: meus braços estavam em volta de alguém. Não de "alguém", de Babi. Meu corpo estava completamente relaxado, como se tivesse se permitido descansar pela primeira vez em muito tempo. Levei alguns segundos para processar o que estava acontecendo, talvez pela confusão do sono.

Era estranho. Estranho porque não havia nada sexual envolvido, apenas uma conexão inesperada, silenciosa. Babi, a garota mais durona que eu já conheci, estava dormindo ao meu lado, de forma tão serena que parecia quase vulnerável. Nunca dormi tão bem, mesmo com as poucas horas de sono que tivemos. Soltei um resmungo baixo.

"Isso... não pode ser bom", pensei. Estava começando a me preocupar com o que tudo isso significava.

— Bom dia, casalzinho. — A voz irônica da minha irmã, Lara, cortou o silêncio, me fazendo abrir os olhos completamente. — Imagino que vocês tenham dormido muito bem, mas já são quase meio-dia. — Ela apontou para o relógio na parede, e eu, ainda meio sonolento, me sentei na cama, tentando organizar meus pensamentos.

Babi, do outro lado, resmungou algo inaudível e virou de lado, com a clara intenção de voltar a dormir.

— O que tem de importante hoje? — Ela murmurou, a voz arrastada pelo cansaço.

— Vocês precisam resolver o que fazer, e ainda têm que sair com a Eliza. — Lara comentou casualmente, como se fosse uma tarefa rotineira. Passei as mãos pelo rosto, ainda me sentindo preso entre o sono e a realidade.

— Merda. — Xinguei baixinho, arrancando um sorriso debochado da minha irmã.

— Sugiro que se apresse, porque Eliza já está começando a desconfiar de vocês. Afinal, têm passado dias fora. — Lara disse, dando de ombros.

— Ainda precisamos manter esse disfarce? — perguntei, sem esconder minha frustração. Queria voltar a dormir. Queria... continuar do jeito que estava, sem me mover.

— Vocês ainda precisam de informações sobre esse pessoal, não precisam? — Lara rebateu, como se fosse óbvio. Dei de ombros, não com muita disposição para discutir.

— Encontramos você, o caso está praticamente encerrado. — Argumentei, desejando que ela concordasse.

Babi soltou um suspiro e murmurou:

— Achei que Eliza ia cancelar. Ela disse que a Madelaine — o nome da nossa inimiga saiu de sua boca com puro desprezo — quebrou o pulso.

— Quebrou o pulso? — Repeti, tentando absorver o turbilhão de informações.

— Ela quebrou o pulso?! — Lara imitou meu tom de surpresa, mas logo riu. — Digo, que... pena, não é?

— Pena mesmo. — Babi respondeu com sarcasmo enquanto finalmente se levantava da cama. Ela usava uma camisa preta e uma legging que moldava seu corpo de maneira que eu não pude deixar de notar. Mesmo recém-acordada, ela estava linda. Demais.

Eu não deveria estar pensando assim sobre ela. Não deveria.

— Por mim, que quebre o outro pulso. — Babi sussurrou, e Lara riu em um tom de quase concordância. Era óbvio que ela também conhecia Madelaine, e o desprezo parecia ser mútuo.

— Vocês são mulheres simpáticas. — Comentei com escárnio, enterrando o rosto no travesseiro, tentando afastar os pensamentos confusos sobre Babi.

Lara, é claro, não me deixaria descansar.

— Levanta, Victor! — Ela me jogou uma almofada, e eu resmunguei. — Vocês ainda têm que fazer as malas. Não têm muito tempo.

— Fazer as malas? — Babi cruzou os braços, confusa, enquanto eu me levantava devagar, franzindo o cenho.

— Vocês me encontraram, então o caso está encerrado. Vocês voltam para Tacoma. — Lara esclareceu com uma certa leveza, como se estivesse falando algo trivial. — A gente conversa mais tarde.

Eu sabia que voltar para Tacoma era o objetivo. Mas, naquele momento, algo me incomodava. Não era só o fim do caso. Era Babi. Havia algo mudando dentro de mim. Algo que eu não conseguia definir, mas que crescia toda vez que a via. Quando a sentia por perto.

Eu não podia me envolver demais. Não com ela. Não podia, mas cada vez mais, parecia que... eu já estava envolvido mais do que desejo.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora