Capítulo trezentos e treze.

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Second season:three hundred and thirteen
Eu gosto de você ★
{Tacoma, Washington}
<Bárbara Sevilla narrando>

Eu estava entorpecida. Raiva, confusão e amargura me consumiam depois da festa. O que começou como uma celebração se transformou em um pesadelo silencioso no instante em que a vi. A mulher que me abandonou, aquela que deveria ter sido minha mãe, era mãe do Gabriel? Eu me sentia presa em um filme que não pedi para estar. Só que, na vida real, as emoções não são fáceis de ignorar, e os danos são irreversíveis. Ela havia sido boa para os Di Laurentis? Eles pareciam tão felizes… então por que ela não foi assim comigo?

Minha mente estava em um caos insuportável, e a pressão de estar ali perto dela, vendo-a interagir com Gabriel, estava me levando ao limite. Se eu ficasse mais um minuto naquela casa, eu sabia que ia explodir. Eu precisava sair.

Lara me mandou uma mensagem, perguntando se eu conseguiria levar o Victor para casa. Eu realmente não queria. Não sabia nem como começar a lidar com o que ele me confessou. Mas, depois de tudo o que ele já fez por mim, o mínimo que eu podia fazer era cuidar dele dessa vez.

— Victor, vamos pra casa — murmurei, tentando manter a calma, mesmo que tudo em mim gritasse. Ele olhou para mim, meio perdido, os efeitos do álcool ainda o dominando. — Agora. Antes que eu mude de ideia.

— Você vai me levar pra casa? — Sua voz estava arrastada e confusa. O álcool fazia com que ele mal entendesse o que estava acontecendo ao seu redor. Revirei os olhos enquanto Decker ria, achando graça de sua embriaguez. Mas se ela soubesse o caos que reinava dentro da minha cabeça, talvez ela não achasse tão engraçado.

— Sua irmã pediu — resmunguei, perdendo a paciência. Segurei seu pulso e o arrastei até o carro. Acenei brevemente para Carol antes de sair, sem olhar para mais ninguém.

A frase de Victor ainda ecoava na minha mente. "Então me diz como esquecer que estou apaixonado por você!". Não importava o quanto eu tentasse afastar essas palavras, elas não paravam de me assombrar. Agora, lá estava eu, tendo que dirigir por quarenta minutos com ele ao meu lado, sabendo que, no fundo, eu também estava presa a esse sentimento. Era muita coisa para processar. Victor estava apaixonado por mim... e agora descobri que Gabriel é meu irmão. Hoje definitivamente não era o meu dia.

Enquanto dirigia, o silêncio no carro parecia sufocante. Victor estava jogado no banco ao meu lado, seu olhar fixo em mim. O vento frio da noite entrava pelas janelas entreabertas, cortando meu rosto e me lembrando que a noite já começava a esfriar.

— Você é tão linda — Victor murmurou, interrompendo o silêncio. Meu corpo enrijeceu ao ouvir aquilo. Eu me mexi desconfortável no banco, mantendo meus olhos na estrada.

— Obrigada — respondi, sem emoção, tentando desviar o foco. Mas ele não parava.

— Eu gosto do seu sorriso. E mesmo quando brigamos, eu gosto do seu jeito — ele continuou, e eu apertei o volante com mais força, tentando manter o controle.

— Você sabe que não vai lembrar de nada disso amanhã, né? — falei, tentando cortar o clima, mas no fundo desejando que, por algum milagre, ele lembrasse.

— Talvez seja melhor esquecer algumas coisas às vezes — ele sussurrou, virando o rosto para a janela, perdido em seus próprios pensamentos.

— Eu gosto quando você me elogia — confessei baixinho, quase para mim mesma. Afinal, o que eu tinha a perder? Ele vai esquecer tudo, de qualquer forma. — Eu gosto de você.

O olhar dele voltou para mim, mais focado, como se minhas palavras tivessem despertado algo.

— Gosta? — ele perguntou, sua voz carregada de surpresa, e eu senti meu coração bater mais forte. O frio na barriga foi instantâneo. Eu estava me expondo demais.

— Gosto quando você se preocupa comigo. Do seu abraço. Do seu jeito... Gosto de tudo em você — admiti, cada palavra me aproximando mais do abismo que eu mesma criei entre nós.

— Eu também gosto de te abraçar. Gosto quando você deixa de lado essa armadura e se mostra de verdade — ele murmurou. — Eu não queria que a gente ficasse assim...

— Victor, escuta... Eu não me importo com o que vai acontecer comigo. Eu só me importo com você. Eu não quero te magoar. Você é importante pra mim... — minha voz falhou. Era difícil admitir, mas eu precisava que ele soubesse o quanto eu me importava. Eu sabia que era tarde demais, mas mesmo assim, eu precisava dizer.

Houve um longo silêncio. Ele parecia digerir o que eu disse, as palavras flutuando entre nós como uma verdade que não podia ser ignorada.

— Eu menti quando disse que 'senti por você. Eu nunca deixei de sentir nada. Quando você disse que a gente nunca ia dar certo, eu fiquei magoado, e tentei te esquecer. Mas isso não significa que eu consegui — confessou, com uma voz baixa e quebrada, sem me olhar.

Eu senti cada palavra dele como uma punhalada. Ele estava magoado... por minha causa. E a pior parte era que ele tinha razão. Eu o afastei. Neguei o que sentia. E agora estávamos aqui, presos nesse ciclo de culpa e mágoa, onde eu, mais uma vez, era a culpada.

— Eu só queria que você se afastasse... — minha voz era um sussurro quebrado. Eu estava na esperança de que, ao afastá-lo, o protegesse de mim.

Ele não disse nada. Apenas colocou a mão suavemente sobre minha coxa e deitou a cabeça no meu braço, olhando para a estrada à frente. O toque dele era suave, mas carregava o peso de tudo o que não dissemos.

E eu sabia que, no fundo, eu era a culpada por nos destruir.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora