Capítulo duzentos e noventa e quatro.

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Second season:two hundred and ninety-four
Você mexe com a minha cabeça ★

— Você não faz ideia do que eu senti por você. — Victor falou, a voz baixa, quase em um sussurro.

Quando ele disse isso, tudo em mim congelou. Olhei diretamente para ele, e senti meu coração acelerar de uma forma que me irritou. Minhas bochechas esquentaram, e aquele maldito frio no estômago voltou. Eu já tinha sentido isso antes. Ele me fazia sentir isso.

Mas eu não podia deixar isso me dominar. Precisava afastar esses sentimentos idiotas. Se eu me deixasse levar por eles, a única certeza era que eu acabaria magoada. De novo.

Passei as mãos no rosto, tentando afastar a confusão, e respirei fundo.

— Pena?! — Zombei, tentando manter a fachada de desprezo. Ele soltou um riso breve, mas ácido.

— Claro que não, Bárbara. Você não precisa de pena, nunca precisou. — Ele disse, erguendo as mãos em um gesto de rendição. — Você se vira muito bem sozinha.

— Exato. — Rebati. — Sempre me virei com os surtos sem você. Não se sinta responsável por mim a ponto de querer ser o herói que vai consertar tudo. — Levantei da cadeira, sem olhar para ele.

Eu odiava estar sempre na defensiva, mas parecia automático. Era a minha maneira de me proteger, de manter todos à distância.

— Você lida sozinha porque escolhe isso, Babi. Você não precisa passar por isso sozinha. — Ele também levantou, a voz carregada de frustração.

— Sim, eu preciso. — Retruquei, mexendo nos arquivos. — Duvido que alguém suportaria estar por perto por muito tempo. Sempre é assim, Victor. Ninguém sabe lidar comigo. Por isso prefiro lidar comigo mesma, sozinha.

O silêncio que veio em seguida foi como um golpe. Eu estava sendo cruel, e sabia disso. Mas não podia parar.

— Babi... — A voz dele era mais suave agora, mas havia algo de urgente ali. — Desculpa. De verdade. Eu sou impulsivo quando estou estressado, mas juro, eu não acho nada disso de você. — Ele deu um passo em minha direção, mas eu continuei andando, até ele me segurar pelo braço, me forçando a parar. — Bárbara, por favor. Para.

Olhei para o rosto dele, e a sinceridade nos olhos de Victor era desconcertante. Aquela máscara sarcástica que ele usava tanto havia caído.

— Você nunca tentou aceitar ajusa. Nunca se arriscou de verdade. Sempre teve medo de se entregar. Você não faz ideia do quanto isso magoa as pessoas. — Suas palavras cortaram fundo, mexendo em feridas que eu preferia ignorar. Eu sabia o que ele tava dizendo. Eu tava magoando ele.

Minhas emoções se misturavam entre raiva e frustração, mas, lá no fundo, eu sabia que ele estava certo. Eu sempre me afastava, antes que pudessem me machucar. Me desvencilhei do toque dele, dando um passo para trás.

— Eu me afasto porque eu sei como isso vai acabar! — Gritei, sem conseguir me conter. — É por isso! Por isso que me afasto de você, de todos! Porque você fica se intrometendo, querendo me salvar, querendo me ajudar! Você mexe com a minha cabeça, Victor! Mexe com tudo!

O peito subia e descia rápido enquanto as palavras escapavam sem controle. O silêncio que seguiu foi quase palpável. Nós dois nos encaramos, intensamente, e o peso do que eu havia dito pairava entre nós.

— O que você disse? — Ele perguntou, se aproximando devagar, como se tentasse absorver a confissão.

Eu me forcei a respirar, tentando manter a compostura, mas era tarde demais.

— Você mexe com a minha cabeça. — Repeti, dessa vez em um tom mais baixo, quase como se estivesse admitindo para mim mesma.

Victor parecia atordoado, mas não hesitou. Ele deu mais um passo à frente e, antes que eu pudesse reagir, segurou meu rosto gentilmente e seus lábios encontraram os meus. O beijo foi intenso, carregado de todas as mágoas e sentimentos que havíamos reprimido por tanto tempo. Eu segurei seu braço, me perdendo naquele momento, enquanto todo o controle que eu me agarrava se dissolvia.

Era um beijo cheio de saudade, de confissões não ditas. Um beijo que, de alguma forma, dizia mais do que qualquer palavra poderia.

Quando a falta de ar finalmente nos separou, nossos olhos se encontraram de novo, ainda atordoados. Mas, antes que qualquer um de nós pudesse dizer algo, a voz da Carolina ecoou na sala.

— Hey, amigos... — Ela cumprimentou, e logo parou ao perceber a cena.

Eu e Victor nos afastamos imediatamente, como se tivéssemos sido pegos fazendo algo proibido. Milena e Carol trocaram olhares rápidos, um murmúrio escapando de ambas.

— Terminaram o caso? — Carol perguntou, com um toque de ironia evidente na voz.

— Aham. — Murmurei, desviando o olhar, e saí da sala rapidamente, sem olhar para trás.

Tá, é oficial. Eu tô apaixonada pelo Victor.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora