Second season:three hundred and eighty-seven
★ E seu pai? ★
{Tacoma, Washington}
<Lara Cooper narrando>
— Brincadeira, tá? — insisti, batendo o pé para chamar sua atenção. — Olha, eu tenho família, sim. Minha mãe é um anjo, e meu irmão mais velho é um pé no saco, mas ele serve pra alguma coisa... às vezes.
— E seu pai? — perguntou ele, direto.
A pergunta me atingiu como um soco no estômago. Meu sorriso irônico desapareceu, e desviei o olhar para o chão.
— Ele... não tá mais por aqui. — murmurei, tentando manter a voz firme.
— O que aconteceu?
Tentei evitar, mas a memória veio como uma onda, impossível de conter. Pensar no meu pai era como abrir uma ferida antiga que nunca cicatrizou. Ele era meu herói, minha âncora, e o dia que o perdi foi o dia em que o mundo perdeu as cores.
Eu sempre fui "a caçula do papai", a protegida. Manhosa, sensível, e sempre mimada por ele. No dia do meu aniversário de treze anos, ele saiu para trabalhar e fez questão de passar em uma loja para comprar meu presente. Era um dia chuvoso e caótico, um cenário que combinava com tragédias. O acidente foi feio. Ele nunca chegou em casa.
Lembro de flashes daquele dia. Victor tentando me acalmar enquanto eu chorava no chão, desesperada. Minha mãe estava tão devastada quanto eu; eles tinham aquele tipo de relacionamento que parecia ter saído de um conto de fadas... ou talvez seja assim que minha memória, cheia de saudade, o enxerga.
Victor, apesar de estar claramente estar tão vazio quanto a gente, se forçou a ser forte por nós duas. Ele era só um adolescente também, mas assumiu o papel de adulto da casa, algo que eu não percebia na época. Para mim, o mundo tinha acabado, e eu não sabia como lidar com isso.
Depois disso, me revoltei com o mundo. Tornei-me uma adolescente difícil, irritada, inconformada. Minhas notas despencaram, e eu vivia arrumando confusão. Brigas, discussões, advertências: era o meu jeito de gritar para o universo que tudo estava errado.
Nada parecia ter sentido. Minhas notas na escola despencaram, eu brigava com qualquer pessoa que cruzasse meu caminho, e eu descontava minha raiva na minha mãe, que, apesar de tudo, ainda tentava ser paciente comigo.
Ela era dura, mas nunca deixou de se preocupar. Ainda assim, eu a provocava de propósito, como se quisesse testar até onde ela iria. Eu sabia que aquilo machucava ela, mas não conseguia parar. Eu queria atenção, mas, acima de tudo, queria meu pai de volta.
A relação com minha mãe sempre foi um cabo de guerra emocional. Ela era prática, direta e, às vezes, dura demais com as palavras, mas isso era o jeito dela de tentar manter tudo sob controle. Quando fiz quinze anos, nossa pior briga aconteceu, e eu saí de casa.
Victor, apesar de tudo, nunca desistiu de mim. Ele era o único que me entendia de verdade. Enquanto minha mãe dizia que eu precisava "aprender com meus erros", ele aparecia para me tirar das enrascadas. Ele assinava minhas advertências, me buscava quando eu fugia e até me tirou da delegacia uma vez, quando ainda era menor de idade. Ele era mais do que meu irmão; ele se tornou uma figura paterna.
Quando completei dezoito anos, algo mudou em mim. Cansei de ser a garota perdida que não sabia o que queria. Vi Victor largar sua faculdade de TI e entrar para justiça criminal, determinado a fazer parte do FBI. Acho que foi ali que percebi o que queria para minha vida também. Comecei a trilhar meu próprio caminho, ainda que com tropeços.
Mas então veio o dia em que precisei desaparecer. Setembro, o mês maldito. O mês que tirou meu pai, o mês que me levou para longe da minha família, me empurrando para o submundo. Me infiltrar na máfia foi a decisão mais difícil que já tomei, mas senti que era a única maneira de encontrar um propósito, de consertar algo em um mundo quebrado.
Agora, aqui estou. Algema nos pulsos, paredes desbotadas ao meu redor, com mais inimigos do que amigos. Sinto falta de tudo: da risada da minha mãe, da irritante superproteção do Victor, do olhar caloroso do meu pai.
Olhei para o teto, piscando rapidamente para segurar as lágrimas que ameaçavam cair. Chorar aqui era inaceitável.
Respirei fundo, recuperei minha postura e encarei Benjamin novamente.
— Você tá realmente interessado na minha vida, hein? — franzi a testa, buscando meu tom sarcástico habitual.
Ele encostou na parede com desdém, como se quisesse encerrar o assunto. O silêncio pairou entre nós, mas dentro de mim, uma tempestade rugia.
Victor sempre dizia que eu era mais forte do que acreditava. Talvez ele estivesse certo. Talvez, mesmo algemada e cercada por inimigos, ainda houvesse uma saída. Victor sempre acreditou em mim, e eu não podia decepcioná-lo agora.
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case thirty nine:season two
FanficApós um mês de intensa investigação, a verdade finalmente vem à tona: a misteriosa mafiosa conhecida pelo codinome Ariel é revelada. Mas essa descoberta é apenas o começo de um jogo ainda mais perigoso. Bárbara Sevilla e Victor Jones agora enfrentam...
