Capítulo trezentos e quinze.

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Second season:three hundred and fifteen
Eu gosto da sua companhia ★
<Bárbara Sevilla narrando>

Depois da conversa com a Lara, eu continuei encostada na parede, perdida nos meus próprios pensamentos. Minha mente estava a mil, com tudo acontecendo de uma vez. Parte de mim queria explodir, quebrar tudo ao meu redor, enquanto outra parte só queria se encolher e chorar em silêncio. Era um ciclo horrível. Comecei a questionar todas as minhas escolhas. E se eu nunca tivesse respondido aquele e-mail da Wanessa? E se eu nunca tivesse entrado para o FBI? E, pior ainda, e se eu nunca tivesse permitido que meus sentimentos por Victor crescessem, sabendo que isso jamais daria certo?

Meu celular vibrou com uma mensagem, mas eu o desliguei de imediato. Passei as mãos pelo rosto, tentando espantar a sensação de sufocamento.

— Eu vou subir pra dormir. — Lara avisou, enquanto Victor murmurava algo em resposta.

Já era mais de 1h da manhã. Eu deveria ter ido para casa, mas em vez disso, me joguei no sofá e peguei um pedaço de pizza, tentando me permitir relaxar, pelo menos por alguns segundos. Dei uma mordida, mas logo soltei a comida, o peso dos meus pensamentos voltando com força.

— Você não parece bem. — Victor comentou, me olhando de lado.

— Você também não. — Respondi curta, e ele soltou uma risada.

— É, talvez... — Ele admitiu, sua voz com aquele tom leve de quem já passou do ponto na bebida.

Eu ainda me sentia um caos por dentro, sem saber como acalmar a tempestade que estava se formando. Mas então, senti os braços do Victor ao redor de mim, me puxando para um abraço. Ele beijou minha bochecha, e, pela primeira vez naquela noite, um sorriso escapou de mim. Foi então que ele perguntou de novo:

— Tem certeza que tá bem?

— Tô. — Murmurei, mas soou mais como um suspiro de desânimo. — Preciso ir pra casa. — Fiz menção de levantar, mas ele me segurou firme, os braços em volta de mim mais apertados.

— Fica mais um pouco... eu preciso de companhia. — Sua mão tocou o pingente em forma de glock que pendia do meu colar.

— Ah, aposto que precisa. — Respondi com um toque de sarcasmo, soltando uma risadinha. Mesmo que eu quisesse ir embora, algo em mim me fazia querer ficar. Não estávamos brigando, e por mais que fosse difícil admitir, eu queria estar perto dele.

— Eu gosto da sua companhia... — A voz do Victor, misturada ao toque dele no meu colar, me causou arrepios que eu tentei disfarçar.

— Você é a primeira pessoa que me diz isso. — Falei, sem saber se ria ou chorava.

— Não tem como não gostar de você. — Apesar de embriagado, havia uma honestidade na voz dele que quase me desarmou. Um peso de sinceridade, algo raro de ouvir.

— Isso é você que está dizendo... — Tentei desviar, mas a verdade é que suas palavras estavam me atingindo mais fundo do que eu queria.

— Você é corajosa, confiante, inteligente, persistente, dedicada... — Ele pausou, os olhos encontrando os meus. — E linda. — O sorriso que se formou em meus lábios foi automático. Ele sempre sabia como elevar meu astral, mesmo nos piores momentos. Ele então tocou suavemente o meu rosto. — E seu sorriso... é o mais lindo de todos.

Minhas bochechas coraram, e por um breve instante, eu me permiti esquecer todo o caos dentro de mim. Sabia que parte disso era a bebida falando, mas, ainda assim, me fez bem. Por um momento, os meus pensamentos se acalmaram. Victor deitou a cabeça no meu ombro, sem soltar o abraço, e eu fechei os olhos, me permitindo sentir aquele conforto. Não queria pensar no futuro, nas consequências, ou nas brigas que viriam. Só queria aquele instante, onde as coisas pareciam menos complicadas.

case thirty nine:season twoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora